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Oito quilômetros de corrida, oito estações de exercícios funcionais e um desafio que une resistência, força e superação pessoal. Essa é a proposta do Hyrox, modalidade esportiva criada na Alemanha que vem conquistando praticantes pelo mundo e começa a ganhar espaço entre os baianos. Em Salvador, a Academia Alcateia aposta no formato para apresentar uma alternativa aos treinamentos convencionais, reunindo atividade física, preparação para competições e “senso de comunidade.”
Em termos de dimensionamento, na temporada 2024/2025, o Hyrox realizou 74 eventos e reuniu mais de 650 mil participantes ao redor do mundo. Para 2025/2026, a projeção divulgada pela organização e por sua parceira Puma apontava 1,3 milhão de competidores, distribuídos em mais de 100 eventos. O movimento também chegou ao Brasil, que recebeu sua primeira competição oficial em setembro de 2025, em São Paulo.
Diferentemente de competições que apresentam desafios variados a cada edição, o Hyrox mantém uma estrutura fixa em seus eventos oficiais. Os participantes percorrem 1 km de corrida antes de cada uma das oito estações de exercícios, completando um total de 8 km intercalados com atividades funcionais.
O circuito inclui simuladores de esqui e remo, deslocamento de trenós com carga, burpees com saltos, transporte de pesos, avanços com saco de areia e arremessos de bola contra um alvo. As exigências variam conforme a categoria, mas a sequência das estações é padronizada internacionalmente, permitindo que os atletas comparem seus resultados com participantes de outras cidades e países.
As competições contam com divisões individuais, duplas e revezamentos, além de diferentes faixas etárias e níveis de dificuldade. Na categoria individual, o tempo médio divulgado pela organização é de aproximadamente 1 hora e 30 minutos.
Para entender como a modalidade funciona e o que explica o interesse crescente, o Bahia Notícias visitou a Academia Alcateia, em Salvador, pioneira no treinamento de Hyrox na Bahia. Durante a visita, a reportagem conversou com o proprietário Pedro Motta Filho, o professor Felipe e a aluna Mariana Roselino sobre as características do esporte e sua presença na capital baiana.
À frente da Alcateia, Pedro explica que a combinação entre corrida e exercícios funcionais foi um dos fatores que despertaram o interesse pela modalidade.
"O Hyrox vem com uma proposta diferente do CrossFit. Ele mantém um padrão do evento, onde você faz 8 km associados com exercícios funcionais. São oito estações: você corre 1 km e faz uma estação, corre mais 1 km e faz outra, e assim sucessivamente até concluir a prova. Isso torna mais inclusivo, porque são exercícios mais fáceis de realizar", explicou.

Foto: Júlia Estrela / Bahia Notícias / BN Hall
O Hyrox surgiu em 2017, na cidade alemã de Hamburgo, a partir da proposta de criar uma competição que combinasse corrida e exercícios de força em um formato reproduzível em diferentes países.
Desde então, o circuito se expandiu internacionalmente e passou a atrair tanto atletas de alto rendimento quanto pessoas que buscam novos objetivos para seus treinamentos.
No Brasil, a estreia oficial aconteceu em 20 de setembro de 2025, em São Paulo. A competição abriu espaço para a expansão do calendário nacional, que passou a incluir novas edições na capital paulista e eventos em outras regiões do país.
Para Pedro, o crescimento observado no exterior serviu como incentivo para trazer a modalidade a Salvador. O proprietário ressalta, entretanto, que o diferencial não se resume à disputa por resultados.
"O Hyrox também tem a proposta de trabalhar em comunidade, seguindo um pouco do padrão do CrossFit, que é de aulas em grupo e relação com outras pessoas, sem ter que usar fone, sem ser muito individualista. Esse padrão de comunidade traz mais valor ao esporte. O esporte veio crescendo muito lá fora e a gente trouxe para experimentar. Está dando supercerto, vem evoluindo tanto na Bahia quanto no Brasil inteiro", afirmou.
PROCURA PELO HYROX EM SALVADOR
Na Alcateia, a adesão ao esporte provocou mudanças na programação de treinamentos. O que começou como uma atividade oferecida apenas aos domingos passou a integrar a rotina de outras unidades da academia.
O professor Felipe, que se apresenta como o primeiro treinador de Hyrox da Bahia, acompanhou esse processo desde o início. Segundo ele, a procura superou as expectativas e levou à ampliação das turmas.
"Sou o primeiro treinador de Hyrox da Bahia. A gente começou inicialmente aos domingos. A modalidade foi crescendo tanto, a procura foi tanta, que hoje a gente concentra aulas todos os dias, praticamente em todas as nossas três unidades. A taxa de ocupação é gigante", relatou.

Foto: Júlia Estrela / Bahia Notícias / BN Hall
A expansão da oferta também acompanha uma mudança no perfil de quem procura atividades físicas. Além dos alunos interessados em desempenho esportivo, o Hyrox passou a atrair pessoas que buscam condicionamento, variedade de estímulos e uma atividade praticada coletivamente.
Pedro destaca que a preparação desenvolvida nas aulas pode contribuir para diferentes objetivos físicos, ainda que o treinamento seja estruturado principalmente para atender às exigências das provas.
"O Hyrox dá um grande resultado estético, obviamente associado com uma boa alimentação. É uma atividade completamente endurance. A gente prepara os alunos para o evento. As aulas são voltadas para esse evento, consequentemente trazendo resultados estéticos e condicionamento", explicou.
HYROX E CROSSFIT: QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS?
Embora compartilhem a utilização de exercícios funcionais e treinamentos de alta intensidade, Hyrox e CrossFit possuem propostas distintas.
No CrossFit, as atividades podem envolver movimentos de levantamento de peso, ginástica e condicionamento metabólico, com combinações que variam conforme o planejamento de cada treino. Já o Hyrox tem como referência uma prova padronizada, com 8 km de corrida e 8 estações previamente definidas.
Para o professor Felipe, a familiaridade dos movimentos representa um dos principais fatores que facilitam a entrada de novos praticantes. Ele ressalta, contudo, que ambas as modalidades podem ser adaptadas para pessoas em diferentes níveis de preparação física.
"A diferença do Hyrox para o CrossFit é por conta da barreira de entrada. O CrossFit trabalha com movimentos funcionais, alguns deles são de alta complexidade. Obviamente, o aluno iniciante vai ter a adaptação. No Hyrox também são movimentos funcionais, mas eles são simples. Ambas as modalidades têm a intenção de trabalhar em intensidade", afirmou.
O treinador também explicou que os objetivos das duas atividades não são idênticos. Enquanto o CrossFit procura desenvolver capacidades físicas variadas, o Hyrox organiza sua preparação em torno de um percurso específico.
"A ideia do Cross é preparar você para a vida, qualquer demanda física que seu corpo precise fazer. O Hyrox consiste em uma prova de 8 km de corrida, intercalados com oito estações de exercícios funcionais. Ambas as modalidades são para todos os praticantes", completou.
A execução mais familiar dos movimentos, entretanto, não significa ausência de exigência física. A combinação entre corrida, deslocamento de cargas e exercícios repetitivos demanda resistência cardiovascular, força muscular e preparação progressiva, principalmente para quem pretende completar uma prova oficial.
Apesar de contar com rankings, categorias profissionais e campeonato mundial, o Hyrox também encontra público entre pessoas que não pretendem disputar posições no pódio. Na avaliação de Felipe, o crescimento da modalidade está ligado à possibilidade de transformar a atividade física em um objetivo pessoal, de maneira semelhante ao que acontece nas corridas de rua.
"A ideia do Hyrox não é ser uma competição, mas sim um evento, assim como uma corrida de 10 km. 99% dos participantes de corrida não estão visando o pódio, e sim a melhoria deles. O Hyrox parte da mesma premissa", explicou.
Essa percepção também aparece entre os alunos da Alcateia. Uma das praticantes ouvidas pelo Bahia Notícias, Mariana Roselino, contou que encontrou na modalidade uma alternativa aos treinamentos tradicionais, principalmente pela combinação entre atividades cardiovasculares e exercícios de força.
"Eu escolhi treinar o Hyrox porque é um treino rápido, dinâmico, que envolve tanto a parte física quanto a parte cardio. São treinos diversificados, em que a gente consegue fazer várias atividades ao mesmo tempo. Tem o senso de comunidade, com todo mundo junto, ao mesmo tempo, se esforçando", relatou.

Foto: Júlia Estrela / Bahia Notícias / BN Hall
Questionada sobre a preferência pelo Hyrox em comparação com a musculação convencional e o CrossFit, a aluna também apontou a facilidade de compreensão dos exercícios.
"O Hyrox tem sido preferido porque os movimentos são mais simples e não exigem tanta performance do atleta que está tentando praticar. Ele acaba sendo facilitador se você quer começar uma nova atividade física", acrescentou.
O calendário internacional do Hyrox segue em expansão, enquanto o Brasil se prepara para receber mais uma etapa oficial da competição nos dias 17 e 18 de outubro de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O próximo evento com atividades de Hyrox em Salvador será neste domingo, 11 de outubro de 2026, durante o BORA Festival, no Parque da Cidade.
A Hyrox anunciou o reembolso das inscrições de parte dos atletas que participaram da etapa realizada em Pequim, na China, após o episódio envolvendo a australiana Joanna Wietrzyk durante a prova. A medida foi comunicada aos competidores na última quarta-feira (16), acompanhada de um pedido de desculpas da organização e de mudanças nos protocolos de segurança.
Wietrzyk, atleta de elite e recordista mundial da modalidade, venceu a prova feminina com o tempo de 1h01min23s, mesmo após sofrer um episódio de incontinência fecal durante o percurso. Como a competição ocorre em ambiente fechado e utiliza equipamentos compartilhados, o caso gerou preocupação entre os demais participantes. Segundo a Hyrox, os atletas que disputaram determinados horários no mesmo dia terão direito ao reembolso da taxa de inscrição, que para a maioria ficou pouco acima de US$ 100 (cerca de R$ 515). A organização não informou quantos competidores serão contemplados nem o valor total da medida.
Além do reembolso, a Hyrox informou que realizou procedimentos de sanitização e substituiu completamente o piso de grama sintética utilizado na prova. A entidade também atualizou o protocolo para casos de possível contaminação biológica. Pela nova regulamentação, o diretor da competição poderá retirar um atleta quando sangue, vômito, urina ou fezes representarem risco à saúde ou de contaminação para os demais participantes.
O cofundador da Hyrox, Moritz Fürste, reconheceu a falha da organização na condução do episódio. "Hyrox cometeu um erro ao não reagir imediatamente durante a prova", afirmou.
Wietrzyk também se desculpou e retirou oficialmente seu resultado da competição, abrindo mão dos pontos conquistados. "Assumo a responsabilidade por minha decisão de continuar e lamento profundamente o desconforto e o transtorno que isso causou", escreveu a atleta.
A australiana Joanna Wietrzyk se manifestou nesta semana após a repercussão mundial do episódio de incontinência fecal ocorrido durante uma prova da Hyrox em Pequim, na China. A atleta publicou uma foto em uma cama de hospital e fez uma breve declaração sobre a vitória na competição, realizada no último sábado (12).
Na publicação, posteriormente apagada, Wietrzyk escreveu: “Tudo ou nada... vitória é vitória. Falando sério, obrigada por todo o apoio. Voltarei em breve”. A mensagem foi acompanhada de uma selfie que aparentava ter sido feita após o término da prova.
Wietrzyk venceu a disputa feminina com o tempo de 1h01min23s. A atleta, que é recordista mundial da Hyrox na prova feminina individual, continuou competindo mesmo após sofrer um episódio de incontinência fecal durante o percurso.
Eu tô em choque que no Hyrox em Pequim uma atleta passou mal e sse cagou toda. O negócio é que outros competidores também usava os aparelhos e todos os lugares que ela passou tiveram que ser interditados e desinfectados. Achei ela egoísta porque ficou tudo uma nojeira imagina… pic.twitter.com/2rxbgmlxuZ
— Taty ????? (@tatyrck) September 15, 2026
HYROX ADMITE ERRO E MUDA REGRAS
A repercussão também levou a Hyrox a rever os procedimentos utilizados durante as competições. O cofundador da organização, Moritz Fürste, pediu desculpas e reconheceu que a entidade errou ao não interromper a participação da atleta imediatamente.
"Hyrox cometeu um erro ao não reagir imediatamente durante a prova", afirmou Fürste. Ele também disse que era responsabilidade da organização prever situações desse tipo e anunciou mudanças nas regras e nos procedimentos dos eventos.
A nova regulamentação permite que o diretor da prova retire um competidor da disputa por motivos médicos quando sangue, vômito, urina ou fezes representarem risco à saúde ou de contaminação para outros participantes. Nesses casos, o atleta pode ser registrado como DNF, sigla para "Did Not Finish".
Após a prova de Pequim, a organização informou ainda que as áreas afetadas foram isoladas e submetidas a procedimentos de limpeza e desinfecção. Equipamentos contaminados foram retirados e parte do piso do local também foi substituída.
A vitória da australiana Joanna Wietrzyk em uma etapa da Hyrox, no último sábado (12), em Pequim, promoveu uma enorme polêmica, que provocou mudanças nas regras da competição nesta semana. A atleta sofreu uma crise de incontinência fecal durante a prova, mas continuou no percurso, utilizou equipamentos compartilhados e completou a disputa na primeira colocação, com o tempo de 1h01min23s.
A mulher participando de um campeonato se hyrox (Uma espécie de Crossfit) se cagou toda!
— Virgulin0_Ferreira (@Virgulin0_) September 14, 2026
Tacou o foda-se, continuou na prova e sujando o percurso de merda!!!!!????????????????????????????https://t.co/T4wv2IYIs6
Imagens da competidora durante a prova circularam nas redes sociais e provocaram críticas à organização do evento. Parte das reclamações questionava principalmente a decisão de permitir que Wietrzyk continuasse competindo após o episódio, diante do risco de contaminação de aparelhos utilizados posteriormente por outros atletas.
A Hyrox é uma competição de fitness indoor que intercala oito quilômetros de corrida com oito estações de exercícios funcionais, incluindo atividades em equipamentos compartilhados, como remo e kettlebells. Wietrzyk é uma das principais atletas da modalidade e atual detentora do recorde mundial feminino individual.
ORGANIZAÇÃO ADMITE ERRO
A repercussão levou a Hyrox a se manifestar publicamente. Nesta segunda-feira (14), o cofundador da competição, Moritz Fürste, admitiu que os responsáveis pelo evento deveriam ter interrompido a participação da atleta.
"Peço desculpas a todos os afetados direta ou indiretamente, bem como a todos que sentiram que não lidamos com a situação da maneira correta", disse.
Fürste também afirmou que a organização começou imediatamente a rever os procedimentos adotados durante as provas.
“Começamos a aprimorar os processos dos eventos e a implementar mudanças imediatas no regulamento. A partir deste momento, novas regras e procedimentos estão em vigor para evitar que situações como essa voltem a acontecer.”
Em outra manifestação, a própria Hyrox reconheceu que a determinação dos atletas precisa ser acompanhada de limites relacionados à segurança e ao bem-estar dos competidores.
NOVA REGRA PERMITE RETIRADA DO ATLETA
Após o episódio, o regulamento passou a prever de maneira expressa a possibilidade de retirada de um participante por motivos médicos e sanitários.
Pelas novas regras, caso sangue, vômito, urina ou fezes representem risco de bem-estar ou contaminação para o próprio competidor ou para outros participantes, o diretor da prova poderá determinar a retirada do atleta. O resultado será registrado como DNF (Did Not Finish), equivalente a prova não concluída.
A mudança foi anunciada depois de Fürste reconhecer que a Hyrox “cometeu um erro” ao não reagir imediatamente durante a etapa de Pequim.
ÁREAS FORAM DESINFETADAS
Após a prova, a operação chinesa da Hyrox informou que as áreas atingidas foram isoladas e passaram por procedimentos de limpeza e desinfecção. Equipamentos afetados foram retirados de circulação e o carpete do local também foi substituído.
Wietrzyk chegou a se manifestar nas redes sociais após a vitória, mas a publicação foi posteriormente apagada diante da repercussão negativa.
O caso também gerou manifestações em defesa da australiana. O treinador Chris Bayens criticou os ataques pessoais direcionados à competidora e afirmou que decisões tomadas durante uma situação inesperada não deveriam resultar em ameaças ou ofensas à atleta.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar Costa Neto
"Não gostei".
Disse o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao comentar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência nesta quarta-feira (28). No pronunciamento, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.