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guitarra baiana
Pau elétrico, cavaquinho elétrico e, por fim, guitarra baiana. O instrumento musical, criado na década de 40 e que desde então dá um tom único as canções, se transformou em um símbolo do Carnaval de Salvador, junto ao trio elétrico, mas sem o reconhecimento como patrimônio material da cidade.
Ao Bahia Notícias, Armandinho Macêdo, responsável por popularizar o instrumento desenvolvido por Dodô e Osmar, frisou a importância de reconhecer a guitarra baiana com um título que salvaguarde a cultura local.
"Eu acho que tem que ser registrado como patrimônio imaterial da nossa cultura, se bem que é bem material (risos). A guitarra baiana é um instrumento que nasceu na Bahia antes de chegar o rock, à guitarra, de chegar tudo isso."

O pedido de Armandinho já chegou a ser apresentado na Câmara Municipal de Salvador em 2012, época em que João Henrique (PP) geria a capital baiana.
Na época, a vereadora Vânia Glavão (PT) apresentou um projeto de indicação no qual pedia para que fossem adotadas as medidas necessárias para o registro da Guitarra Baiana, bem como da sua manufatura. O projeto foi movimentado em 2014 e encontra-se arquivado após a não renovação da proponente.
O instrumento, que já chegou a ser tema do Carnaval de Salvador em 2013, recebeu o título de "patrimônio do povo", mas o título oficial não chegou para a guitarra.

Híbrido entre o cavaquinho, também popular na música baiana, e o bandolim, a guitarra baiana tem seu diferencial no tom que sai das cordas.
O instrumento tem o calibre de cordas e a escala do primeiro e a afinação (Sól-Ré-Lá-Mi) do segundo. A criação de Osmar Álvares Macêdo e Adolfo Dodô Nascimento, foi pensada na década de 40 como um instrumento potente o suficiente para ampliar o som para as ruas.
Atualmente, o instrumento é fabricado com cinco cordas, uma afinação Mi, Lá, Ré, Sol, Dó, podendo até ter ponte móvel tipo Floyd Rose, com um braço estendido, diferenciando-a de Cavaquinho e Bandolim. Vale lembrar que a guitarra baiana só recebeu o nome que tem hoje com o batismo dado por Armandinho, na década de 70. Nas mãos do herdeiro de Osmar, o instrumento virou uma sensação, dando ao artista o título de 'Rei da Guitarra Baiana'.
O instrumento foi adotado por músicos que acabaram se tornando referência quando se fala da guitarra, a exemplo de Roberto Barreto, da BaianaSystem. Amante do som que sai do instrumento "melado no dendê", Roberto já chegou a escrever sobre a paixão, considerado-a como um instrumento de alma.
"Não vejo muito como um instrumento, mas sim como um meio de expressar ideias e sentimentos. Por ser um instrumento criado e concebido aqui na Bahia existe a parte afetiva e junto com isso, acompanha uma estética musical que é única em um repertório", declarou o artista em uma entrevista para o Fatos&Points em 2013, reforçando a importância do reconhecimento do instrumento.
A FOLIA DE HOJE EM DIA
O artista, hoje, veterano na folia, é o responsável por manter o legado da família vivo na avenida. Ao site, o artista, junto ao irmão, André Macedo, falou sobre a importância de dar continuidade a tradição do Carnaval feito pela família.
Para Armandinho, é importante reconhecer ainda o impacto das contribuições de Dodô e Osmar para a folia, transformando o Carnaval em um modelo que inspirou diversas outras festas ao redor do país e foi reconhecida como o maior Carnaval de trios do mundo.

“Nós somos uma base musical, porque a gente mudou todo o contexto de trio elétrico, começado por Dodô e Osmar. O cavaquinho, o violão, a percussão. Nós montamos banda, nós trouxemos o primeiro cantor, nós criamos toda uma história que atrás disso veio toda a galera do Axé Music. Então é, pra gente, é história de vida. A gente nasceu, foi nascido e criado no trio elétrico. A gente é aquele que brincava de trio elétrico em casa desde pequenininho.”
O público poderá conferir os irmãos Macêdo no Carnaval de Salvador em diversos momentos, entre eles as tradicionais pipocas na Barra no domingo, na segunda e na terça de Carnaval.
O gosto pelas cordas fez com que o jovem músico buscasse outros desafios. Paralelo à primeira escola, há dois anos, ele ingressou no Neojiba, onde aprendeu a tocar bandolim. E é justamente para seguir desenvolvendo o instrumento, que ele iniciou uma campanha virtual, com o objetivo de arrecadar a quantia de R$ 4 mil para adquirir um novo bandolim. O seu, comprado de segunda mão, encontra-se com diversos problemas irreversíveis, desde a captação até a escala. “Tem problema na ponte, as cordas ficam descendo”, explica o garoto, que buscou inspiração nas experiências de amigos em crowdfunding e obteve o apoio dos pais.
O garoto pretende arrecadar R$ 4 mil para comprar um novo bandolim | Foto: Claudia Cardozo / Bahia Notícias
A produção, que teve sua estreia nacional na programação paulista do Festival de Documentários Musicais In-Edit, traz entrevistas com ilustres nomes ligados ao instrumento como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Armandinho Macedo, Luiz Caldas, Julio Caldas, Moroto Slim, maestro Fred Dantas, Maestro Spok, Perfilino Neto, Durval Lelys, entre outros.

Daniel Talento já foi diretor de fotografia da série "Ed Mort", do Multishow e dos curtas "Casa de Boneca", "Antes Só" e "A Testemunha". "Guitarra Baiana" é o primeiro longa dirigido pelo cineasta, que tem grande admiração pelo instrumento. "Antigamente, a guitarra baiana era usada pra tocar os frevos e, hoje, essa galera ta inovando e tocando tudo com a guitarra baiana, reggae, rock’n'roll. Com o tempo, ela acabou excluída do carnaval da Bahia, mas agora está voltando com tudo".
A exibição do próximo dia 21, que também conta com apresentação do guitarrista Fred Menendez, já estava programada para acontecer, mas uma série de discussões envolvendo sua ausência na edição baiana do festival In-Edit fizeram com que a exibição fosse antecipada. "A gente já vinha pensando na possibilidade de fazer essa pré-estreia, mas para acabar com essa polêmica e pressão para a exibição do filme resolvemos adiantar", explicou o diretor.

Em entrevista ao Bahia Notícias, Marcelo Aliche, curador do In-Edit, falou sobre a ausência do documentário na edição baiana do festival, o que causou polêmica entre as pessoas que esperavam pela exibição. Entretanto, o diretor Daniel Talento evitou polemizar sobre o tema, que chegou a ganhar uma campanha nas redes sociais. "Ele foi exibido em São Paulo, então as pessoas aqui já estavam esperando, mas a gente respeita a posição do Festival. Foi incrível a exibição lá, estava lotado. Foi muito bacana participar, mas gerou essa expectativa do filme ser exibido aqui", disse.
A banda Ligação 70 estreia a programação que dá destaque ao som característico do Carnaval, com um show no Largo Pedro Archanjo, na sexta-feira (28), às 22h. A BaianaSystem, um dos ícones da nova produção musical baiana, se apresenta no palco principal do Pelourinho no domingo (2) de carnaval. “Juntamos muito mais músicas ao nosso repertório. Músicas nossas do EP Pirata e músicas já consagradas no carnaval da Bahia. Faz parte da história da Baiana tocar no Pelô e este, com certeza, será um dos grandes momentos do nosso carnaval”, revela Passapusso. Na segunda-feira (3), o Trio Guitarra Baiana ocupa o mesmo palco, às 19h.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Hugo Motta
"A PEC da redução da jornada de trabalho 6x1 é uma destas agendas. A tramitação via Proposta de Emenda Constitucional é, ao mesmo tempo, o respeito das prerrogativas da deputada Erika Hilton e do deputado Reginaldo Lopes, que apresentaram seus projetos, e a oportunidade de promover um debate amplo. O equilíbrio e a responsabilidade são essenciais numa matéria de tamanho impacto".
Disse o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) ao comentar sobre a colocação na pauta sobre o fim da escala 6x1 e indicar anteriormente que seria “vender um sonho que não se sustenta”.