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nadson ferreira
Os gols já não saem mais dos pés de Nadson. Agora, eles acontecem alguns metros abaixo da arquibancada, dentro de campo, com jogadores que o ex-atacante ajuda a formar. E a comemoração continua praticamente a mesma. Longe das quatro linhas e em uma nova função no futebol, o ex-jogador de Bahia e Vitória tem chamado atenção nas redes sociais pelas reações aos jogos do Estrela de Março, clube baiano onde atualmente atua como gestor.
Os vídeos são gravados pelo próprio Nadson durante partidas das categorias de base. Sem roteiro, narração profissional ou qualquer preparação, as imagens passaram a alcançar milhões de pessoas no Instagram. Segundo o ex-atacante, uma das publicações já ultrapassou 7,5 milhões de visualizações, enquanto outras chegaram às marcas de 2 milhões e 1,5 milhão.
O mais recente fenômeno tem um protagonista: Bob. Durante uma partida pela Copa do Nordeste da categoria, Nadson começa a pedir pelo gol do atacante segundos antes de a bola entrar.
"Vira, Bob! Faz o gol para nós, Bob! Vira, Bob! Faz o gol, faz o gol!", gritou.
O registro rapidamente ganhou as redes sociais. Em entrevista ao Bahia Notícias, Nadson contou que começou a fazer as gravações há pouco tempo e que as reações são completamente espontâneas.
"É uma sensação muito boa. Fico feliz para caramba, até porque essas filmagens que faço são espontâneas. Comecei a gravar há pouco tempo e a gente da comissão e da diretoria dá muita risada com isso. Na hora do lance, você começa a narrar do nada, as palavras aparecem e você vai na emoção", explicou.
Nadson brinca que, depois das partidas, costuma carregar por alguns dias as marcas das comemorações.
"É uma narração amadora e a voz vai embora. Depois passo praticamente uma semana sem voz. Mas, para a gente, é muito importante. O Estrela é um clube que está há quatro anos no mercado e ainda não tem todo aquele suporte. Então tentamos ajudar de outras formas", disse.
GESTOR, TORCEDOR E "NARRADOR"
A câmera se transformou também em uma ferramenta da própria gestão. Além de registrar os jogos, Nadson utiliza as redes para apresentar treinadores e jogadores, criar desafios e promover atletas que começam a despontar.
"Pego o treinador e coloco para falar, mostro o atleta que se destaca e, às vezes, ofereço algum prêmio para incentivar. Isso faz parte da gestão e também de uma brincadeira sadia entre nós. Acaba valorizando aquele momento. Fazemos isso na Copa do Nordeste, no Baiano, na Copa Salvador e em outras competições. É importante para o clube e para os atletas", destacou.
Para quem encontrou o vídeo do "Vira, Bob" sem conhecer o Estrela de Março, Nadson e o diretor-geral Éder Ferrari poderiam parecer apenas dois torcedores particularmente empolgados no meio da arquibancada. A definição, para ele, não está totalmente errada.
"Muita gente que não me segue assistiu ao vídeo e perguntou se eram dois torcedores na arquibancada. Eu digo que somos torcedores e gestores. Estamos ali como dirigentes, eu como gerente de futebol e Éder Ferrari como diretor-geral. São dois gestores apaixonados pelo que fazem, apaixonados pelo clube e torcendo por todos. Acho que isso criou um conjunto perfeito", afirmou.
"Será que sábado tem Bob? Quem vai ser o próximo a fazer o gol e ganhar uma narração diferente, que vai sair do nada? É bom demais", completou.
DE JOGADOR PARA FORMADOR
Se nas redes sociais o lado mais visível é o da emoção, internamente Nadson tenta aproveitar uma carreira construída dentro dos gramados para orientar jogadores que ainda sonham em chegar ao futebol profissional.
As conversas acontecem no alojamento, nos treinamentos e no convívio cotidiano com os jovens. Ao lado de outros profissionais do Estrela, como Eder Ferrari, o ex-atacante utiliza episódios da própria trajetória para transmitir experiências que ultrapassam aspectos técnicos.
"A gente sempre tem aquela roda de conversa no alojamento ou durante os treinamentos. Dou exemplos de jogos que disputei, conto como foi a minha carreira, e eles abraçam isso. Eder Ferrari também fala bastante e traz exemplos da experiência que teve como gestor no futebol profissional do Bahia. A gente acaba agregando e isso tem dado resultado dentro de campo", contou.
O trabalho, porém, exige acompanhamento constante.
"Não é fácil. É uma geração com a qual precisamos conversar o tempo todo e alertar o tempo todo. Mas vem dando certo. O Estrela vem chegando em competições grandes e isso é muito importante para o nosso trabalho", completou.
QUEM É BOB?
O jogador que virou personagem do vídeo viral já estava no radar do Estrela de Março antes mesmo da atual temporada. Segundo Nadson, Bob chegou a receber uma proposta anteriormente, deixou o projeto e posteriormente foi chamado de volta pelo clube.
"Bob é um menino muito humilde, de uma família muito humilde. Já estava com a gente havia algum tempo, recebeu proposta de um clube grande anteriormente e acabou indo para casa. Agora conseguimos resgatá-lo de volta", explicou.
Dentro de campo, trata-se de um atacante canhoto que também pode jogar pelos lados. O um contra um, a movimentação e a finalização aparecem entre as características destacadas pelo gestor.
"É um atleta muito interessante. No um contra um, é muito bom. Tem boa movimentação para atacar os espaços e também finaliza muito bem. É canhoto, atacante, joga pela beirada e é um jogador que dificilmente vai ficar aqui por muito tempo. Sabemos disso, mas o objetivo é justamente esse", afirmou.
"Ele tinha um pouco de dificuldade na comunicação e voltou muito mais desbloqueado nessa parte, comunicando-se bastante. Isso é muito bom para a evolução dele. É um jogador que se movimenta muito bem, se doa bastante e já marcou outros gols decisivos. A tendência é crescer cada vez mais", avaliou.
De acordo com o gestor, o desempenho já despertou novamente a atenção de outras equipes.
"Pode ter certeza de que já existem clubes atrás. A gente fica feliz porque mostra o trabalho realizado pela comissão, pela diretoria e por todo o suporte do Estrela. A tendência é de crescimento não apenas dele, mas de todo o elenco. Queremos fazer história nessa Copa do Nordeste", revelou.
Nadson já projeta o próximo fim de semana. O Estrela também terá compromissos no Campeonato Baiano Sub-15 e Sub-17 diante do Vitória.
"Espero que o 'Vira, Bob' possa aparecer de novo ou que venha outro personagem. Que o Estrela consiga vencer e encaminhar a classificação na Copa do Nordeste. Também teremos Estrela no Baiano Sub-15 e Sub-17 contra o Vitória. Vai ser um dia bastante longo e podem sair mais vídeos interessantes para a gente terminar o fim de semana feliz."
Heurelho Gomes; Maicon, Luisão, Alex e Adriano; Paulo Almeida, Diego Ribas, Kaká e Júlio Baptista; Nilmar e Robinho. Esses foram os onze jogadores que entraram em campo pela Seleção Brasileira na semifinal da Copa Ouro de 2003, contra os Estados Unidos. O torneio, disputado no México, serviu como preparação para os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. O confronto marcou a classificação do Brasil e também um registro histórico: foi a última vez que um jogador de um clube baiano vestiu a camisa verde e amarela.
Esse jogador foi Nádson Rodrigues, o "Nadgol", então atacante do Vitória. Natural de Serrinha e revelado pelo clube em 2001, Nádson viveu uma temporada inesquecível em 2003, quando marcou 30 gols e chamou a atenção do técnico Ricardo Gomes.
"É uma história que ninguém vai apagar. Isso é muito importante na carreira de qualquer jogador, é algo que a gente leva para a vida toda. Sempre que tem convocação, meu nome vai estar lá. A minha foi em 2003, um ano espetacular. Eu estava subindo para o profissional, vindo da base, e fui artilheiro em todas as competições”, relembrou Nádson em entrevista ao Bahia Notícias.
"Saí do Vitória campeão baiano de juniores, depois campeão do Nordeste e campeão baiano profissional. Consegui a artilharia da Copa do Brasil em uma edição, virei o maior artilheiro do Vitória e ainda estava brigando pela artilharia do Campeonato Brasileiro. Em seis meses fiz 30 gols. Isso é para poucos, ainda mais com 18 anos. Foi um ano memorável. Veio a convocação para a Seleção Brasileira, que considero o teto de qualquer atleta, principalmente para mim, que estava começando a carreira", completou.
NADGOL PELA SELEÇÃO
Na Copa Ouro, Nádson estreou na fase de grupos contra o México, no dia 11 de julho, no Estadio Azteca. Entrou aos 82 minutos, no lugar de Júlio Baptista, mas não conseguiu evitar a derrota por 1 a 0, com gol de Jared Borgetti.
O atacante voltou a jogar na semifinal contra os Estados Unidos, quando o Brasil venceu por 2 a 1 de virada. Nádson entrou aos 81 minutos, substituindo Nilmar, e participou do lance que resultou no pênalti convertido por Diego Ribas na prorrogação. Kaká havia empatado o jogo no tempo normal.
Na final, novamente contra o México, Nádson não entrou em campo, e o Brasil perdeu por 1 a 0 na prorrogação, encerrando seu ciclo pela Seleção Canarinho.
"Não é só o jogador que é convocado. Quando alguém vai para a Seleção, vai o elenco todo, vai a tia da cozinha que cuida de você, o staff inteiro que te ajuda no dia a dia. É um conjunto que faz você evoluir e conquistar esse espaço", destacou.
"Na Seleção é tudo diferente: o ambiente, os treinamentos... é o topo do topo. Você está do lado de jogadores que antes só via no videogame. De repente, está dividindo o campo com eles. É surreal", contou.

Foto: Divulgação
Em 2003, Nádson teve atuações marcantes pelo Vitória. Em um clássico Ba-Vi, válido pela fase classificatória do Campeonato Baiano, entrou aos 78 minutos e marcou três gols para virar o jogo. Contra o Palmeiras, no Palestra Itália, balançou a rede quatro vezes na histórica goleada por 7 a 2, pela Copa de Brasil, nas oitavas de final. Ao longo do ano, marcou 45 gols, ajudou financeiramente o clube com sua venda para o Suwon Bluewing, e consolidou-se como ídolo do Vitória.
Mesmo não ficando com a Bola de Prata — entregue a Luís Fabiano pelo regulamento —, Nádson entrou na seleta lista de atletas nordestinos convocados para a Seleção Brasileira, junto a Leomar, Dudu Cearense, Douglas Santos, Diego Souza e, mais recentemente, Jean Lucas.
“Para minha cidade, Serrinha, tem um peso ainda maior. Um serrinhense ter sido convocado é motivo de muito orgulho. Poucos atletas nordestinos tiveram essa chance em mais de um século de Seleção. É muito difícil chegar lá. Por isso, a gente tem que valorizar, compartilhar essa história e se orgulhar. Graças a Deus está marcado, e sempre que a gente relembra é bom demais”, finalizou.
TABU DE JEAN LUCAS
Mesmo identificado com o Vitória, Nádson comemorou a convocação de Jean Lucas, agora pelo Bahia. O ex-atacante, inclusive, também vestiu a camisa tricolor em 2009.
"É importante demais. Ele vem trabalhando muito, jogando muito bem. É um volante com força fora do comum. Hoje, poucos no futebol brasileiro fazem o que ele faz: marca, defende e chega na área toda hora. Então, é merecido. Fico feliz pelo Bahia estar fornecendo um atleta à Seleção. Isso representa muito para o Nordeste. Espero que ele tenha a oportunidade, entre em campo e represente nosso povo. Jean Lucas vai voltar muito melhor dessa experiência, vai aprender com os melhores. E quando você joga com os melhores, só pode evoluir", avaliou.
Jean Lucas se apresenta à Granja Comary, em Teresópolis, no dia 1º de setembro, para iniciar a preparação dos jogos contra Chile (4) e Bolívia (9), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
Além do volante, outro nome tricolor já aparece no radar da Seleção: Luciano Juba. O lateral vem se destacando em 2025 com gols e assistências importantes. Após a vitória sobre o Fluminense, na ida das quartas de final da Copa do Brasil, Rogério Ceni reforçou a expectativa por uma futura convocação.
“Menino fantástico, com talento, passe, construção. Talvez o jogador que mais cresceu desde nossa chegada, quando ele jogava aberto. Jean Lucas também, alguns se adaptaram. Jean joga sempre uma casa acima em relação ao que era no Santos. Juba tem feito essa função com maestria, ora por dentro, ultrapassagem, ataque ao espaço. Foi muito inteligente hoje. Escutem o que eu estou falando: fatalmente teremos um segundo jogador convocado para a seleção brasileira neste ano”, projetou o treinador.

Foto: Maurícia da Matta/Bahia Notícias
Curtas do Poder
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Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (7) que a campanha de primeiro turno deste ano foi a menos organizada entre todas as que disputou desde 1989. A declaração foi dada a aliados, ao lado de Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha de reeleição do petista.