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Donald Trump acertou em invadir a Venezuela para prender Nicolás Maduro, o presidente Lula errou em condenar a ação do governo dos Estados Unidos, mas há um temor de que algo parecido seja feito também no Brasil. Essas foram algumas das opiniões que predominaram na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (15).
O instituto entrevistou pessoas em todo o país para avaliar a visão dos brasileiros a respeito dos acontecimentos recentes na Venezuela, assim como a posição do governo brasileiro a respeito da captura do presidente Nicolás Maduro. A pesquisa revelou, por exemplo, que 46% dos entrevistados aprovaram a ação militar dos Estados Unidos naquele país, contra 39% que desaprovaram.
Entre as razões que teriam levado o presidente norte-americano a invadir a Venezuela, o combate ao narcotráfico foi a principal resposta na pesquisa Genial/Quaest, com 31% de menções. Na sequência aparecem entre as motivações restaurar a democracia (23%), controlar o petróleo venezuelano (21%), reduzir a influência da China (4%), e uma combinação de todas as intenções (6%).
O Levantamento revelou também que 50% dos brasileiros consideraram aceitável interferir em outro país para prender um ditador, enquanto 41% discordaram dessa possibilidade. A opinião favorável à intervenção foi majoritária principalmente entre os que se declaram ser “direita não bolsonarista”, com 75% de concordância. Já entre os que são contrários à ação em outro país, a opinião foi mais presente entre os que se declaram “lulistas”, com 66%.
Apesar de um maior apoio dos entrevistados à ação ordenada por Donald Trump para capturar Maduro, 58% dos brasileiros disseram temer que os Estados Unidos façam algo similar no Brasil. Outros 40% afirmaram que não temem uma iniciativa do tipo em nosso país.
Perguntados sobre o que o Brasil deveria fazer a respeito das ações de Trump na Venezuela, a grande maioria, 66%, optou por dizer que nosso país deve se manter neutro em relação ao problema. Apoiar as ações de Trump foi a opção de 18% dos entrevistados, e apenas 10% disseram que o Brasil deveria se opor ao presidente dos Estados Unidos.
Em outro recorte da pesquisa, 51% afirmaram que a postura do presidente Lula de condenar as ações ordenadas por Donald Trump teria sido errada. Outros 37% disseram que Lula acertou em condenar a invasão da Venezuela pelas forças especiais do governo dos EUA.
Apesar de a pesquisa ter revelado uma maioria com posição crítica à postura do governo Lula em relação à invasão na Venezuela, 71% disseram acreditar que a postura do presidente não afeta a sua decisão de voto nas eleições de outubro.
Para 17%, as críticas do presidente brasileiro à operação na Venezuela levam à preferência por votar na oposição. Somente 7% dizem que a postura do líder petista reforça o voto nele neste ano.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Um dos últimos atos de Ricardo Lewandowski como ministro da Justiça foi o envio, à Polícia Federal, de um pedido para apurar postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que associa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a organizações terroristas e fraudes eleitorais. Lewandowski deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública na última sexta-feira (9).
O pedido de Lewandowski, feito na semana passada, foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O então ministro atendeu representação apresentada no Ministério da Justiça pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG).
A deputada afirma em seu ofício que a postagem do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, faz acusações graves a Lula sem qualquer lastro probatório. Lewandowski, ao encaminhar o ofício ao diretor da PF, reitera pedido da deputada de que haja a preservação de provas digitais e apuração sobre a postagem.
“Não se trata de censura ou de restrição à crítica política, mas de responsabilidade no uso das redes sociais, especialmente quando imputações genéricas e gravíssimas são feitas ao Chefe de Estado, com alto potencial de desinformação e dano institucional”, afirma a deputada Dandara Tonantzin.
“A democracia exige liberdade de expressão. Mas exige também compromisso com a verdade, respeito às instituições e responsabilidade no debate público”, completou a parlamentar do PT.
Em seu ofício, Dandara sustenta que a postagem de Flávio Bolsonaro pode configurar, em tese, os crimes de calúnia, difamação e injúria, previstos nos artigos 138 a 140 do Código Penal. A deputada diz ainda que pode haver possível incidência das causas de aumento de pena do artigo 141, uma vez que as imputações foram dirigidas ao presidente da República e divulgadas em meio de ampla circulação.
No post que pode vir a ser investigado, Flávio Bolsonaro diz, após a captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, que Lula seria delatado. “É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, escreveu o senador.
O Ministério da Justiça, no despacho encaminhado à Polícia Federal, solicita a apreciação do caso e orienta que, se necessário, os autos retornem ao gabinete do ministro. O documento também prevê comunicação à Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos (SAL) sobre o andamento do procedimento, para ciência da parlamentar autora do pedido.
O governo dos Estados Unidos deixou de acusar Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles e recuou também sobre a existência do grupo. As mudanças foram feitas em nova versão da acusação judicial do Departamento de Justiça norte-americano contra o ditador.
Ao longo de 2025, os Estados Unidos alegaram a existência do Cartel de Los Soles, que seria liderado por Maduro. As acusações de envolvimento dele com o tráfico justificou a invasão americana no território venezuelano. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão presos em Nova Iorque e sendo julgados pelo crime de narcoterrorismo.
Na primeira versão do documento, o grupo criminoso era tratado como organização terrorista estrangeira e foi citado inúmeras vezes. Agora, o cartel foi mencionado apenas duas vezes no novo documento.
Maduro, que antes era acusado de ser chefe de uma organização terrorista, passou a ser culpado de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas". Maduro e sua esposa seguem presos nos Estados Unidos e devem participar de novas audiências.
O Tren de Aragua, maior grupo criminoso venezuelano possui membros em 6 estados do Brasil, tendo a maior concentração em Roraima. O estado faz fronteira com a Venezuela, sendo a entrada de refugiados nos últimos anos.
De acordo com o Metropoles, a Polícia Civil de Roraima informou que há membros “diplomáticos” da facção Aragua em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nos estados de São Paulo e no Rio, os traficantes venezuelanos fizeram aliança às ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
O grupo foi citado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que associou um suposto envolvimento do líder venezuelano, Nicolás Maduro, com a facção. Esse foi um dos argumentos indicados pelos EUA como uma das motivações para prender Maduro e sua esposa, Cilia Flores no último sábado (03).
A acusação norte-americana apontou que Maduro, por mais de vinte anos, teria liderado uma estrutura criminosa instalada no alto escalão do Estado venezuelano. Os EUA indicaram ainda que as instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e canais diplomáticos facilitavam o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
“Maduro enviou gangues, assassinas e selvagens, incluindo a Sangrenta Gangue de Trem de Aragua, para aterrissar comunidades americanas em todo o país. Eles fizeram isso, ele fez isso. Tomavam complexos de apartamento, cortavam dedos de pessoas que ligavam para a polícia, foram brutais. Eles não serão mais brutais agora”, disse Trump na época.
Drones não identificados sobrevoaram o Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, no centro de Caracas, na noite desta segunda-feira (5). Segundo fonte ouvida pela AFP, forças de segurança efetuaram disparos para tentar conter os artefatos.
Os tiros começaram por volta das 20h no horário local (21h em Brasília). De acordo com a mesma fonte, os drones realizavam um voo não autorizado sobre a área. Ainda segundo o relato, a situação estava sob controle. Até o momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades venezuelanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria entrado em contato com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante o final de semana. Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (5), o presidente brasileiro abriu diálogo informal com Rodriguez entre sábado (3) e domingo (4).
O contato ocorreu após o Itamaraty, ou Ministério das Relações Exteriores, reconhecer formalmente a liderança da vice-presidente de Nicolás Maduro, após a captura do então líder venezuelano durante uma ação militar norte-americana.
Há a possibilidade de que os dois voltem a se falar ainda nesta segunda (5), ainda conforme a reportagem. Ainda no sábado, Lula manifestou, nos bastidores, preocupação com as consequências da operação militar ordenada por Donald Trump à estabilidade na América do Sul.
Durante uma reunião virtual realizada com auxiliares no sábado, Lula pediu que ministros acompanhem com atenção os desdobramentos da intervenção americana na Venezuela, especialmente possíveis impactos na fronteira com o Brasil.
Lula também determinou posicionamento crítico à operação americana, apontada por integrantes do governo como um precedente perigoso para o continente.
Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, responsáveis por campanhas eleitorais do presidente Lula em 2006 e da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010, relataram ter recebido mais de US$ 10 milhões em pagamentos irregulares do governo venezuelano durante a campanha presidencial de 2012 no país.
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— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) January 5, 2026
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Segundo depoimento prestado por Mônica Moura à Operação Lava Jato, em 2017, os valores teriam sido pagos em dinheiro vivo pelo então chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, à época integrante do governo de Hugo Chávez. De acordo com o relato, os repasses eram feitos de forma semanal e parcelada, em locais como a chancelaria venezuelana.
Ainda conforme o depoimento, o contato inicial para a atuação na campanha teria sido intermediado por Lula, enquanto as viagens do casal a Caracas teriam sido organizadas pelo ex-ministro José Dirceu. Mônica Moura afirmou que, diante de atrasos nos pagamentos, ameaçava reclamar diretamente com o então ex-presidente brasileiro.
Além dos recursos provenientes da Venezuela, o casal declarou ter recebido cerca de US$ 9 milhões em caixa dois de empreiteiras brasileiras, entre elas Andrade Gutierrez e Odebrecht, totalizando aproximadamente US$ 19 milhões.
A primeira semana do ano de 2026 começa em Brasília sob o impacto da operação militar do governo dos Estados Unidos que capturou e prendeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O governo brasileiro, que emitiu nota no fim de semana considerando a ação norte-americana uma “afronta gravíssima à soberania de outro país”, deve seguir nos próximos dias na mesma linha, de alertar para a violação de tratados internacionais, mas sem maior veemência em criticar diretamente o presidente Donald Trump.
Nesta segunda-feira (5), o Brasil deve participar da reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), e provavelmente deve apresentar a mesma linha de argumentação, de que a ação militar na Venezuela “ultrapassou uma linha inaceitável”.
Em meio à crise política que ameaça também a Colômbia, outro aliado do governo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende realizar nesta semana um ato no Palácio do Planalto para marcar os três anos dos acontecimentos no dia 8 de janeiro de 2023, com o vandalismo nas sedes dos três poderes. Além desse evento, o restante da agenda de Lula para essa semana ainda não foi divulgado.
Para o ato, na próxima quinta (8), Lula convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, além de parlamentares, ministros, autoridades públicas e membros dos tribunais superiores. As presenças de Motta e Alcolumbre ainda não foram confirmadas.
No mesmo dia 8 de janeiro, o STF realiza o evento “Democracia Inabalada: 8 de janeiro - Um dia para não esquecer”. A programação inclui a abertura de uma exposição, a exibição de um documentário, uma roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debate.
O STF segue de recesso, embora alguns ministros estejam trabalhando normalmente, como Alexandre de Moraes e André Mendonça. O Congresso também segue em recesso parlamentar até o início de fevereiro.
No calendário da divulgação de indicadores econômicos, o IBGE divulgará na próxima quinta (8) a Pesquisa Industrial Mensal. O estudo apresentará os resultados do setor industrial brasileiro no mês de novembro de 2025.
O destaque da semana, entretanto, será a divulgação, na sexta (9), do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O indicador representa a inflação oficial brasileira, e os números apresentados se referem à alta de preços no mês de dezembro.
Uma situação inusitada marcou o pré-jogo entre Mallorca e Girona, disputado no último domingo (4), pelo Campeonato Espanhol. Durante a chegada da delegação do Mallorca ao Estádio Son Moix, imagens mostraram jogadores e integrantes da comissão técnica vestindo um conjunto esportivo idêntico ao utilizado por Nicolás Maduro em registros divulgados horas antes após sua captura.
O traje, da linha Nike Tech Fleece, ganhou repercussão internacional depois que imagens oficiais mostraram o líder venezuelano algemado a bordo do porta-aviões norte-americano USS Henry Ford vestindo o mesmo modelo, na cor cinza. O conjunto, composto por agasalho e calça de moletom, tem valor aproximado em 219,98 dólares (aproximadamente R$ 1,1 mil no mercado brasileiro).

Foto: Divulgação / Governo dos Estados Unidos

Foto: Divulgação / Nike

Foto: Divulgação / Nike
A coincidência visual rapidamente se espalhou nas redes sociais. Após a publicação das imagens da chegada do Mallorca, torcedores passaram a associar a vestimenta ao episódio envolvendo Maduro, utilizando bandeiras da Venezuela e comentários irônicos nas postagens do clube espanhol.
O impacto não se limitou às redes. Dados do Google Trends indicam que o termo "Nike Tech" registrou um crescimento significativo no volume de buscas no sábado (3) e no domingo (4), impulsionado pela ampla circulação das imagens relacionadas à captura do líder venezuelano.

Dentro de campo, o Mallorca não conseguiu transformar a atenção fora das quatro linhas em resultado esportivo. A equipe foi derrotada pelo Girona por 2 a 1. O adversário integra o City Football Group, conglomerado que administra clubes em diferentes países.
CAPTURA DE NICOLÁS MADURO
No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a captura de Nicolás Maduro. Segundo o chefe da Casa Branca, a ação durou cerca de 47 segundos e enfrentou resistência armada.
Trump declarou que o planejamento levou em consideração riscos de divulgação prévia, que, segundo ele, poderiam partir do Congresso americano. Apesar do curto tempo de execução, o presidente classificou a operação como complexa, ressaltando o uso do chamado "elemento surpresa" até o momento da detenção.
A ofensiva militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, realizada no último sábado (3) e que resultou na prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, não deve provocar impactos na realização da Copa do Mundo de 2026. O torneio tem início previsto para pouco mais de cinco meses e será organizado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá.
Com a repercussão internacional da operação, analistas e usuários de redes sociais passaram a comparar o episódio com o que ocorreu em 2022, quando a Rússia foi punida após a invasão da Ucrânia. Naquele contexto, a federação russa foi retirada das Eliminatórias Europeias e acabou fora da Copa do Mundo do Catar, disputada no mesmo ano, além de ficar impedida de participar do Mundial seguinte.
Apesar das comparações, os dois cenários apresentam diferenças significativas. Em 2022, as seleções europeias ainda disputavam vagas para o Mundial. A Rússia se preparava para enfrentar a Polônia na repescagem, e o vencedor do confronto teria pela frente quem avançasse do duelo entre Suécia e Tchéquia.
Em resposta à invasão da Ucrânia, a Polônia comunicou à Fifa que não entraria em campo contra os russos. Suecos e tchecos também anunciaram que se recusariam a enfrentar a Rússia em uma eventual decisão. Diante do impasse, Fifa e Uefa optaram por afastar o país das competições, evitando a possibilidade de classificação automática por W.O.
Em 28 de fevereiro de 2022, as entidades anunciaram conjuntamente que “todas as equipes russas, sejam elas seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso”. Ou seja, a medida atingiu o processo classificatório, e não diretamente a Copa do Mundo.
PORQUE A COPA DE 2026 NÃO MUDARÁ DE SEDE
No caso atual, o cenário é distinto. A Copa do Mundo de 2026 depende diretamente dos Estados Unidos, que receberão 78 dos 104 jogos do torneio, incluindo todas as partidas a partir das quartas de final. Além disso, contratos bilionários com patrocinadores e parceiros comerciais já estão firmados, o que torna inviável qualquer mudança de sede a poucos meses do início da competição. Como previsto nos regulamentos da Fifa, os países-sede também têm vaga assegurada no Mundial.
Ainda assim, a operação militar coloca a Fifa em uma posição sensível. No mês passado, o presidente da entidade, Gianni Infantino, concedeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro Prêmio da Paz da Fifa.
“O senhor sempre poderá contar, Sr. Presidente (Trump), com o meu apoio, com o apoio de toda a comunidade do futebol, para ajudá-lo a fazer a paz e a prosperar no mundo inteiro”, afirmou Infantino na ocasião.
O presidente sequestrado da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou na noite deste sábado (3) no Aeroporto Internacional Stewart, localizado a cerca de 100 quilômetros de Nova York. A informação foi divulgada por emissoras de televisão norte-americanas, que exibiram imagens do momento da chegada, informou a Folha de São Paulo.
Nas gravações transmitidas, Maduro aparece caminhando lentamente, cercado por dezenas de policiais, além de militares fortemente armados e outros agentes de segurança. As imagens levaram comentaristas a sugerirem que ele poderia estar com os pés algemados, hipótese que não foi confirmada oficialmente.
Ainda segundo informações veiculadas por canais de televisão dos Estados Unidos, Maduro teria sido capturado em Caracas durante uma ação militar de grande escala conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela.
De acordo com essa versão, ele foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por crimes como narcoterrorismo e tráfico de drogas e deverá responder a processo judicial em Nova York.
Até o momento, não houve confirmação oficial por parte do governo venezuelano ou das autoridades norte-americanas sobre as circunstâncias da chegada de Maduro aos Estados Unidos ou sobre os procedimentos judiciais mencionados.
O governo da Venezuela enviou um comunicado oficial a comunidade internacional, neste sábado (03), e denunciou a ação do governo de Donald Trump como uma “gravíssima agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos” contra o território e a população venezuelanos.
Em nota, as autoridades do país afirmam que esta seria uma tentativa norte-americana de impor uma guerra colonial com objetivo de se apoderar do petróleo e minerais venezuelanos. As informações são da Agência Brasil.
“Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas”, diz o comunicado.
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O país alega que foram atingidas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. No comunicado, a diplomacia venezuelana garante que apresentará as denúncias ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e ao Movimento dos Países não Alinhados (MNOAL), exigindo a condenação e a prestação de contas do governo dos Estados Unidos.
A Venezuela informou ainda que, em conformidade com o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, se reserva o direito de exercer a legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência. O texto cita ainda uma convocação para a população. “O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista.”
Sobre o ataque a soberania e controle do petróleo, o governo diz que “não conseguirão”. “Após mais de duzentos anos de independência, o povo e o seu governo legítimo mantêm-se firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir o seu destino”, acrescentou.
“A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma ‘mudança de regime’, em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores”, diz o governo.
O documento termina com uma citação do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez: “Diante de qualquer circunstância de novas dificuldades, sejam elas quais forem, a resposta de todos e todas as patriotas... é unidade, luta, batalha e vitória”.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão "administrar" a Venezuela interinamente após a derrubada do regime de Nicolás Maduro. Em pronunciamento oficial na tarde deste sábado (3), Trump detalhou a operação militar que resultou na captura de Maduro, então presidente da Venezuela.
Sem citar Mária Corina Machado ou Edmundo González Urrutia, ambas figuras de oposição a Maduro na Venezuela, Trump alegou que "não queremos que outra pessoa assuma o poder e que a situação se repita há muitos anos”. “Portanto, vamos governar o país.", afirmou durante uma coletiva de imprensa em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida.
"Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela", completou o presidente republicano. Trump não especificou quanto tempo prevê que essa transição de poder levará.
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Trump continua o pronunciamento afirmando ainda que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela. "Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", disse.
E finaliza: "Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (...). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou, na tarde deste sábado (3), a primeira imagem oficial da captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O então líder político da Venezuela estaria sendo conduzido pelas forças armadas norte-americanas para Nova York, onde deve ser levado a julgamento.
A foto foi publicada por Trump em sua rede social, Truth Social, com a seguinte legenda: “Nicolas Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima”. A imagem mostra Maduro vendado com óculos, de moletom e supostamente algemado.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados em tribunais de justiça dos Estados Unidos. É o que dizem as informações divulgadas pela procuradora-geral estadunidense, Pamela Bondi, neste sábado (3). O casal foi capturado por militares norte-americanos durante uma operação comandada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Em seu pronunciamento, Bondi afirma que ambos foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.
“Eles em breve enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, escreveu Bondi no X. “Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter a coragem de exigir responsabilização em nome do povo americano, e um enorme agradecimento às nossas bravas Forças Armadas que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais”, finalizou Bondi.
Segundo informações da Agência Brasil, o mesmo posicionamento foi reiterado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, neste sábado (3). Sem mencionar provas da acusação, Rubio diz que “Maduro não é o presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo”.
“Maduro não é o presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo. Maduro é o chefe do Cartel de los Soles, uma organização narcoterrorista que tomou posse do país. E ele é indiretamente acusado de traficar drogas para os Estados Unidos”, disse Rubio, em seu perfil no antigo Twitter. As acusações contra Cilia Flores não foram detalhadas.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de "vil e covarde". Padrino pediu ajuda internacional. Bombardeios dos Estados Unidos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses.
A líder da oposição ao regime de Nicolás Maduro, María Corina Machado, defendeu que seu aliado, Edmundo González Urrutia seja proclamado "legítimo Presidente da Venezuela”. Em pronunciamento realizado por meio de uma rede social, neste sábado (03), Corina diz que Edmund, adversário de Maduro nas eleições de 2024, deve assumir o poder “imediatamente”.
"Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem", escreveu no X, antigo Twitter.
A vencedora do Nobel da Paz ainda celebrou a captura do presidente Nicolás Maduro, durante a ação militar dos Estados Unidos. Segundo ela, "Maduro passa a enfrentar, a partir de hoje, a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações". Ela escreveu ainda que o governo dos EUA cumpriu sua promessa de fazer valer a lei, após a recusa de Maduro em aceitar uma saída negociada.
“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós", afirmou a líder oposicionista. "Aos venezuelanos que estão dentro do nosso país, estejam preparados para implementar o que em breve comunicaremos a vocês por meio de nossos canais oficiais”, completa.
“La Libertad Avanza. Viva la libertad carajo”. Com essa frase curta, postada na rede X, o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a captura do venezuelano Nicolás Maduro pelas forças especiais do governo dos Estados Unidos, neste sábado (3).
Milei foi um dos poucos líderes das américas a apoiar a investida militar do governo Donald Trump para prender Maduro e retirá-lo do seu país. Assim como Milei, o presidente do Equador, Daniel Noboa, sinalizou ser a favor dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela.
Em uma postagem no seu perfil nas rede social X, Noboa disse ver a estrutura criminosa do que chamou de “narco chavistas” desmoronar em todo o continente.
“A todos os criminosos narco chavistas, sua hora hora chegou. Sua estrutura vai terminar de cair em todo o continente”, escreveu o presidente do Equador.
Do lado contrário, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por exemplo, criticou a ofensiva norte-americana e disse que o seu governo convocou o Conselho de Segurança Nacional para dar assistência aos colombianos na Venezuela.
“O governo da Colômbia repudia a agressão à soberania da Venezuela e da América Latina. Os conflitos internos entre os povos devem ser resolvidos pelos próprios povos em paz. Esse é o princípio da autodeterminação dos povos, que é a base do sistema das Nações Unidas”, declarou Petro na rede X.
“Convido o povo venezuelano a encontrar os caminhos do diálogo civil e da sua unidade. Sem soberania não há nação. A paz é o caminho, e o diálogo entre os povos é fundamental para a união nacional. Diálogo e mais diálogo é a nossa proposta”, acrescentou o líder colombiano.
Uma condenação mais veemente à ação dos Estados Unidos foi postada na rede X pelo líder cubano, Miguel Díaz-Canel, que repudiou a ofensiva das forças especiais norte-americanas.
“Cuba denuncia e exige urgente reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o corajoso povo venezuelano e contra a nossa América. Pátria ou morte! Venceremos!”, declarou Miguel Díaz-Canel.
A declaração do líder cubano encontra paralelo no comunicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que a ação militar dos Estados Unidos ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse Lula.
Para Lula, a ação da madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de “violência, caos e instabilidade”.
Com mais comedimento, o presidente do Chile, Gabriel Boric, disse estar preocupado com a situação e pediu uma solução pacífica para a manutenção do poder na Venezuela. “Apelamos por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país”, declarou.
Boric disse ainda que a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, não por meio da violência ou da interferência estrangeira.
Na mesma linha, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, relembrou um trecho da Carta das Nações Unidas: “Os integrantes da Organização deverão abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou na manhã deste sábado sobre o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e condenou a ação militar do país norte-americano.
Em comunicado, o presidente brasileiro afirmou que a ação militar ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países.
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional."
Para Lula, a ação da madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de "violência, caos e instabilidade".
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões", acrescentou.
O presidente, que interrompeu a folga de final de ano para se reunir com ministros e assessores do governo, ainda defendeu que "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".
"A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."
Uma foto que começou a circular nas redes sociais nesta manhã de sábado (3) supostamente mostraria o momento da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelas forças especiais dos Estados Unidos. A captura de Maduro ocorreu em meio a ataques e bombardeiros na Venezuela.
Pela foto se vê Maduro sendo preso por militares, entre eles um da Drug Enforcement Administration (Administração de Repressão às Drogas), conhecida como DEA. O órgão é a principal agência norte-americana no combate ao crime relacionado a drogas, e possui atuação internacional.
A imagem da prisão ainda não foi divulgada por nenhum órgão do governo do presidente Donald Trump, mas vem sendo utilizada em reportagens de sites venezuelanos. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) replicaram a imagem em suas contas na rede X, ao mesmo tempo em que comemoraram a captura do presidente da Venezuela.
Nas redes sociais, usuários afirmam que a foto se trata de inteligência artificial. Já a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou que desconhece o paradeiro de Nicolás Maduro.
A vice-presidente, em pronunciamento nesta manhã de sábado, exigiu que o governo dos Estados Unidos apresentasse uma prova de vida de Nicolás Maduro.
Delcy Rodriguez disse que “em face dessa situação brutal, desconhecemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cília Flores. Exigimos do governo do presidente Donald Trump prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”.
Tropa de Elite dos EUA foi responsável por captura de Maduro na Venezuela, diz veículo internacional
A Delta Force, unidade de elite do exército dos Estados Unidos especializada em contraterrorismo e resgate de reféns, que é considerada a "tropa de elite" dos EUA, teria sido a responsável pela captura de Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
A emissora norte-americana CBS News, creditou a captura do presidente da Venezuela a unidade de elite dos EUA, e citou como fonte um oficial do exército dos EUA.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em pronunciamento na TV estatal que o governo não possui informações sobre o paradeiro de Maduro e sua esposa, exigindo uma prova de vida imediata.
Por meio das redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a retirada de Maduro e Cilia do país, no entanto, não revelou o destino do casal. Uma coletiva de imprensa está marcada para as 13h, para detalhar a operação.
SOBRE A INVASÃO A VENEZUELA
Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma operação militar em larga escala na Venezuela.
O presidente Donald Trump anunciou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, afirmando que ambos foram retirados do país por via aérea.
Explosões foram registradas na capital venezuelana por volta das 2h da manhã, no horário local. Instalações militares importantes, como o complexo de Fuerte Tiuna e a base aérea de La Carlota, foram atingidas.
Antes de ser capturado por Trump, Maduro chegou a declarar estado de emergência e convocar as forças armadas para a resistência.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, anunciou que o país dispõe de um arsenal com mais de 5 mil mísseis antiaéreos russos do modelo Igla-S. A declaração ocorreu nessa quarta-feira (22) durante transmissão na televisão estatal venezuelana, em um momento de crescente tensão entre Venezuela e Estados Unidos.
"Qualquer força militar do mundo conhece o poder da Igla-S, e a Venezuela tem nada menos que 5 mil Igla-S em posições-chave de defesa antiaérea para garantir a paz, a estabilidade e a tranquilidade do nosso povo. Mais de 5 mil (…) quem entende, entende", afirmou o presidente venezuelano durante o pronunciamento.
O líder venezuelano descreveu os equipamentos como "uma das armas mais poderosas que existem". Segundo Maduro, os mísseis estão estrategicamente posicionados em pontos de defesa antiaérea por todo o território nacional.
O anúncio acontece no mesmo dia em que o jornal The Washington Post revelou que o presidente Donald Trump autorizou a CIA a realizar "ações agressivas contra o governo venezuelano". De acordo com a publicação, "o documento [que dá aval para as ações] não ordena explicitamente que a CIA derrube Maduro, mas autoriza medidas que podem levar a esse resultado, disseram pessoas familiarizadas com o assunto".
Na terça-feira anterior (14), Trump havia anunciado um novo bombardeio contra uma embarcação venezuelana. Este foi o quinto ataque desse tipo desde agosto de 2025. Os Estados Unidos têm realizado operações militares no Caribe, abatendo embarcações que, segundo a versão norte-americana, transportariam drogas com destino ao país.
Os ataques americanos contra embarcações na região já resultaram em 27 mortes desde agosto, conforme mencionado pelo presidente venezuelano. O governo da Venezuela interpreta essas ações como agressões diretas ao país.
O governo dos Estados Unidos aumentou a recompensa que leve à prisão do presidente venezuelano Nicolas Maduro. O valor saiu da casa dos U$ 25 milhões e dobrou, chegando a U$ 50 milhões, cerca de R$ 271 milhões. O anúncio foi feito pela procuradora-geral Pam Bondi, na última quinta-feira (7).
O presidente sul-americano é acusado de ser "um dos maiores narcotraficantes do mundo". De acordo com Bondi, Maduro teria coordenado ações com grupos como o de Arágua, denominado como organização terrorista na gestão de Donald Trump, e com o cartel de Sinaloa, no México.
A procuradora também declarou que a agência antidrogas americana, a DEA, conseguiu apreender 30 toneladas de cocaína ligadas a Maduro e afirmou que ele: “usa a cocaína como arma para inundar os EUA”.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se pronunciou e disse não estar ciente de nenhuma prova que ligue o cartel mexicano com o presidente da Venezuela, e que, caso existam essas provas, que seja apresentado a ela.
O Chanceler da Venezuela, Yvan Gil, classificou o anúncio como "propaganda política" e "patética".
A Guiana comunicou, nesta quinta-feira (6), que pediu proteção à Corte Internacional de Justiça (CIJ) contra as eleições estaduais convocadas pela Venezuela no território de Essequibo. Está área é disputada pelos dois países há mais de um século, devido à quantidade de petróleo que tem.
O Ministério das Relações Exteriores da Guiana solicitou à CIJ que "ordene à Venezuela que se abstenha de qualquer ato dentro de seu território soberano". O CIJ é o mais alto órgão judicial das Nações Unidas.
"A Guiana considera o plano da Venezuela de realizar eleições no 'território disputado' uma violação flagrante dessa ordem", disse a declaração.
As eleições para governador estão planejadas para ocorrer em 25 de maio. Uma dessas regiões inclui o Essequibo, região de 160 mil km administrada por Georgetown e reivindicada por Caracas, que decretou o território, em 2024, como um estado.
Em entrevista à CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, disse que o envio da embaixadora brasileira na Venezuela à posse do presidente Nicolás Maduro em seu terceiro mandato, nesta sexta-feira (10), foi apenas um "ato de formalidade". A embaixadora Glivânia Maria de Oliveira compareceu, em Caracas, à cerimônia de posse de Maduro na Assembleia Nacional, representando o governo Lula.
Para o senador Jaques Wagner, o governo brasileiro já se posicionou sobre o resultado eleitoral na Venezuela, não reconhecendo a vitória de Maduro enquanto não forem apresentadas as atas de votação. Para Wagner, essa atitude do Brasil "já azedou a relação" com o governo venezuelano.
"Todo mundo sabe que a relação nossa com eles [Venezuela], nesse momento, não é boa. Agora, por enquanto, não tem uma proposta de rompimento, então a ida da embaixadora do Brasil lá para assistir a posse evidentemente é um ato de formalidade", afirmou o senador baiano.
Nicolás Maduro prestou juramento à Constituição nesta sexta com uma homenagem ao ex-presidente Hugo Chávez, que morreu em 2013. O atual líder do regime chavista não apresentou provas de que venceu o pleito, mas criticou seus opositores: "Ninguém impõe um presidente à Venezuela", disse Maduro, em seu discurso de posse.
Jaques Wagner reforçou que o governo brasileiro não apoiou formalmente a posse do terceiro mandato de Maduro, mas apenas teria reforçado o que chamou de "processo institucional".
"A embaixadora assistir a posse mantém relação institucional com a Venezuela, o que não quer dizer concordância", concluiu Jaques Wagner ao falar na CNN.
Oficialmente, o governo brasileiro não reconheceu ainda a vitória de Maduro nem tampouco a vitória da oposição. O presidente Lula, por sua vez, a exemplo de outros líderes internacionais, tem cobrado a divulgação das atas.
Embora o Conselho Nacional Eleitoral e a Suprema Corte venezuelana tenham proclamado a vitória de Nicolás Maduro, a oposição, organismos internacionais e outros países alegam que houve fraude no processo eleitoral de 2024. Alguns desses países reconhecem o candidato oposicionista Edmundo González como presidente legítimo e eleito pelo povo.
Segundo a oposição, a divulgação das atas eleitorais demonstraria a vitória de González. A Suprema Corte do país, entretanto, alinhada a Maduro, proibiu a divulgação dessas atas.
Informações exclusivas divulgadas nesta quinta-feira (9) pela BBC News Brasil revelam que o governo brasileiro teria exportado para a Venezuela, em junho e julho de 2024, dois carregamentos com cerca de 20 mil frascos de spray de pimenta. Esse produto é comumente utilizado por forças de segurança para controlar protestos como os que estão sendo realizados nesta semana nas principais cidades venezuelanas, por conta da posse do presidente Nicolás Maduro em seu terceiro mandato, que será realizada nesta sexta (10).
Maduro toma posse em novo mandato quase seis meses após resultado duvidoso verificado após a eleição, em julho, que desde então vem gerando protestos na Venezuela, com mortos e presos. A falta da apresentação das atas eleitorais que comprovem a vitória de Nicolás Maduro é apontada como o principal motivo que gera questionamentos da oposição.
Os dados sobre a exportação do spray de pimenta do Brasil à Venezuela foram obtidos pela BBC News Brasil junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os 20 mil frascos importados pela Venezuela fizeram do país o maior comprador do produto em 2024. Em segundo lugar ficou o Chile, com 4 mil. A compra feita pela Venezuela em 2024 é maior que os 9,1 mil somados de todas as compras feitas por outros países.
Segundo a reportagem da BBC Brasil, a venda do produto para o governo Maduro chama atenção porque a sua exportação teve o aval do Ministério da Defesa e do Exército Brasileiro. Esse aval foi dado em um momento no qual a comunidade internacional e até mesmo o governo brasileiro já tinham dado demonstrações de preocupação com relação ao tratamento dado pelo regime à oposição venezuelana. O governo Lula inclusive não reconheceu oficialmente a vitória de Maduro.
Procurado pela BBc Brasil, o governo brasileiro disse que a exportação do produto ocorreu dentro das normas vigentes. O governo da Venezuela não se manifestou. A empresa ou as empresas responsáveis pela venda não foram identificadas.
A BBC News Brasil também questionou o Exército sobre o assunto, mas o órgão informou que não poderia divulgar o nome da companhia que vendeu o produto à Venezuela. Da mesma forma, não há informações sobre se a compra foi feita por empresas privadas da Venezuela ou pelo governo do país.
De acordo com os dados obtidos pela BBC News Brasil, os frascos saíram de São Paulo até Roraima e de lá foram enviados à Venezuela. O produto foi remetido ao país vizinho em duas cargas nos meses de junho e de julho do ano passado. As eleições presidenciais na Venezuela foram realizadas no dia 28 de julho e o resultado divulgado no dia 29 de julho.
A denúncia sobre a venda do carregamento de spray de pimenta pelo governo brasileiro à Venezuela vem sendo repercutida por parlamentares de oposição e influenciadores de direita nas redes sociais. O deputado Mario Frias (PL-SP), que foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro, acusou o governo Lula de ser "cúmplice" da ditadura e da repressão aos oposicionistas promovidas por Maduro.
Em viagem aos Estados Unidos (EUA), o opositor do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, o ex-candidato à presidência do país, Edmundo González Urrutia, divulgou vídeo direcionado à Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela, na noite deste domingo (5), pedindo que os militares garantam a posse dele próprio no dia 10 de janeiro, tomando medidas contra o governo de Nicolás Maduro.
“Em 10 de janeiro, por vontade soberana do povo venezuelano, eu devo assumir o cargo de comandante chefe com a responsabilidade de proteger nossas famílias e dirigir nossos esforços até um futuro de bem-estar e prosperidade para todos os venezuelanos. Nossa Força Armada Nacional está chamada a ser a garantia da soberania e do respeito à vontade popular”, afirmou González, que sustenta ser o vencedor da eleição presidencial do dia 28 de junho de 2024.
Em resposta, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Sobrino López, divulgou comunicado nesta segunda-feira (6) afirmando que a mensagem de González é “ridícula”.
“Rejeitamos, categórica e veementemente, este ato palhaço e bufão de politicagem desprezível que não terá o menor impacto na robusta consciência patriótica e revolucionária das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, que, em perfeita fusão popular-militar-policial, defenderão com todas as forças a Constituição”, afirmou López, ressaltando que os militares reconhecem a vitória de Maduro na última eleição presidencial.
Antes da posse do presidente Nicolás Maduro para o terceiro mandato 2025-2031, prevista para esta sexta-feira (10), o opositor Edmundo González visitou países que o apoiam. Neste fim de semana, González foi recebido pelos presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Uruguai, Luis Lacalle Pou.
Segundo a Agência Brasil, ele também conversou por videoconferência com o presidente do Paraguai, Santiago Peña.
Nesta segunda-feira (6), Edmundo se reuniu com o presidente dos EUA, Joe Biden, e afirmou estar em contato com o presidente eleito Donald Trump, informou a Reuters.
Enquanto Edmundo tenta mobilizar apoio internacional contra a posse de Maduro, o governo da Venezuela afirmou que ele será preso caso entre no país. Inicialmente exilado na Espanha, o candidato opositor que disputou as eleições contra Maduro promete voltar ao país para o dia 10 de janeiro.
O governo brasileiro disse a Venezuela que não reconhecerá a eleição de Nicolás Maduro sem que as atas de todas as urnas usadas na disputa eleitoral sejam publicadas. A decisão chega após a Suprema Corte de Justiça venezuelana divulgar neste sábado (10), que foi iniciada a análise das atas, e que essa medida será inapelável.
No entanto, o regime chavista já interferiu sistematicamente no tribunal, que deixou de ser uma fonte confiável, segundo o G1. O governo do Brasil disse que não fará juízo de valor acerca da atuação da Corte. Porém, comunicou ao país vizinho que, sem a publicação das atas não será possível abonar uma vitória de Maduro.
A diplomacia do governo Lula afirma ainda que, da mesma forma que não pode avalizar as atas publicadas pela oposição, por não serem as oficiais. O Planalto classificou como "positivo" o anúncio de análise das atas pela Suprema Corte da Venezuela.
"Se estão avaliando, é porque as atas existem", resume a fonte do governo Lula, via a jornalista Daniela Lima da Globo News.
O deputado estadual, Leandro de Jesus (PL), protocolou um Projeto de Lei (PL) para declarar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, como “persona non grata”no estado da Bahia. O PL foi protocolado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) na última quinta-feira (8) e atualmente está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Ao Bahia Notícias, o parlamentar justificou o PL e afirmou que, apesar do caso se tratar sobre a Venezuela, a “Bahia precisa se posicionar sobre questões humanitárias”. Além disso, Leandro de Jesus condenou o regime liderado por Nicolás Maduro e disse que o ditador também não representa o povo venezuelano.
“Nós temos que ter posicionamento também no que se refere às questões humanitárias em âmbito internacional. Aquilo que ocorre hoje na Venezuela, a ditadura, o massacre, a perseguição, por simplesmente serem oposição ao regime, isso tem que ser repudiado. Esse PL visa exatamente ter esse reconhecimento de uma pessoa que não é bem-vinda, para que ele jamais pise os pés aqui na Bahia. Que essa seja uma marca de que ele não representa nem mesmo o seu próprio povo”, afirmou o deputado em ligação com o BN.
A previsão é de que o projeto seja votado na AL-BA ainda neste mês de agosto.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio do Ministério das Relações Exteriores, emitiu uma nota cobrando a divulgação das atas eleitorais após o resultado conturbado do pleito presidencial na Venezuela, que acabou reelegendo o chavista Nicolás Maduro. O documento emitido nesta quinta-feira (1º) foi realizado em conjunto com os governos da Colômbia e do México (confira na íntegra aqui).
Na nota, o governo Lula não chega a refutar nominalmente o resultado das eleições, mas faz um chamado para que as autoridades venezuelanas “divulguem publicamente os dados desagregados por mesa de votação.” Além disso, o documento afirma que “as controvérsias sobre o processo eleitoral devem ser dirimidas pela via institucional.”
“Acompanhamos com muita atenção o processo de escrutínio dos votos e fazemos um chamado às autoridades eleitorais da Venezuela para que avancem de forma expedita e divulguem publicamente os dados desagregados por mesa de votação. Nesse contexto, fazemos um chamado aos atores políticos e sociais a exercerem a máxima cautela e contenção em suas manifestações e eventos públicos, a fim de evitar uma escalada de episódios violentos”, diz a nota.
“Manter a paz social e proteger vidas humanas devem ser as preocupações prioritárias neste momento.Que esta seja uma oportunidade para expressar, novamente, nosso absoluto respeito pela soberania da vontade do povo da Venezuela”, completou o documento.
Por fim, os governos do Brasil, Colômbia e México se colocaram à disposição para “buscar acordos” que possam beneficiar o povo venezuelano.
DIÁLOGO BRASIL, COLÔMBIA E MÉXICO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou remotamente na tarde desta quinta com os presidentes Manoel Lopez Obrador, do México, e Gustavo Petro, da Colômbia. Em conversa, os líderes de Estado debateram justamente a crise eleitoral na Venezuela.
De acordo com a Folha de São Paulo, a conversa começou por volta de 17h20 e durou cerca de 40 minutos.
Após o PT emitir nota reconhecendo a vitória de Nicolás Maduro nas eleições para presidente da Venezuela e, inclusive, elogiar o povo venezuelano pelas eleições pacíficas, embora uma série de manifestações da população e da oposição já tenham sido realizadas desde que Maduro foi declarado vencedor, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, criticou reportagem de O Globo, que acusou o PT de apoiar um golpe.
Em seu perfil na rede social X (antigo Twitter), Gleisi afirma que “quem tem histórico de apoiar e sustentar golpes, aqui mesmo no Brasil, é o jornal O Globo, jamais o PT”. A parlamentar contextualiza citando a parcialidade do jornal durante o período da ditadura militar e cita que “no quesito soberania nacional, o histórico de entreguismo e subserviência do Globo a interesses estrangeiros não credencia o jornal a atacar o PT e nossas resoluções internas”.
Quem tem histórico de apoiar e sustentar golpes, aqui mesmo no Brasil, é o jornal @JornalOGlobo, jamais o PT. Foi assim no golpe do parlamentarismo contra o presidente João Goulart em 1961. Foi assim em 1964 e ao longo de vinte anos de ditadura, incluindo o AI-5. Foi assim no…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) July 30, 2024
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, emitiu, nesta terça-feira (30), um alerta consular para brasileiros que estão na Venezuela. O alerta vem após a proclamação de Nicolás Maduro como presidente reeleito neste domingo (28). Opositores e eleitores então tomaram as ruas da capital Caracas, em apelo para que as contagens completas dos votos sejam divulgadas.
No comunicado, o Itamaraty pede que brasileiros residentes, em trânsito ou com viagem marcada para a Venezuela, mantenham-se informados sobre a segurança nas áreas onde se encontram e que evitem aglomerações.
“A Embaixada do Brasil, em Caracas, permanece atenta à situação das cidadãs e dos cidadãos brasileiros no país e disponibiliza, em caso de emergência envolvendo seus nacionais, o seu plantão consular, +58 414-3723337 (com WhatsApp)”, informou o Itamaraty.
Segundo informações da Agência Brasil, mesmo após o anúncio da reeleição de Maduro, há a expectativa de que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela publique todas as atas com os resultados eleitorais por urna. Permitindo a verificação das atas em poder do conselho e as impressas na hora da votação, distribuídas aos fiscais da oposição ou aos observadores nacionais e internacionais.
Lideranças internacionais que contestaram o resultado das urnas tiveram seus representantes diplomáticos expulsos por Maduro, um dia após a reeleição, a exemplo da Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, pela primeira vez publicamente, nesta terça-feira (30), o resultado das eleições na Venezuela, que deu a vitória a Nicolás Maduro. O resultado está sendo contestado por diversos países.
O petista deu uma entrevista à TV Centro América, afiliada da TV Globo em Mato Grosso. Lula afirmou que é necessária a apresentação das atas de votação e que, caso haja dúvida, a oposição pode entrar com recurso.
“É normal que tenha uma briga. Como resolve essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com um recurso e vai esperar na Justiça o processo. E vai ter uma decisão, que a gente tem que acatar. Eu estou convencido que é um processo normal, tranquilo”, disse. A íntegra da entrevista não foi ao ar, mas a emissora publicou trechos nas redes sociais.
Lula também comentou a nota do Partido dos Trabalhadores que reconheceu Maduro como vencedor do pleito. O titular do Planalto criticou a cobertura da imprensa sobre o tema.
“A nota do Partido dos Trabalhadores elogia o povo venezuelano pelas eleições pacíficas que houveram. Ao mesmo tempo, reconhece que o tribunal eleitoral já reconheceu Maduro como vitorioso. Mas a oposição ainda não. Então, tem um processo. Eu vejo a imprensa brasileira tratando como se fosse a Terceira Guerra Mundial, mas não tem nada de anormal”, destacou.
Até o momento, a manifestação do governo brasileiro veio de uma nota do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O órgão havia se posicionado de forma cautelosa, sem reconhecer algum resultado, já que a oposição denunciava uma suposta fraude eleitoral.
Segundo a nota, o país precisava de mais informações para endossar a “transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito”.
Também na tarde desta terça, Lula conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O conteúdo do telefonema não foi revelado, mas a previsão é que os dois conversariam sobre a situação na Venezuela.
Em uma manhã de vitórias e derrotas para atletas brasileiros de diversas modalidades nos Jogos Olímpicos de Paris, o PT conseguiu atrair para si o foco das flechadas e pancadas em meio ao caos pós-eleições na Venezuela. Em uma nota divulgada na noite deste segunda-feira (29), a Executiva Nacional do PT afirmou que o processo eleitoral que reelegeu Nicolás Maduro no fim de semana foi uma “jornada pacífica, democrática e soberana”, e a posição petista vem causando uma enxurrada de críticas nas redes sociais.
Na nota, assinada pela presidente nacional do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PR), o PT cumprimentou o povo venezuelano pela eleição de Maduro. O partido disse ainda ter certeza que o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) “dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela”.
“Importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais. O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa”, afirma a nota assinada por Gleisi Hoffmann.
A postagem feita pela presidente petista, com a nota do partido, já recebeu nesta manhã mais de três mil comentários, a grande maioria com fortes críticas e xingamentos à deputada. O partido saiu na frente até mesmo do governo federal, que por meio do Itamaraty, não parabenizou Maduro pela vitória e defendeu que sejam divulgadas as informações das mesas de votação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também não se pronunciou a respeito do resultado eleitoral na Venezuela. Na rede X, entretanto, o silêncio presidencial vem sendo visto como apoio a Maduro e tem avançado nos trending topics durante a manhã desta terça a hashtag #lulaapoiaditador, com quase 40 mil menções.
Confira abaixo algumas reações nas redes sociais a respeito da nota emitida pela Executiva Nacional do PT:
“Afirmaram que houve uma jornada pacífica democrática e soberana e chamaram um ditador de presidente. Este é o PT”.
Nikolas Ferreira (PL-MG)
“O PT soltou uma nota tratando a fraude de Nicolás Maduro como uma vitória. São defensores de ditadores, isso sim!”.
Kim Kataguiri (União-SP)
“Para surpresa de zero pessoas o PT apoia ditaduras sanguinárias e repressoras. Aguardando agora o grande amigo de maduro se manifestar … tem método.”
Senador Rogério Marinho (PL-RN)
“A vergonhosa nota de apoio do PT ao tirano de Caracas e à fraude eleitoral contra o povo da Venezuela confirma os piores receios de que o partido de Lula oferece riscos à democracia”.
Sérgio Moro (União-PR)
“Com o PT é assim: nada é tão ruim que não possa piorar. O PT aplaude a democracia do faz de conta na Venezuela”.
Deputada Rosangela Moro (União-PR)
“O PT lançou uma nota vergonhosa na noite desta segunda-feira parabenizando a Venezuela pela “reeleição de Maduro” em um “processo pacífico, democrático e soberano”. Parece piada, mas não é.”
Deltan Dallagnol, ex-deputado federal
“O PT, mais uma vez, se mostra comprometido com o erro e com a defesa de ditaduras. Em nota oficial elogia o processo eleitoral da Venezuela e considera Maduro democraticamente reeleito.”
João Amoedo, ex-candidato a presidente da República
“O PT sendo PT e provando não ter nenhum apreço pela democracia. Calam e apoiam a fraude eleitoral na Venezuela! Aqui no Brasil gritam e perseguem adversários políticos. Já ali na Venezuela, onde o GOLPE e a FRAUDE eleitoral são flagrantes, emitem nota de apoio ao ditador Maduro, pensando que o povo é idiota!”.
Deputado Delegado Zucco (PL-RS), que presidiu a CPI do MST e apresentou pedido de impeachment do presidente Lula
“Há um ano Lula dizia que Maduro era vítima de uma narrativa criada pela Direita. Hoje, o PT emite nota e diz que farsa eleitoral na Venezuela foi “democrática”. Está claro para quem quiser ver. Só se engana quem realmente quer. Eles não têm qualquer compromisso com a verdade, muito menos com a democracia.”
Deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA)
"Como um partido que se diz democrata como o PT, pode cometer a absurda leviandade de saudar a maior fraude e farsa eleitoral já cometida na America Latina e reverenciar o seu mentor o ditador Maduro ?”.
Roberto Freire, ex-presidente do Cidadania
“Não é possível que ainda tem gente acreditando que pt e lula defendem a democracia…”
Flavio Bolsonaro (PL-RJ)
“Infelizmente, a política foi tomada pela ambição pelo poder. O medo do destrono GRITA, fazendo com que valores sejam colocados de lado, valores esses responsáveis por colocar o PT como uma esperança de transformação e respeito à democracia. Serei criticado? Sempre! Ambos os lados me detestam mas o meu lado é o Brasil. E NÃO VENHAM ME APERREAR, obrigado!”
Gil do Vigor, ex-BBB
Em um de seus primeiros atos como presidente reeleito da Venezuela, Nicolás Maduro expulsou o corpo diplomático de sete países que contestaram sua vitória nas eleições deste domingo (28).
A medida foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores do país, Yvan Gil, em um comunicado divulgado no X (antigo Twitter) na tarde desta segunda-feira (29).
Ao todo, o regime de Maduro ordenou que diplomatas e funcionários de embaixadas e consulados da Argentina, do Chile, da Costa Rica, do Peru, do Panamá, da República Dominicana e do Uruguai se retirem “de maneira imediata” da Venezuela. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.
“A Venezuela expressa a sua mais firme rejeição às ações e declarações interferentes de um grupo de governos de direita, subordinados a Washington”, disse o chanceler venezuelano ao anunciar a medida.
Logo após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciar a vitória de Maduro, eleito para um terceiro mandato no país, diversos líderes internacionais expressaram preocupação sobre a transparência da votação, e rejeitam a reeleição do líder chavista.
Na primeira fala como presidente reeleito, Maduro voltou a insistir que países vizinhos não interfiram nos assuntos internos da Venezuela, e classificou o sistema eleitoral do país como muito “confiável”.
As pesquisas eleitorais da Venezuela divergem sobre o resultado do pleito presidencial marcado para o próximo domingo (28). Enquanto algumas enquetes dão a vitória com ampla margem ao principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, outros levantamentos apontam para uma vitória do atual presidente Nicolás Maduro, também com uma margem confortável.
Institutos de pesquisa como Datincorp, Delphos e Meganálisis, entre outros, dão vitória ao opositor Edmundo, da Mesa da Unidade Democrática (MUD), apoiado pela política María Corina Machado. Ela era apontada como favorita da oposição ao vencer as primárias, mas teve a candidatura vetada por condenações judiciais.
Já pesquisas do Centro de Medição e Interpretação de Dados Estatísticos (Cmide), do Hinterlaces e do Internacional Consulting Services (ICS), entre outros estudos, indicam que Nicolás Maduro deve se reeleger para um terceiro mandato, segundo informa a Telesur, veículo estatal do país.
O sociólogo, economista político e analista venezuelano Luis Salas ressaltou à Agência Brasil que as pesquisas eleitorais na Venezuela historicamente favorecem o voto opositor.
“Historicamente, desde que o chavismo chegou ao poder, as pesquisas sempre sobrevalorizaram o voto opositor. Desde que Chávez foi presidente, e depois Maduro, os principais institutos de pesquisa erram e favoreceram o voto da oposição”, afirmou o analista.
A especialista Carmen Beatriz Fernández, diretora da DataStrategia, empresa que trabalha com medição de opinião pública para conduzir campanhas políticas, alertou para os problemas da medição de votos na Venezuela.
“Por que falham as pesquisas eleitorais? Basicamente por três razões: por causa da volatilidade do eleitorado; por falhas metodológicas e porque não são pesquisas, se não pseudopesquisas feitas para desinformar e serem usadas como propaganda”, destacou em uma rede social.
O venezuelano Francisco Rodriguez, professor da Universidade de Denver, nos Estados Unidos, reforçou a pouca confiança nas pesquisas do país. Segundo ele, desde 2017, sete institutos de pesquisas vêm sobrevalorizando o voto opositor.
“Esses mesmos inquéritos sobrevalorizaram o voto da oposição, em média, nos últimos 10 anos, em 27,8%. Se corrigirmos esse viés, teríamos um virtual empate técnico [entre Maduro e Edmundo González]”, afirmou, em uma rede social, o estudioso da realidade venezuelana.
ELEIÇÕES NA VENEZUELA
Dona da maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela vai às urnas no próximo domingo, quando cerca de 21 milhões de pessoas devem eleger o próximo presidente, que vai governar o país sul-americano entre 2025 e 2031. O presidente Nicolas Maduro, no poder desde 2013, enfrenta nas urnas nove concorrentes.
Esta é a primeira eleição, desde 2015, em que toda a oposição topou participar do pleito. Desde 2017, os principais partidos de oposição vêm boicotando as eleições nacionais.
A Venezuela enfrenta um bloqueio financeiro e comercial pelo menos desde 2017, quando potências como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e União Europeia passaram a não reconhecer a legitimidade do governo Maduro.
O país vizinho também passou por uma grave crise econômica no período, com hiperinflação e perda de cerca de 75% do PIB, o que resultou em uma migração de mais de 7 milhões de pessoas.
Desde meados de 2021, o país vem mostrando alguma recuperação econômica. A hiperinflação foi derrotada e a economia voltou a crescer em 2022 e 2023, porém os salários continuam baixos e os serviços públicos deteriorados.
Desde 2022, o embargo econômico vem sendo parcialmente flexibilizado e um acordo entre oposição e governo foi firmado para as eleições deste ano. Porém, denúncias de prisões de opositores nos últimos dias e recursas em assinar acordo para respeitar o resultado eleitoral por alguns candidatos da oposição, entre eles, o favorito Edmundo González, jogam dúvidas sobre o dia após a votação.
Secretário de Estado dos EUA agradece governo brasileiro por atuar pela paz entre Venezuela e Guiana
O porta-voz do governo Joe Biden nos Estados Unidos, Matthew Miller, em postagem nas suas redes sociais, disse que o secretário de Estado, Antony J. Blinken, agradeceu ao governo brasileiro pela busca de uma solução pacífica no conflito entre Venezuela e Guiana. Nesta quinta-feira (14), os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, reuniram-se pela primeira vez na ilha caribenha de São Vicente e Granadinas para tentar estabelecer um diálogo sobre a disputa pelo território guianense de Essequibo.
De acordo com a postagem do porta-voz do governo Biden, o secretário Antony Blinken destacou a liderança diplomática do Brasil na região e o protagonismo para atenuar as tensões e evitar um conflito armado entre Venezuela e Guiana.
“O secretário de Estado Antony J. Blinken conversou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e agradeceu ao Brasil por sua liderança diplomática na busca de uma resolução pacífica da disputa entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo. O secretário reafirmou a posição dos Estados Unidos de que a fronteira terrestre entre Venezuela e Guiana deve ser respeitada, a menos que, ou até que, as partes cheguem a um novo acordo ou um órgão legal competente decida de outra forma”, afirmou Miller.
No encontro, os dois presidentes, ao final de duas horas de conversa, apertaram as mãos e emitiram posteriormente um comunicado, no qual ambos se comprometem a manter a paz na região. Os dois líderes concordaram em não ameaçar ou usar a força “um contra o outro em quaisquer circunstâncias, incluindo aquelas decorrentes de controvérsias existentes entre os dois estados”, como afirma um trecho do documento.
Maduro e Irfaan Ali se comprometeram ainda a resolver disputas territoriais de acordo com o direito internacional. Ainda segundo o documento, um novo encontro entre representantes dos dois países deve ocorrer no Brasil em cerca de três meses.
O governo brasileiro foi um dos principais incentivadores do acordo de paz. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido convidado a comparecer à reunião na ilha de São Vicente e Granadinas, mas preferiu enviar seu assessor internacional, Celso Amorim, em seu lugar.
Em entrevista à TV Globo, o embaixador Celso Amorim disse que o mais importante da reunião entre os presidentes da Venezuela e da Guiana foi o acordo para que seja mantido o diálogo a respeito da região do Essequibo. Para Amorim, essa já teria sido uma grande conquista, em um momento de acirramento das tensões.
“Muito importante a renúncia ao uso da força, ou ameaça ao uso da força, e acentuando a ideia da cooperação, da paz e da estabilidade na região. Resolveu tudo? É óbvio que não. Essa é uma questão complexa, mas enquanto os países continuarem a conversar com apoio da Clac, da Caricom, e do Brasil, nos dá mais esperança”, concluiu Amorim.
O ministro da Defesa, José Múcio, disse ver como "manobra política" as ameaças de invasão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, à Guiana e não se mostrou preocupado com a possibilidade de confronto entre os vizinhos. Em almoço com jornalistas, ele foi incisivo: pelo Brasil, as Forças Armadas da Venezuela não passam.
Desde que venceu um referendo que reconheceu a região guianesa de Essequibo como pertencente à Venezuela, Maduro tem ameaçado o país vizinho de invasão para tomar uma área de 160 mil km², rica em petróleo e gás natural. O problema é que, dada as condições geográficas, o Exército venezuelano teria de atravessar por território brasileiro, em Roraima. Múcio descarta.
“Eles chegarão à Guiana passando, se passasse, por território brasileiro, o que nós não vamos permitir em hipótese nenhuma. [...] Ele tem a chance de entrar pelo mar, lá pela frente, colocar uma bandeira falando que chegou ao território de Essequibo. Ele tem 127 mil homens, a Guiana tem 3.700. O embate não acontecerá --e o Brasil não vai se envolver em hipótese nenhuma, o presidente está com consciência disso”, afirmou José Múcio, ministro da Defesa.
De acordo com reportagem do UOL, em conversa com jornalistas no comando da Marinha, em Brasília, Múcio seguiu o tom adotado pela diplomacia brasileira: ponderou que as fronteiras estão sendo reforçadas e que acredita na saída pelo diálogo.
O UOL também mostrou que o governo brasileiro tem procurado evitar qualquer tipo de conflito, mas admite que o presidente Lula (PT) está em uma sinuca de bico. O petista tem desestimulado as ofensivas do aliado, incluindo um telefonema no último sábado, mas também não sabe o que fazer se Maduro seguir com a ideia e decidir, por fim, invadir o vizinho.
Múcio argumentou ainda que, além do Brasil, uma possível invasão envolveria outros agentes internacionais, o que, segundo ele, diminui as chances de Maduro seguir com o plano. "Isso não é só com o Brasil, não é? Isso é mexer com todo mundo", lembrou, apontando para a sessão de extração de petróleo na região guianesa por empresas norte-americanas.
"Acho que há uma provocação internacional aí. Então, [estou] na esperança de que ele não vá comprar uma briga desse tamanho, porque seria uma insensatez", completou Múcio.
Há a previsão de que Maduro e o presidente da Guiana, Irfaan Ali, se reúnam em São Vicente e Granadinas, arquipélago do Caribe próximo aos dois países, na próxima quinta (14). Lula foi convidado, mas ainda não confirmou presença e deve mandar um representante do Itamaraty.
O território em litígio, de Equissibo, foi declarado guianês em um tratado de 1899. No início do mês, a Corte Internacional de Haia concordou com o argumento guianês e concedeu liminar contra o referendo de Maduro —o problema é que uma das cinco perguntas rejeitadas do plebiscito era se a Venezuela deveria reconhecer a jurisdição do tribunal internacional.
Integrantes da cúpula militar brasileira preveem que a Venezuela invadirá pelo mar, e não por terra, o Essequibo, região em disputa que representa mais de 70% do território da Guiana.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, militares brasileiros de alta patente informaram que a invasão por via terrestre seria o caminho mais difícil para as Forças Armadas venezuelanas, por dois motivos principais.
Primeiro, porque a fronteira entre a Venezuela e a Guiana é formada principalmente por selva, o que dificulta o deslocamento tanto de viaturas blindadas quanto das tropas do ditador Nicolás Maduro.
Nesse cenário, restaria à Venezuela invadir a região de Essequibo por meio da fronteira do Brasil com a Guiana, que tem vegetação menor. É aqui, então, que entra a segunda dificuldade de Maduro. Isso porque o governo Lula já sinalizou que não pretende permitir que os militares venezuelanos entrem na Guiana por meio da fronteira com o Brasil, situada no estado de Roraima.
As tensões acerca da possibilidade de uma guerra entre Venezuela e Guiana ganharam um novo capítulo nesta sexta-feira (1). A Corte Internacional de Justiça decidiu que o governo venezuelano não pode tentar anexar Essequibo, a região rica em petróleo da Guiana que Caracas afirma possuir.
A decisão desta sexta vale para o referendo que a Venezuela realizará no domingo (3) sobre a incorporação de Essequibo, que representa 70% do território da Guiana e faz fronteira com o norte do Brasil.
Caracas, no entanto, já afirmou que não reconhece a Corte de Haia e que, portanto, mantém a realização da consulta pública. As Forças Armadas brasileiras já enviaram mais tropas para a região por conta da escalada das tensões entre os dois países com a proximidade do referendo. A informação é do g1.
O tribunal é a corte mais alta da Organização das Nações Unidas (ONU) para resolver disputas entre Estados, mas não pode obrigar países a cumprirem suas decisões. Por isso, a decisão desta sexta tem mais valor simbólico que prático e, por mais que favoreça a Guiana, não bate o martelo sobre a quem pertence o território de forma definitiva.
Por unanimidade, a Corte de Haia afirmou que ainda não é possível determinar quem deve ficar com Essequibo - reivindicado pela Venezuela desde a independência da Guiana do Reino Unido, em 1966. Mas decidiu que, de forma provisória, Caracas não pode interferir no atual status do território.
Os juízes da Corte Internacional de Justiça determinaram também que "ambos os países devem se abster de quaisquer ações que agravam a disputa fronteiriça".
VOTAÇÃO
Na votação que pretende realizar no domingo, o governo da Venezuela perguntará a seus cidadãos se apoiam a concessão da nacionalidade venezuelana aos 125 mil habitantes da região, conhecida pelos venezuelanos como "Guiana Essequiba".
Entre as perguntas do referendo, está uma que questiona se os eleitores querem "incorporar esse estado ao mapa venezuelano".
O ditador venezuelano Nicolás Maduro, defendeu a votação, alegando que o local pertence à Venezuela. "Não deixaremos que ninguém nos tire o que nos pertence, nem trairemos os nossos princípios. Defenderemos Essequibo! Vamos todos votar sim 5 vezes neste 3 de dezembro", afirmou Maduro nas redes sociais.
A Guiana, que administra essa região, afirma que a iniciativa venezuelana é uma ameaça à soberania guianesa. Em 2018, a Guiana pediu à Corte de Haia que confirmasse a validade jurídica e efeito vinculativo da sentença relativa à fronteira entre a colônia da Guiana inglesa e os Estados Unidos da Venezuela, de 3 de outubro de 1899.
Em abril, a Corte Internacional de Justiça afirmou que tem legitimidade para tomar as decisões sobre a disputa.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) anunciou,nesta quarta-feira (31), que foi instaurada uma sindicância para investigar as agressões a jornalistas promovidas por seguranças brasileiros durante a Reunião de Presidentes dos Países da América do Sul, no Palácio do Itamaraty, na terça (30), com a presença do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Em comunicado, o gabinete lamentou a situação e se solidarizou com a jornalista da TV Globo Delis Ortiz, que relatou ter recebido um soco no peito. Assim como nas demais manifestações do governo Lula (PT), não houve menção aos demais agredidos.
Ao menos três jornalistas relataram agressões. O repórter Sergio Roxo, de O Globo, foi arrastado pela roupa e depois imobilizado; e uma terceira profissional, Sofia Aguiar, da Agência Estado, disse ter sido empurrada por um segurança.
O governo se manifestou na sequência, por meio do Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
O Itamaraty lamentou o episódio. Em nota, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República também repudiou a agressão.
Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem Maduro se manifestaram sobre o episódio.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, criticou as falas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em relação à situação da Venezuela. Em discurso realizado nesta terça-feira (30), Boric afirmou que as violações dos Direitos Humanos no país “não são uma construção de narrativa”, como disse Lula, durante encontro com o venezuelano Nicolás Maduro.
“Eu manifestei que não concordo com o que disse o presidente Lula ontem no sentido de que a situação de direitos humanos na Venezuela era uma construção narrativa. Não é uma construção narrativa, é uma realidade, é séria”, afirmou Boric.
O presidente chileno também comentou sobre as sanções impostas sobre a Venezuela, mas destacou que não irá “fazer vista grossa” em relação às violações no país.
“Gostaríamos que a Venezuela retornasse a um ambiente multilateral porque há espaços para resolver problemas, e não para declarações que nós nos ataquemos uns aos outros. Isso, no entanto, não significa colocar debaixo do tapete ou fazer vista grossa para um tema que consideramos importante”, discorreu.
Confira o discurso:
Presidente do Chile também critica fala de Lula sobre Venezuela. “Não é uma construção narrativa. É uma realidade, é séria”.
— Metrópoles (@Metropoles) May 30, 2023
“Tive a oportunidade de vê-la nos olhos e na dor de centenas de milhares de venezuelanos que hoje vivem em nosso país”, afirmou Gabriel Boric.
(Via:… pic.twitter.com/QHs6BaVzF6
Mais cedo, o presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, também criticou a defesa que Lula fez do regime de Nicolás Maduro. Na ocasião, o chefe de estado chegou a colocar em dúvida se vai assinar o documento conjunto sobre a cúpula em Brasília (veja mais aqui).
O presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, criticou a defesa que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez do regime de Nicolás Maduro na Venezuela. Em reunião com presidentes sul-americanos na tarde desta terça-feira (30), o líder uruguaio colocou em dúvida se vai assinar o documento conjunto sobre a cúpula em Brasília.
Segundo o Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, Lacalle Pou não citou o nome de Lula, mas disse que ficou “surpreso quando se falou que o que acontece na Venezuela é uma narrativa”, que foi o que o brasileiro disse na segunda, ao receber Maduro no Palácio do Planalto.
“Todos já sabem o que pensamos a respeito da Venezuela e do governo da Venezuela. Agora, se há tantos grupos no mundo que estão tratando de mediar para que a democracia seja plena na Venezuela, para que se respeitem os direitos humanos, para que não hajam presos políticos, o pior que se pode fazer é tapar o sol com um dedo”, disse o presidente uruguaio, que é de centro-direita.
“Chamemos as coisas pelo nome que têm e ajudemos. Até pouco tempo, o Uruguai não tinha embaixador na Venezuela e nós nomeamos um. Como temos em Cuba e tantos lugares, porque nossa afinidade é com o povo venezuelano”, continuou Lacalle Pou.
O presidente do Uruguai disse, então, que trouxe o assunto porque a cúpula está debatendo uma declaração final que fala de democracia e de proteger os direitos humanos e as instituições. Para ele, não é simples assinar porque nem todos os signatários têm “a mesma definição do que são respeito às instituições, aos direitos humanos e à democracia”.
“Fiquei surpreso quando você falou que o que acontece na Venezuela é uma narrativa”, diz Lacalle Pou para Lula.
— Metrópoles (@Metropoles) May 30, 2023
Presidente do Uruguai contestou fala do presidente brasileiro durante reunião entre presidentes da América do Sul.
(Tradução: @SamPancher) pic.twitter.com/jYhBDvN7ks
“Eu não compreendia como um continente que exerce uma democracia tão plena, como o europeu, poderia aceitar a ideia de considerar um impostor como presidente, simplesmente porque não gostavam do presidente eleito”. A crítica, que envolve o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó, foi feita nesta segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontro com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Guaidó, que era deputado, em fevereiro de 2019 se autoproclamou presidente, e em abril daquele ano, junto com Leopoldo López, empreendeu uma tentativa frustrada de derrubada do governo.
No encontro desta segunda, Lula não só reforçou seu apoio à presidência de Nicolás Maduro, como lamentou que ele tenha passado oito anos sem vir ao Brasil. Os dois presidentes participaram de uma entrevista coletiva.
“Depois de oito anos o presidente Maduro volta a visitar o Brasil, e recuperamos o direito de fazer política de relações internacionais com a seriedade que sempre tivemos, sobretudo em países que fazem fronteira com o Brasil. A Venezuela sempre foi um parceiro excepcional do Brasil. Mas por conta das contingências políticas e equívocos, Maduro ficou oito anos sem vir ao Brasil, e o Brasil ficou muito tempo sem ir à Venezuela. É difícil conceber que tenham passados tantos anos sem que mantivéssemos esse diálogo”, disse Lula.
Lula disse ainda que a volta da relação entre Brasil e Venezuela é “plena”, e a retomada da integração entre os dois países não será, segundo ele, apenas comercial, mas também política, cultural, econômica, com parcerias entre juventude e universidades e inclusive na área militar, com a criação de uma ação conjunta entre as forças armadas dos dois países, para o combate ao tráfico na fronteira.
O presidente brasileiro criticou também o preconceito contra a Venezuela tanto no Brasil como na Europa. Para Lula, o país vizinha precisa fazer frente às narrativas contrárias construídas pelos opositores do atual governo, e para isso precisaria divulgar a sua própria narrativa.
"O preconceito contra a Venezuela continua. Esse preconceito contra a Venezuela é muito grande. Quantas críticas a gente sofreu aqui durante a campanha por ser amigo da Venezuela. Havia discursos e mais discursos, os adversários diziam 'Se o Lula ganhar as eleições, o Brasil vai virar uma Venezuela, uma Argentina, uma Cuba', quando o nosso sonho era que o Brasil fosse o Brasil mesmo, melhor. Não queremos ser uma Venezuela, queremos ser Brasil", disse Lula.
De sua parte, o presidente venezuelano Nicolás Maduro concordou com Lula sobre a necessidade de aprofundar os diversos tipos de relações entre Brasil e Venezuela. Maduro afirmou que o seu país está "de portas abertas" para receber o empresariado brasileiro "com plenas garantias".
"Estamos preparados para que retomemos as relações virtuosas com os empresários brasileiros. A Venezuela está de portas abertas, com plenas garantias para todo o empresariado para que voltemos ao trabalho conjunto. Acredito ser muito positivo. Nós amamos a história do povo brasileiro, a força e alegria espiritual. Relações entre Brasil e Venezuela foram truncadas e revertidas de um dia para outro. De repente, o Brasil fechou todas as portas e as janelas, sendo os dois países vizinhos, que se gostam como povos. Que nunca mais ninguém feche a porta. Brasil e Venezuela tem que estar unidos, daqui para frente e para sempre", disse Maduro.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lançou, no último domingo (23), uma versão da música “Despacito” para promover a eleição da Assembleia Constituinte, e reescrever a constituição do país. A paródia foi exibida no programa semanal “Los Domingos com Maduro”, diante do presidente e uma plateia de apoiadores. “Vamos ver se é aprovada e também viraliza”, brincou Maduro. Parodiando o hit dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee, a campanha busca motivar os venezuelanos a apoiar a Constituinte, marcada para o dia 30 de julho, e que é fortemente combatida pelos opositores e parte da população. “Querido irmão, aqui estou cantando / tenho uma grande mensagem para ti / convoquei a Constituinte / que só quer unir o país / Despacito, abra bem seus olhos e olhe sua gente / estenda a mão hoje, amanhã e sempre / que são teus irmãos os que estão à frente/ despacito, exerça seu voto em vez das balas / vá com suas ideias sempre em paz e calma / e que a esperança brilhe na sua alma”, dizem alguns versos da música. A Venezuela vive grave crise política e econômica, com mais de 100 pessoas mortas e forte repressão, por causa dos protestos contra o governo de Nicolás Maduro. Para a oposição, a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente é uma medida para se perpetuar no poder.
Confira a versão de "Despacito" do governo de Maduro:
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Janja da Silva
"Hoje estabelecemos um marco para a sociedade brasileira, representada pelos três poderes, aqui presentes. Todos assumiram o compromisso e a responsabilidade de tornar a nossa sociedade um lugar em que as mulheres possam viver em paz. Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas, queremos ser livres, queremos nos manter vivas".
Disse a primeira-dama Janja Silva em um discurso emocionado e com direito a lágrimas, ao abrir a solenidade de lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa do governo Lula, chamada de “Todos por Todas”, busca unir os três poderes em ações coordenadas para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres no país.