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O Festival Sangue Novo retornou para seu segundo dia de muita música e arte neste domingo (18). Depois de artistas como Céu e Zaynara levarem o público à loucura no sábado, chegou a vez de Rachel Reis, Zé Ibarra, Getúlio Abelha e Bia Soull comandarem a noite.
Considerado um dos maiores palcos do cenário alternativo da música brasileira, o festival já está na sua 8ª edição, trazendo a nova geração do funk, do reggae, do axé, da MPB, do tecnobrega, do jazz, do pop e do beat melody para o cenário histórico e icônico do Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio. O Trapiche, que existe desde o século XVIII, é um patrimônio histórico da cidade de Salvador. Ficou bastante conhecido por abrigar o Museu du Ritmo, projeto cultural idealizado por Carlinhos Brown, e, agora, é o palco do já tradicional Sangue Novo.
PALCO MARÉ
No palco Maré, a pista começou cedo, às 16h, com DJ Nate Monaco, que possui mais de oito anos de carreira na cena independente e é amplamente conhecida por trazer sets em vinil, com um foco profundo em brasilidades e ritmos latino-americanos, transitando entre MPB, samba, groove, carimbó, brega, entre outros. A artista volta ao palco novamente durante o intervalo entre os shows de Bia Soull e Getúlio Abelha no palco principal.
A segunda atração do espaço é Ubunto, produtor musical de Salvador com mais de uma década de carreira, que traz a música eletrônica para perto de expressões artísticas da música brasileira. O artista possui diversas colaborações ao longo da carreira com nomes como Gilberto Gil, Fafá de Belém e Adriana Calcanhotto. O DJ fica responsável pelas "pickups" durante o intervalo entre os shows de Getúlio Abelha e Zé Ibarra, e Zé Ibarra e Rachel Reis.
Para fechar a programação do Palco Maré, DJ Rick Nogueira fica responsável por manter a animação do público até o último segundo. O DJ traz seu estilo versátil e energético na discotagem baiana. Segundo o artista, seu maior diferencial é possuir a habilidade de ler o público e, assim, saber exatamente o que tocar em cada momento do seu set, de acordo com a necessidade da plateia.
PALCO TIM
Abrindo os trabalhos no Palco TIM, Bia Soull vem diretamente do Paraná, fazendo sua estreia no festival, trazendo o seu último álbum, “Pornografia Auditiva”, de 2026, para o palco do Sangue Novo. Considerada uma das maiores revelações do funk e fora do eixo Rio e São Paulo, considerado tradicional do gênero, a artista traz erotismo, humor e versos provocativos, celebrando a sexualidade e reforçando a liberdade feminina.
A cantora paranaense destacou sua emoção de estar em Salvador pela primeira vez e, em entrevista ao Bahia Notícias, explicou o sentimento de estar estreando no festival, trazendo um gênero diferente do que o público baiano está acostumado. “Eu estou muito feliz. É minha primeira vez em Salvador. A gente já chegou com os dois pés na porta. Fiquei muito feliz com o convite do Sangue Novo. Eu sou uma artista nova na cena, eu sou um sangue novo. Então achei muito bonito eles me trazerem”, afirmou a cantora. “Acho que o público da Bahia está acostumado com um outro tipo de musicalidade, vocês têm outro ritmo, que eu amo, inclusive, adoro. É um público novo, acho que ainda tenho que conquistar mais vocês”, brincou a artista.

Foto: Matheus Santana / Bahia Notícias
Seguindo a programação, Getúlio Abelha chega em solo soteropolitano, trazendo toda sua alma piauiense para sua performance. O cantor agitou a noite com os maiores sucessos do seu álbum “Autópsia+”, mesclando forró, brega, punk e rock em um espetáculo teatral e irônico. Conhecido por fazer um show bem teatral, o artista conversou com o Bahia Notícias sobre seu estilo musical, que funde diversos gêneros musicais, criando algo único. “Eu gosto de colocar tudo no liquidificador e entender o que cabe com o quê. Geralmente eu não penso nos limites disso e, atualmente, desde o Autópsia para cá, eu tenho começado as músicas pelos instrumentais mesmo. Eu deixo a letra para a última hora. Então, eu realmente tenho pensado mais pela música, pela produção e quais estilos misturar. Mas também vou me aquietar um pouco disso. No próximo álbum, eu vou fazer uma coisa: vou continuar trazendo ritmos do Norte e Nordeste, mas sem experimentar muito com outros estilos”, explicou o artista, trazendo uma prévia do seu próximo trabalho de estúdio.
“Eu sinto que eu sempre estou procurando algum espaço meio vazio no que está acontecendo dentro da música brasileira para também entrar por esse caminho. Afinal, eu acho que é legal eu contribuir de outras formas. Se eu vejo que algo está rolando, eu falo: "Ah, então tem um espaço para eu estar trabalhando nisso". E aí é bom porque, no geral, essa cena de músicos independentes acaba se complementando e trazendo coisas novas”, destacou o cantor.

Foto: Matheus Santana / Bahia Notícias
A maratona de shows continua com uma apresentação refinada do carioca Zé Ibarra, que traz ao palco o repertório do seu último álbum, “Afim”, que navega entre a MPB, o jazz, o pop além de experimentações sonoras. O trabalho rendeu ao artista uma indicação ao Grammy Latino de 2026, que acontece em novembro. “Esse foi um álbum que ganhou muita força no ao vivo, assim. Eu nem esperava isso, mas, por acaso, com essa galera aí que eu toquei, a gente criou um show. Então, esse foi um álbum que o show fez o álbum, assim. Porque, quando eu lancei, a galera ouviu, gostou e tal, legal. Mas, depois dos shows, eu sinto que começou a haver um boca a boca”, explicou o artista em relação à construção do show.
Zé Ibarra representa a nova geração da música popular brasileira, construindo um estilo elegante e experimental, que transita por diversas vertentes da MPB tradicional. O cantor não escondeu a paixão pela capital baiana, destacando que gosta de trazer seus projetos para a cidade. “Eu amo Salvador, eu gosto de vir para cá, me sinto bem. Salvador tem um negócio que, parece papo de hippie, mas não é: É uma coisa meio de energia mesmo. Minha avó também é baiana. Toda vez que eu venho, eu me sinto feliz”, disse o artista.

Foto: Matheus Santana / Bahia Notícias
Para fechar com chave de ouro a programação do Palco TIM, a feirense Rachel Reis, a artista mais aguardada da noite, traz toda sua musicalidade e sua ‘maresia’ para o público do Sangue Novo. A sereiona retorna ao festival para apresentar a “Divina Tour”, show que surgiu pelo disco Divina Casca de 2025. Trazendo uma mistura de axé, afrobeats, reggae e pop eletrônico, a cantora promete arrastar o público do Sangue Novo ao som de faixas recentes e hits marcantes como ‘Motinha’ e ‘Brasa’, fechando o line-up do Palco TIM pela 8ª edição do festival.
Rachel Reis é considerada uma das principais vozes da música contemporânea baiana, título que a cantora recebe com carinho. “Eu fico muito feliz de fazer parte dessa geração, desse movimento novo que vem de um lugar muito genuíno ali, de uma construção, de uma interseção de universos”, destacou. A plateia não deixou de cantar junto com a artista, confirmando o posto de principal artista da noite.
“Eu sinto que existe uma profundidade, algo muito grande nessa música, que a base dela é a Bahia, é a raiz dela, mas ela está aberta ao mundo. Então, eu sinto que a minha música, ela vem muito nesse sentido. Eu tenho uma raiz muito fincada pela minha vivência, pelas minhas experiências na infância, na adolescência, por ser baiana. Isso faz toda diferença na minha linguagem, na minha construção”, explicou a cantora.

Foto: Matheus Santana / Bahia Notícias
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Geraldo Alckmin
"Nós temos que fazer a economia crescer, o PIB crescer, o emprego crescer, e segurar a despesa. Aí você melhora a relação dívida/PIB".
Disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) ao defender a realização de um ajuste fiscal, porém com foco em cortes de privilégios e "super salários", criticando a possibilidade de penalizar aposentados e a classe média.