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A crise política entre Uefa e Fifa pode atingir diretamente o Mundial de Clubes de 2029. O presidente da entidade europeia, Aleksander Ceferin, e Nasser Al Khelaïfi, presidente da Associação Europeia de Clubes, têm uma reunião marcada em Salzburgo para discutir nesta semana os próximos passos da oposição à gestão de Gianni Infantino.
Segundo a rádio britânica talkSPORT, um dos pontos em debate será a possibilidade de os principais clubes europeus abandonarem a próxima edição do Mundial de Clubes. A medida, se avançar, representaria um golpe esportivo e comercial para a Fifa, já que as equipes do continente concentram parte importante do apelo global da competição.
Nos bastidores, a discussão ainda não é tratada como decisão formal. De acordo com o jornal espanhol AS, ainda não existe um acordo fechado entre a Fifa e a entidade que representa os clubes europeus para a realização do Mundial de Clubes de 2029. Por isso, a ideia de boicote permanece, neste momento, no campo da pressão política e da especulação.
O ambiente, porém, é de desgaste crescente. Clubes europeus têm procurado a associação para reclamar de pendências relacionadas ao Mundial de Clubes de 2025, especialmente sobre pagamentos de participação e valores do mecanismo de solidariedade. A demora aumentou a insatisfação com a Fifa e fortaleceu o discurso de que a entidade precisa dar mais transparência às receitas e repasses do torneio.
A tensão ganhou força depois da tentativa de Infantino de criar uma nova estrutura comercial para administrar ativos da Fifa. O projeto, chamado FIFA Forward Enterprise, previa transferir direitos de transmissão, patrocínio, licenciamento e bilheteria para uma subsidiária que poderia receber investimento privado.
A proposta incluía a venda de 20% da nova operação para a Thrive Capital, empresa comandada por Josh Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O plano gerou reação imediata de dirigentes, federações e confederações, que acusaram a Fifa de tentar transformar a Copa do Mundo e outros torneios em produtos controlados parcialmente por investidores.
Diante da pressão, Infantino recuou e retirou a proposta. O desgaste, no entanto, não terminou com o fim do projeto. A crise passou a atingir diretamente a liderança do presidente da Fifa, que busca a reeleição em 2027.
A Uefa assumiu a linha de frente da resistência. As 55 federações europeias aprovaram posição unânime de boicote a competições organizadas pela Fifa caso a proposta de venda dos ativos comerciais avançasse. A reação expôs o isolamento de Infantino dentro do futebol europeu e abriu caminho para uma articulação mais ampla contra sua permanência no cargo.
O movimento também chegou às federações nacionais. País de Gales, Inglaterra, Finlândia, Romênia e Sérvia aparecem entre as associações que já sinalizaram que não apoiarão Infantino na próxima eleição. A Alemanha também demonstrou resistência, enquanto a Noruega é apontada como outra federação inclinada a votar contra o dirigente.
A eleição para a presidência da Fifa está marcada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos. Infantino já afirmou que pretende disputar a reeleição, mas a crise envolvendo o FIFA Forward Enterprise transformou o processo em uma disputa mais aberta do que se imaginava meses atrás.
Nesse contexto, a aproximação entre Uefa e clubes europeus tem peso estratégico. Uma oposição apenas das federações já cria desgaste político. Uma eventual adesão dos clubes, porém, teria potencial de afetar a viabilidade esportiva e comercial do Mundial de Clubes.
O torneio de 2025 foi tratado por Infantino como um dos principais projetos de sua gestão. A competição reuniu 32 equipes e abriu caminho para a tentativa de transformar o Mundial em um produto global mais rentável. Sem os principais clubes europeus, a edição de 2029 perderia força de mercado, audiência e relevância técnica.
A crise em torno de Gianni Infantino ganhou um novo componente político nesta segunda-feira (3). Segundo o jornal norte-americano New York Post, o presidente da Fifa buscou apoio do governo Donald Trump em meio à pressão crescente por sua saída após o fracasso do plano de abrir parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.
De acordo com a publicação, Infantino teria marcado uma conversa privada com Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. A justificativa oficial, segundo uma fonte ouvida pelo jornal, seria discutir o futebol como ferramenta de “soft power” para o país. Nos bastidores, porém, pessoas próximas ao caso afirmaram ao Post que o movimento estaria ligado à tentativa do dirigente de preservar força política no cargo.
A informação foi publicada em meio a uma escalada de desgaste dentro da própria Fifa. Infantino, segundo o jornal, se sente isolado após a repercussão negativa do projeto FIFA Forward Enterprise, proposta que previa a criação de uma nova subsidiária para administrar ativos comerciais da entidade, como direitos de transmissão, patrocínio, licenciamento e bilheteria.
O plano previa a entrada da Thrive Capital, empresa de private equity comandada por Josh Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump. A companhia compraria uma fatia de 20% da nova operação por pouco mais de US$ 4 bilhões.
A proposta foi abandonada na última sexta-feira (31), após forte reação de confederações e federações nacionais. O projeto foi criticado por transformar competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, em ativos de interesse privado.
Ainda segundo o New York Post, Infantino tentou falar diretamente com Donald Trump por telefone mais de uma vez desde o colapso do plano, mas não conseguiu contato com o presidente norte-americano.
A versão sobre uma conversa marcada com Marco Rubio, no entanto, foi contestada pelo governo dos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, a secretaria adjunta de Estado para Assuntos Públicos afirmou em publicação no X que não havia planos para uma ligação entre Rubio e Infantino na manhã desta segunda-feira.
A crise também provocou fissuras internas na Fifa. Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, afirmou à Associated Press que se sentiu “enganado” pelas ações de Infantino, por não ter conhecimento das tratativas conduzidas nos bastidores.
O desgaste se ampliou depois que a Uefa reagiu de forma dura à proposta. A entidade europeia aprovou, de maneira unânime, uma posição de boicote a competições organizadas pela Fifa caso o plano avançasse. A medida incluiria torneios de seleções e poderia atingir até mesmo a Copa do Mundo masculina de 2030, marcada para Espanha, Portugal e Marrocos.
A possibilidade de boicote aumentou a pressão sobre Infantino, especialmente porque dois países europeus serão sedes do Mundial de 2030. Em caso de ruptura, seleções e estrelas do continente ficariam fora de torneios da Fifa, cenário considerado sem precedentes na história recente do futebol.
Nos bastidores, a liderança do presidente da Fifa passou a ser questionada de forma mais aberta. O New York Post afirma que dirigentes contrários a Infantino passaram a articular um movimento interno apelidado de "Project Kill The Monster", com o objetivo de enfraquecer ou retirar o dirigente do comando da entidade.
O episódio também ocorre em momento decisivo para o futuro político de Infantino. O dirigente suíço-italiano, de 56 anos, mira a permanência no cargo em um novo ciclo, mas o fracasso do FIFA Forward Enterprise abalou parte do apoio que sustentava sua liderança.
A Fifa ainda não comentou oficialmente a reportagem. A Casa Branca também não respondeu de imediato aos pedidos de manifestação citados pela Reuters.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
ACM Neto
"Tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento".
Disse o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) ao se pronunciar sobre o pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma busca e apreensão relacionada a ele no âmbito da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17). A medida, no entanto, foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).