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O Ministério Público Federal (MPF) requisitou informações ao estado do Rio de Janeiro e à União sobre a possível utilização de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) na megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha em 28 de outubro de 2025. A operação, que resultou em um elevado número de mortes, é alvo de um procedimento de fiscalização do MPF que acompanha os repasses e a aplicação de verbas do fundo.
A solicitação foi emitida pelo procurador da República Eduardo Benones, que destacou a necessidade de esclarecer se a operação "Contenção" contou com financiamento, ainda que parcial, do FNSP antes de avançar nas medidas gerais de fiscalização. O pedido está vinculado a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635/RJ, a "ADPF das Favelas", que atribuiu ao MPF a tarefa de acompanhar a destinação de verbas federais para segurança pública no estado, especialmente as destinadas a políticas de redução da letalidade policial.
Conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) com apoio das polícias Civil e Militar, a operação "Contenção" mobilizou cerca de 2.500 agentes para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes de uma facção criminosa. Segundo informações públicas citadas no despacho, a ação resultou oficialmente em 64 mortes, número que pode chegar a 132 segundo levantamentos de órgãos públicos, além de relatos de uso excessivo da força, mutilações e execuções sumárias.
O MPF requisitou à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP) informações detalhadas sobre os repasses do FNSP ao estado, incluindo valores, instrumentos jurídicos e planos de aplicação. A Senasp também deve informar se há registros de destinação de recursos federais para aquisição de equipamentos, veículos e câmeras corporais usadas pelas polícias fluminenses e se as normas sobre o uso e preservação das gravações foram observadas.
Ao Comitê Gestor do FNSP, o MPF pediu dados sobre o acompanhamento e a fiscalização da aplicação das verbas, mecanismos de controle interno e eventuais registros de irregularidades. O comitê deve esclarecer se a execução dos recursos observou as finalidades legais, "especialmente aquelas voltadas à redução da letalidade policial e ao uso proporcional da força".
À Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Sesp/RJ), o MPF solicitou que informe se a operação "Contenção" foi financiada total ou parcialmente com verbas do FNSP. A secretaria deve encaminhar relatórios de planejamento e execução, identificar os órgãos envolvidos, detalhar o uso de equipamentos adquiridos com recursos federais e apresentar as medidas adotadas para garantir a transparência e o armazenamento das imagens de câmeras corporais.
O despacho aponta que "parte das imagens capturadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais teria sido perdida, em razão de suposto descarregamento das baterias durante a operação". Para o MPF, "a ausência desses registros reforça a necessidade de apuração, pois compromete a transparência e o controle da atuação policial".
O procurador Benones ressaltou que, caso confirmadas as informações sobre violações, o episódio "poderá configurar grave violação de direitos humanos, inclusive com risco de responsabilização internacional do Estado brasileiro". Ele lembrou que a decisão do STF na ADPF 635/RJ determinou a implementação de medidas estruturais, como a instalação de câmeras em fardas e viaturas e o controle rigoroso da aplicação de recursos federais.
O FNSP, regulado pelas leis nº 13.675/2018 e nº 13.756/2018, tem como objetivo financiar projetos de prevenção da violência, inteligência policial e redução da criminalidade e da letalidade. A utilização desses recursos segue regras específicas, que proíbem despesas com pessoal ou atividades administrativas e exigem planos de aplicação alinhados à Política Nacional de Segurança Pública.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jaques Wagner
"Eu acho que nós temos muito a trocar. Essa é uma civilização milenar, que tem muito a ensinar com o salto que eles deram aqui em 40 anos. Você pega uma cidade como essa, que há 50 anos era uma aldeia de pescadores com 20 mil habitantes. Hoje tem 17 milhões de habitantes. Você anda por aqui e não vê um papel no chão, não vê uma sujeira, um teatro espetacular, um prédio todo novo. Parabéns pra eles por terem conseguido. E muita gente do Brasil, que tem preconceito, devia dar um pulo aqui. Porque eu vejo as pessoas falando: 'ah, mas eles são comunistas'. Eu não sei o que quer dizer isso. Mas se comunismo é isso aqui, é um sucesso".
Disse o senador Jaques Wagner ironizou, nesta terça-feira (5), ao comentar as críticas que são feitas à China e o preconceito pelo país se declarar comunista. O senador está em Shenzhen, no Sul chinês, e acompanhou a última apresentação da turnê do Neojiba - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, projeto que ajudou a fundar.