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sandro hiroshi
O Rio Branco, clube de Americana, no interior de São Paulo, enfrenta uma crise financeira que ameaça sua continuidade no futebol profissional. A equipe, que revelou jogadores como o lateral-direito Vanderson, da Seleção Brasileira, está em recuperação judicial e negocia uma parceria com o Sertãozinho para viabilizar sua participação nas competições de 2027. As informações foram divulgadas pelo ge.globo nesta sexta-feira (16).
Atualmente na Série A-3 do Campeonato Paulista, o Rio Branco avalia a possibilidade de ceder temporariamente seu nome, escudo e uniformes para uma empresa responsável pela gestão do futebol do Sertãozinho, que possui vaga na Série A-2 estadual. Pelo modelo discutido, o clube de Americana solicitaria licença à Federação Paulista de Futebol (FPF), enquanto a equipe parceira passaria a utilizar sua identidade.
A negociação ainda depende de definições jurídicas e esportivas. Segundo a reportagem, a Justiça autorizou a continuidade das conversas, mas não concedeu autorização antecipada para operações que envolvam bens ou direitos sujeitos ao controle judicial.
A diretoria sustenta que a parceria é necessária diante da impossibilidade de arcar com os custos da próxima temporada. A projeção apresentada no processo aponta despesas de até R$ 1,8 milhão para disputar a Série A-3 de 2027, enquanto as receitas poderiam chegar a R$ 480 mil.
VENDA DE VANDERSON
Uma das principais pendências do Rio Branco envolve a transferência de Vanderson, lateral-direito do Monaco, da França, e convocado para a Seleção Brasileira por Carlo Ancelotti.
Revelado nas categorias de base do clube paulista, o jogador foi transferido ao Grêmio em 2018. Posteriormente, o clube gaúcho negociou o atleta com o Monaco por cerca de 11 milhões de euros. O Rio Branco tinha direito a uma parcela dos valores envolvidos na operação, mas parte dos pagamentos permanece em discussão.
Em junho deste ano, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) determinou que o Grêmio pagasse R$ 1,9 milhão ao Rio Branco. Entretanto, a equipe gaúcha obteve autorização para parcelar coletivamente suas dívidas, o que deixou indefinido o prazo para o recebimento integral dos recursos.
A situação também envolve o ex-jogador Sandro Hiroshi, responsável por um projeto de formação de atletas nas categorias de base do Rio Branco. Pelo acordo firmado em 2016, sua empresa teria direito a 70% das receitas provenientes dos direitos econômicos dos jogadores vinculados à parceria, enquanto o clube ficaria com 30%.
Hiroshi recorreu à Justiça para solicitar que sua parcela dos valores relacionados à transferência de Vanderson seja destinada diretamente à empresa. O pedido foi aceito em decisão liminar, que ainda pode ser contestada.
SUSPEITA DE IRREGULARIDADES
Além das dificuldades financeiras, o Rio Branco enfrenta questionamentos sobre movimentações bancárias realizadas durante o processo de recuperação judicial, iniciado em 2023.
Conforme documentos informados pelo ge, valores recebidos pelo clube foram transferidos para uma empresa chamada Manager Serviços Administrativos, que tem entre seus sócios o presidente do Rio Branco, Cláudio Bonaldo.
Em dezembro de 2024, por exemplo, o clube recebeu R$ 1,2 milhão do Grêmio e realizou, na sequência, três transferências que totalizaram o mesmo valor para a empresa. Em janeiro de 2025, outra movimentação envolveu R$ 533 mil.
As operações levantaram questionamentos de credores, que apontaram suspeitas de irregularidades na administração dos recursos. Diante disso, a Justiça determinou uma auditoria sobre as movimentações financeiras.
O Ministério Público também solicitou à Polícia Civil a abertura de uma investigação preliminar para apurar possíveis atos fraudulentos durante a recuperação judicial. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, até a publicação da reportagem, ainda não havia sido instaurado inquérito policial.
Em manifestação à Justiça, o Rio Branco negou irregularidades e afirmou que passou a centralizar suas receitas e despesas na Manager devido às dificuldades administrativas. Segundo o clube, a empresa foi escolhida pelo Conselho Deliberativo por apresentar o menor custo de gestão.
PARCERIA PODE TER DEFINIDO FUTURO DO CLUBE
Fundado em 1913, o Rio Branco teve seu período de maior destaque no futebol paulista durante a década de 1990. Além de Vanderson, o clube revelou atletas como Flávio Conceição, Marcos Assunção, Marcelinho Paraíba, Mineiro e Marcos Senna.
A equipe disputou 17 temporadas consecutivas na elite estadual antes do rebaixamento em 2007. Desde então, enfrentou dificuldades esportivas e financeiras, chegando a participar da última divisão do Campeonato Paulista.
Agora, a possível parceria com o Sertãozinho é apresentada pela diretoria como uma alternativa para preservar a identidade do clube e evitar o encerramento de suas atividades profissionais.
O administrador judicial manifestou parecer favorável à continuidade das negociações, mas solicitou a apresentação do contrato para análise. Uma alternativa também discutida é disputar a Série A-3 de 2027 utilizando jogadores das categorias de base.
A definição precisa ocorrer dentro dos prazos de licenciamento estabelecidos pela Federação Paulista de Futebol. Sem uma solução, o Rio Branco corre o risco de ficar fora das competições profissionais da próxima temporada.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Geraldo Alckmin
"Nós temos que fazer a economia crescer, o PIB crescer, o emprego crescer, e segurar a despesa. Aí você melhora a relação dívida/PIB".
Disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) ao defender a realização de um ajuste fiscal, porém com foco em cortes de privilégios e "super salários", criticando a possibilidade de penalizar aposentados e a classe média.