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projeto do aborto
Em entrevista ao programa “Em Ponto” da Globonews nesta sexta-feira (19), o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), chamou de “horrenda” a parte do PL 1904/22 que equipara o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples, inclusive nos casos de gravidez resultante de estupro. Lira assegurou na entrevista que qualquer tentativa de se alterar a legislação sobre o aborto no Brasil não será aprovada pelo Congresso Nacional.
Questionado sobre a votação simbólica da urgência para o PL 1904/22, Arthur Lira disse que a discussão se concentrava em torno da técnica clínica da assistolia fetal, que havia sido proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), e depois permitida por decisão do Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Câmara, na Globonews, defendeu o direito dos parlamentares de discutirem o assunto, mas salientou que foi um erro dos líderes ter levado o projeto a plenário sem atentar para a controversa questão da tentativa de punição a quem realiza o aborto.
“No colégio de líderes, nem aborto, nem questão de estuprador, muito menos os casos legais foram discutidos. O que foi discutido foi uma técnica que permite fazer com 22 semanas, que teve parecer contrário do CFM e depois decisão do Supremo. O CFM pode discutir, o Supremo pode, e o Congresso não pode discutir sobre assistolia fetal? Mas o colégio de líderes errou quando não viu o resto do projeto, e o resto do projeto foi quem deu uma versão horrenda a uma discussão que todos nós temos aversão”, disse Arthur Lira na entrevista.
“Num bom tempo, a gente tentou conversar com todo mundo. Quando você tenta explicar o assunto, esse assunto fica complicado e, para não ter versões, vamos ter várias discussões sobre a assistolia e não sobre a mudança da legislação do aborto, porque isso não passa no Congresso”, completou o presidente da Câmara.
Após a repercussão negativa na votação da urgência para o PL 1904/22, Arthur Lira decidiu não levar o projeto à votação no Plenário, e afirmou que irá submeter o tema a uma comissão especial antes de retomar a apreciação da matéria. Em relação a outro tema que faz parte da pauta de costumes e também provoca debates acalorados tanto entre parlamentares como em meio à sociedade, que é a chamada PEC das Drogas, o presidente da Câmara afirma que da forma como está, também não deve ser aprovada.
A PEC, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), representa uma reação à posição recente do STF a respeito da posse e do porte de drogas. A proposta, que foi aprovada pelo Senado em abril, criminaliza o porte e a posse de drogas independentemente de quantidade, e aguarda a criação de uma comissão especial para avançar na Câmara.
Arthur Lira afirmou ter ficado espantado com o baixo número de indicações feitas pelos líderes partidários para compor a comissão especial que debaterá a matéria.
“Se líderes não estão indicando é porque não querem debater isso agora. Não é o presidente da Câmara, que não interfere em nada no andamento do processo legislativo”, afirmou Lira.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Os extremos não servem para nós. Nem uma polícia que não dê conta do seu papel, nem uma polícia que possa entrar no exagero e fazer ações fora do conceito de um servidor público. A polícia tem que garantir a segurança das pessoas e não ameaçá-las".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao ser sabatinado na TV Aratu, nesta terça-feira (4) e abordou um dos temas mais sensíveis de sua gestão: a segurança pública e a atuação da Polícia Militar. Respondendo a questionamentos do jornalista Maurício Leiro, editor de política do Bahia Notícias, sobre a implementação das câmeras corporais nos fardamentos e suspeitas de excessos policiais, Jerônimo afirmou que "não passa a mão na cabeça" de quem atua fora dos padrões.