Artigos
Cartografia da Erosão Eleitoral
Multimídia
“A política tem que voltar a conquistar as pessoas”, pede Grizenti sobre abstenção e votos nulos
Entrevistas
Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
xango
O Fórum da Comarca de Camaçari recebeu, nesta quarta-feira (30), o assentamento do Machado de Xangô, símbolo associado ao orixá da Justiça, do equilíbrio e da retidão na tradição afro-brasileira. A cerimônia integra o projeto 12 Machados de Xangô, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e casas tradicionais de matriz africana.
A iniciativa busca reforçar o respeito à diversidade religiosa, à liberdade de crença e à valorização da cultura afro-brasileira em espaços do Poder Judiciário. O projeto já instalou o símbolo na sede do TJBA, em Salvador, em maio de 2025, e no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), em outubro do mesmo ano. Com o assentamento em Camaçari, a iniciativa chega a uma comarca do interior do estado.
A ação foi articulada pela OAB-BA em parceria com a Associação Beneficente, Cultural e Religiosa do Terreiro Unzó Tatêto Lembá Diá Nzambi (Terreiro de Lembá), comunidade reconhecida como Patrimônio Cultural de Camaçari e liderada pelo sacerdote Táta Ricardo Tavares.
Durante a solenidade, a secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, afirmou que o assentamento representa mais uma etapa do projeto voltada à construção de uma Justiça que reconheça a pluralidade da sociedade baiana. “É mais um machado, que é um simbólico para continuarmos refletindo sobre o país que precisamos”, declarou.
O presidente da Subseção da OAB em Camaçari, Eduardo Requião, relacionou a presença do símbolo no Fórum ao respeito à diversidade e à pluralidade religiosa. Segundo ele, a iniciativa está de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 1.086 da repercussão geral.
Em 2024, o STF decidiu, por unanimidade, que a presença de símbolos religiosos em prédios públicos, quando destinada a manifestar a tradição cultural da sociedade brasileira, não viola os princípios da não discriminação, da laicidade estatal e da impessoalidade.
“Participando desse importante ato em respeito à diversidade, à pluralidade e, principalmente, a manutenção dos espaços religiosos com itens de natureza religiosa não ofende o princípio da laicidade”, afirmou Requião.
O presidente do TJBA, José Edivaldo Rocha Rotondano, também destacou a relação entre a iniciativa e o reconhecimento da diversidade cultural e religiosa da população baiana.
“Acredito que a Justiça precisa ter a cor, a sensibilidade e a alma do seu povo. Precisa olhar para a diversidade cultural e religiosa como uma vivência diária de acolhimento e garantia de liberdades fundamentais”, declarou.
Para Táta Ricardo Tavares, líder espiritual do Terreiro de Lembá, a solenidade representa um marco no processo de reconhecimento e garantia de direitos da população negra e dos povos de terreiro.
“Um marco histórico para a nossa sociedade. Na casa do Tribunal de Justiça da Bahia, a gente tem uma retrospectiva de ações de negação de direitos, de promoção de dor e morte. Então hoje se reescreve uma nova história”, afirmou.
Segundo o sacerdote, o assentamento também está relacionado a um processo de reparação e à garantia do direito à identidade, à memória e à preservação dos símbolos das comunidades de matriz africana.
ARTE E ANCESTRALIDADE
O Machado de Ouro de Xangô assentado no Fórum de Camaçari, chamado Luazi Kikete, foi produzido pelo artista Rodrigo Siqueira, responsável também pela confecção do primeiro Machado de Xangô instalado em Salvador. Siqueira afirmou que a produção das peças está relacionada a um processo de reparação e valorização da população afrodescendente. “O primeiro machado que foi inaugurado em Salvador, na Bahia, foi o segundo lugar no Brasil, foi feito por minhas mãos. E esse é o terceiro que eu voltei a fazer, sendo o primeiro em Camaçari”, disse.
Com o assentamento em Camaçari, o projeto 12 Machados de Xangô amplia sua presença no sistema de Justiça baiano e mantém a proposta de aproximar instituições, sociedade civil e comunidades tradicionais de matriz africana em torno do respeito à liberdade religiosa, à diversidade e à valorização da cultura afro-brasileira.
O Fórum da Comarca de Camaçari recebeu, nesta quarta-feira (30), o assentamento do Machado de Xangô, símbolo associado ao orixá da Justiça, do equilíbrio e da retidão na tradição afro-brasileira. A cerimônia integra o projeto 12 Machados de Xangô, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e casas tradicionais de matriz africana.
A iniciativa busca reforçar o respeito à diversidade religiosa, à liberdade de crença e à valorização da cultura afro-brasileira em espaços do Poder Judiciário. O projeto já instalou o símbolo na sede do TJBA, em Salvador, em maio de 2025, e no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), em outubro do mesmo ano. Com o assentamento em Camaçari, a iniciativa chega a uma comarca do interior do estado.
A ação foi articulada pela OAB-BA em parceria com a Associação Beneficente, Cultural e Religiosa do Terreiro Unzó Tatêto Lembá Diá Nzambi (Terreiro de Lembá), comunidade reconhecida como Patrimônio Cultural de Camaçari e liderada pelo sacerdote Táta Ricardo Tavares.
Durante a solenidade, a secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, afirmou que o assentamento representa mais uma etapa do projeto voltada à construção de uma Justiça que reconheça a pluralidade da sociedade baiana. “É mais um machado, que é um simbólico para continuarmos refletindo sobre o país que precisamos”, declarou.
O presidente da Subseção da OAB em Camaçari, Eduardo Requião, relacionou a presença do símbolo no Fórum ao respeito à diversidade e à pluralidade religiosa. Segundo ele, a iniciativa está de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 1.086 da repercussão geral.
Em 2024, o STF decidiu, por unanimidade, que a presença de símbolos religiosos em prédios públicos, quando destinada a manifestar a tradição cultural da sociedade brasileira, não viola os princípios da não discriminação, da laicidade estatal e da impessoalidade. “Participando desse importante ato em respeito à diversidade, à pluralidade e, principalmente, a manutenção dos espaços religiosos com itens de natureza religiosa não ofende o princípio da laicidade”, afirmou Requião.
O presidente do TJBA, José Edivaldo Rocha Rotondano, também destacou a relação entre a iniciativa e o reconhecimento da diversidade cultural e religiosa da população baiana. “Acredito que a Justiça precisa ter a cor, a sensibilidade e a alma do seu povo. Precisa olhar para a diversidade cultural e religiosa como uma vivência diária de acolhimento e garantia de liberdades fundamentais”, declarou.
Para Táta Ricardo Tavares, líder espiritual do Terreiro de Lembá, a solenidade representa um marco no processo de reconhecimento e garantia de direitos da população negra e dos povos de terreiro. “Um marco histórico para a nossa sociedade. Na casa do Tribunal de Justiça da Bahia, a gente tem uma retrospectiva de ações de negação de direitos, de promoção de dor e morte. Então hoje se reescreve uma nova história”, afirmou.
Segundo o sacerdote, o assentamento também está relacionado a um processo de reparação e à garantia do direito à identidade, à memória e à preservação dos símbolos das comunidades de matriz africana.
XANGÔ
Xangô é uma das divindades mais reverenciadas nas religiões de matriz africana, reconhecido como o orixá da justiça, do fogo, dos raios e dos trovões. Na tradição iorubá, ele foi o quarto rei do Império de Oió, governando com pulso firme, sabedoria e autoridade. Representando a lei e a retidão, Xangô não tolera a mentira, o roubo ou a injustiça; ele atua com absoluta imparcialidade.
O símbolo máximo dessa divindade é o oxê, um machado de dois gumes que carrega um significado filosófico. As duas lâminas do machado representam a dualidade e a neutralidade da justiça de Xangô, lembrando que a mesma lei que protege e absolve também pune, "cortando" para ambos os lados de forma justa e equilibrada. Além do machado, Xangô é fortemente associado aos edés (pedras de raio) e aos meteoritos, que simbolizam sua força vinda dos céus. Suas cores são, o vermelho e o branco (ou marrom, dependendo da tradição), e o dia da semana associado a ele é a quarta-feira.
O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) realizou, na quarta-feira (21), a cerimônia de instalação do Oxê, o machado de Xangô, no hall de entrada do Tribunal. A obra, esculpida pelo artista plástico Rodrigo Siqueira, foi doada pelo Ilê Axé Oxumarê, um dos terreiros de candomblé mais tradicionais da Bahia, com intermediação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Bahia (OAB-BA).
Na tradição das religiões de matriz africana, Xangô é o Orixá da Justiça, e seu machado de duas lâminas simboliza equilíbrio e neutralidade. A doação reforça o compromisso do Ilê Axé Oxumarê com a preservação da cultura afro-brasileira, alinhando-se aos valores do TJ-BA, que promove o respeito à diversidade, à liberdade religiosa e aos direitos fundamentais.

Foto: TJ-BA / Reprodução
A cerimônia reuniu autoridades religiosas, representantes do Judiciário, membros da OAB-BA, integrantes do sistema de Justiça, além de representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de Salvador. A Desembargadora Cynthia Resende conduziu o evento ao lado do Babá Pesê, Babalorixá do Ilê Axé Oxumarê, e da Presidente da OAB-BA, Daniela Borges.
O TJBA é o segundo Tribunal do Brasil a receber o machado de Xangô. O primeiro foi o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em dezembro de 2024.
O Oxê é uma peça de aproximadamente 70 cm, esculpida em madeira e protegida por uma redoma de vidro. A doação foi formalizada sem custos e com a condição de que permaneça em exposição permanente no TJBA, acessível ao público, mas sem manifestações religiosas no local.
Para comemorar o Dia de São Pedro, Xangô, Nzazi e Sogbo, nesta terça-feira (29), a partir das 9h, o grupo de trabalho externo de implantação do Parque Pedra de Xangô realizará a 1ª Fogueira na Pedra de Xangô, em parceria com as comunidades de terreiros de Cajazeiras e adjacências.
O evento é uma iniciativa do Ilê Axé Palèomon – liderado pelo babalorixá Josias Santos, de Cajazeias XI - e conta com o apoio e participação dos terreiros Ilê Axé Oxalufã, Ilê Axé Tumbi Odé, Ilê Axé Lodemim, Mutalombo Yê Kaiongo, Ilê Asé Obá Bábà Serè, Ilê Asé Obá Bábà UluFan Ala, Ilê Axé Lodemim, Ilê Unzó katulande de Unzambe, Vodun kwe Tò Zò, Ilê Axé Odé Aty Ya Rè, Ilê Asé Opó Babá Obatalá Demi e do Centro Espírita Raio de Luz.
Transmitida através dos perfis do Instagram @pedra.de.xango, @canticos_doorum e @williamdeoxala1616 – ile_ase_oba_paleomon, a solenidade tem como objetivos comemorar o dia de São Pedro e das divindades afro-religiosas Xangô, Nzazi e Sogbo, além de apresentar à sociedade civil o Grupo de Trabalho criado pela Fundação Gregório de Mattos para analisar como o município, estado e união irão contribuir para a efetiva proteção e salvaguarda da Pedra de Xangô e todo o entorno da Área de Proteção Ambiental Vale do Assis Valente e Parque em Rede Pedra de Xangô.
O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) promove, nesta sexta-feira (19), uma live com o tema “Xangô, São João e as fogueiras de Junho”. Com a participação dos professores Ricardo Aragão, Gildeci Leite e Pai Raimundo de Xangô, o bate-papo será transmitido a partir das 17h, no Youtube do IGHB. A mediação é da professora Maria Alice Silva.
O encontro tem como objetivo debater sobre o culto ao Orixá Xangô/Inquice Zazi e levantar os motivos que levam alguns a homenagear a entidade no mês de junho e acreditar que a fogueira o aproxima de São João Batista.
“Entre as relações serão discutidas especificidades das representações do fogo e seus significados para Xangô, São João e São Pedro. A intenção é conversar sobre como o povo de axé festeja Xangô e os santos juninos ora de forma separada, ora de forma integrada, preservando, sempre, simbologias do fogo”, explica Gildeci Leite.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Carlos Muniz
"O povo entendeu que as obras que o governo do estado trouxe para Salvador foram muito importantes. Então essas obras influenciaram muito para que Jerônimo tivesse o êxito que teve".
Disse o presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz (PSDB), avaliou que ACM Neto (União Brasil) poderia ter reduzido a diferença para Jerônimo Rodrigues (PT) nas eleições para o governo da Bahia se tivesse repetido a estratégia de visitar municípios menores adotada na campanha anterior.