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operacao blue hope
A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), deflagrou nesta quarta-feira (27) a segunda fase da Operação Blue Hope, para transportar e proteger a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii).
Essa é uma espécie criticamente ameaçada de extinção, que testou negativo para o "circovírus aviário" (PBFD). Com transferência, a ideia é abrigar as aves em locais com condições sanitárias seguras, assegurando a preservação da espécie.
A operação cumpre uma decisão judicial da Subseção Judiciária da Justiça Federal de Juazeiro, no Sertão do São Francisco. A medida foi tomada no âmbito de um inquérito policial que investiga a disseminação de um agente patogênico altamente contagioso e resistente na região de Curaçá, no norte do estado, com potencial para provocar danos severos à fauna silvestre e ao equilíbrio ecológico do bioma Caatinga.
RISCO EPIDEMIOLÓGICO
Segundo as investigações da Polícia Federal, foi identificado um cenário epidemiológico considerado grave nos imóveis sob fiscalização em Curaçá. Foi constatada a presença ativa do circovírus aviário, um patógeno resistente e de alta transmissibilidade para o qual não há tratamento eficaz conhecido.
Além disso, os agentes encontraram indícios de falhas nos protocolos básicos de biossegurança do criatório. Confira os animais abaixo:
Entre as irregularidades apontadas estão a ausência de isolamento adequado entre espécimes infectados e sadios, o manejo incompatível com as exigências técnicas para a espécie e o risco iminente de disseminação do vírus no meio ambiente.
Diante dos riscos à sobrevivência das aves, a Justiça Federal autorizou a entrada das equipes policiais e técnicas nos imóveis e a imediata remoção de todas as ararinhas-azuis saudáveis para uma unidade de conservação indicada pelo ICMBio que disponha de estrutura técnica e sanitária apropriada.
NOVA LOGÍSTICA
Nesta fase da operação, 12 policiais federais prestam apoio à ação de campo, atuando de forma integrada com técnicos e servidores do ICMBio, que são os responsáveis pelo manejo especializado dos animais. O transporte das aves está sendo realizado sob rigorosos protocolos de segurança biológica e bem-estar animal.
Foto: Reprodução / Polícia Federal
A iniciativa é um desdobramento direto da primeira fase da Operação Blue Hope, ocasião em que foram apreendidos mais de cem exemplares da espécie durante uma investigação mais ampla sobre possíveis crimes ambientais e sanitários na região.
Os fatos apurados no inquérito podem configurar, em tese, os crimes de:
- Disseminação de doença com potencial de causar dano à fauna;
- Prática de maus-tratos contra animais silvestres;
- Obstrução de fiscalização ambiental.
De acordo com a Polícia Federal, as ações integradas buscam não apenas a identificação e a responsabilização criminal dos envolvidos na manutenção inadequada das aves, mas principalmente o cumprimento do dever constitucional de proteção à biodiversidade brasileira e prevenção de danos ecológicos irreversíveis na Caatinga.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.