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gramado sintetico
A presença de campos de futebol com dimensões e formatos irregulares é uma característica recorrente em diferentes bairros de Salvador. Alguns desses espaços, utilizados em sua maioria para práticas esportivas e atividades comunitárias, não seguem um padrão único de tamanho. Diante desse cenário, a população tem levantado questionamentos sobre os critérios técnicos e as iniciativas de padronização para os equipamentos.
A ausência de uniformidade levanta dúvidas sobre o planejamento na implantação e requalificação desses bens públicos. Para entender se há diretrizes voltadas à padronização, o Bahia Notícias procurou a Prefeitura de Salvador.
Em resposta, a gestão municipal afirmou que os campos de bairro têm origem, em grande parte, na iniciativa das próprias comunidades, o que justifica as características distintas entre eles. De acordo com a Prefeitura, esses espaços foram estabelecidos de forma informal ao longo dos anos e mantêm os formatos definidos pela realidade geográfica local.
"A Prefeitura informa que campos de bairro são tradicionais e fazem parte da história das comunidades nas quais estão implantados. Em sua grande maioria, foram estabelecidos de maneira informal pela população e são usados há décadas com suas particularidades. São parte fundamental do cotidiano, seja para a formação das crianças, para o incentivo à atividade física ou para a convivência", diz a nota.

A Arena do Bole Bole, localizada em Pernambués, é um exemplo de nítido de campos desproporcionais | Foto: Google Maps
De acordo com o município, as intervenções realizadas nesses espaços não têm como objetivo alterar suas dimensões, mas sim melhorar a estrutura disponível. A prefeitura destaca que os projetos de requalificação são elaborados após diálogo com moradores, o que influencia diretamente na preservação dos formatos originais.
"As obras só acontecem após um diálogo com a comunidade. As equipes procuram replicar no projeto os desejos dos moradores, não só em relação aos equipamentos instalados, mas também outras demandas. Em diversos casos, as comunidades pedem que não se perca um centímetro sequer do terreno e que o formato peculiar seja mantido", acrescenta a gestão.
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Arena Paulo Cristóvão, localizada em Saramandaia, na Travessa Santo Antônio de Padua | Foto: Google Maps
BALANÇO DAS INTERVENÇÕES
O processo de requalificação desses equipamentos teve início em 2013. A partir de 2021, a Prefeitura passou a incluir a instalação de gramado sintético nas intervenções, mantendo as características originais dos campos.
Dados apresentados pela gestão a esta reportagem indicam que 96 campos públicos já receberam gramado sintético em Salvador. Outros 32 equipamentos foram requalificados e estão em uso, embora ainda não tenham sido oficialmente inaugurados.
A administração também informou que seguirá investindo nesses espaços com a meta de ampliar a quantidade de campos na capital, mantendo o modelo baseado nas demandas locais.
A Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) divulgou nesta semana o resultado de uma licitação que prevê até R$ 75,5 milhões para serviços de instalação de gramados sintéticos. A reportagem do Bahia Notícias procurou a autarquia, vinculada à Setre (Secretaria de Trabalho, Renda, Esporte e Lazer) para detalhar como os recursos devem ser utilizados, além do tipo de contratação.
A licitação, na modalidade concorrência presencial, tem como objetivo o registro de preços para instalação de grama sintética, implantação de manta drenante (que auxilia na absorção de impacto e escoamento da água), fornecimento de kits de irrigação, entrega de insumos e execução completa dos serviços. A empresa vencedora foi a NYOM Comércio e Serviços LTDA, com o valor total registrado de R$ 75.549.999,55.
Segundo o órgão, a maior parte dos serviços previstos está relacionada ao Projeto Areninhas, iniciativa voltada à implantação de campos com grama sintética em diferentes municípios baianos. Além disso, a contratação também contempla intervenções em estádios e projetos sociais.
De acordo com a Sudesb, cerca de 100 unidades já foram entregues em um primeiro pacote do programa. A grama sintética é apontada como insumo fundamental para a execução dessas estruturas, incluindo campos esportivos utilizados em ações comunitárias e de incentivo ao esporte.
REGISTRO DE PREÇOS
O órgão explicou ainda que o novo processo licitatório foi aberto após o esgotamento do registro de preços anterior. Dessa forma, a atual concorrência visa viabilizar um novo banco de preços para futuras contratações, conforme a demanda.
A Sudesb ressaltou que, por se tratar de um registro de preços, a execução dos serviços não ocorre de forma imediata e depende de autorizações posteriores. Nesse caso, a liberação para contratação está condicionada à autorização do governador do estado.
ENTENDA O MODELO
O registro de preços é um mecanismo utilizado pela administração pública para garantir agilidade em contratações futuras. A partir dele, os serviços podem ser acionados conforme a necessidade, sem a obrigatoriedade de utilização integral do valor registrado.
PROJETO ARENINHAS
O projeto "Areninhas" está em vigor desde 2023. Entre 2023 e 2025, conforme informação antecipada com exclusividade pela reportagem do Bahia Notícias em março de 2025, R$ 442,7 milhões foram destinados à construção e revitalização de 353 espaços esportivos em todo o estado. Na ocasião, foram concluídos 192 equipamentos, com outros 161 ainda com obras em execução.
Um dos grandes destaques do projeto foi a construção de 106 areninhas, que à época somavam 85 unidades entregues e 21 em andamento, totalizando um investimento de R$ 100,1 milhões.
Os clubes da Série A que adotam gramados sintéticos divulgaram, na manhã desta quinta-feira (11), uma nota oficial conjunta em resposta às declarações do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. O dirigente havia criticado o uso do piso artificial, tema que voltou ao centro das discussões após o clube carioca formalizar uma proposta de padronização dos gramados do futebol brasileiro junto à CBF.
A manifestação foi publicada por Atlético-MG, Palmeiras, Chapecoense e Athletico-PR em suas redes sociais. O Botafogo, que também assinou o documento, ainda não havia reproduzido o texto até o momento da divulgação.
Na nota, os clubes que utilizam o recurso defenderam o modelo adotado em seus estádios, afirmando que a discussão sobre qualidade dos campos precisa considerar a ausência de padronização nacional. O grupo também declarou que não há comprovação científica que associe gramados sintéticos modernos ao aumento de lesões entre jogadores. As equipes reforçaram que a tecnologia segue normas internacionais e que deve ser analisada dentro de um contexto técnico mais amplo.
A reação ocorreu dois dias depois de o Flamengo encaminhar à CBF o “Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro”, documento que propõe parâmetros para elevar o padrão dos campos no país. Entre os pontos apresentados, está a recomendação pelo fim dos gramados sintéticos na elite do futebol nacional. A discussão acontece em um momento de expansão do uso do piso artificial na Série A: com os acessos de Athletico-PR e Chapecoense, 30% dos clubes passarão a mandar seus jogos em superfície sintética em 2026 — incluindo ainda Palmeiras, Botafogo e Atlético-MG.
A nota conclui ressaltando que o debate sobre qualidade dos gramados é considerado necessário pelos clubes signatários, mas que, segundo eles, deve ser baseado em critérios técnicos.
Leia a nota completa abaixo na íntegra:
"Diante das recentes declarações públicas sobre a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro, Athletico Paranaense, Atlético, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras reafirmam sua posição em defesa dessa tecnologia, adotada de forma responsável, regulamentada e alinhada às melhores práticas internacionais.
Em primeiro lugar, é imprescindível reconhecer que não existe padronização de gramados no Brasil. Ignorar esse fato e direcionar críticas exclusivamente aos gramados sintéticos reduz um debate complexo a uma narrativa simplificada, injusta e tecnicamente equivocada.
Também reiteramos que um gramado sintético de alta performance supera, em diversos aspectos, os campos naturais em más condições presentes em parte significativa dos estádios do país.
É igualmente importante esclarecer que não há qualquer estudo científico conclusivo que comprove aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos.
O tema da qualidade dos gramados é legítimo, saudável e necessário. Porém, deve ser conduzido com responsabilidade, dados objetivos e conhecimento técnico, e não com narrativas que distorcem a realidade, desinformam o público e desconsideram a complexidade do assunto.
Athletico Paranaense - Atlético - Botafogo - Chapecoense - Palmeiras"
O Flamengo encaminhou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um documento com sugestões para a criação do "Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro". A proposta, divulgada pelo clube no último domingo (8), busca estabelecer parâmetros mínimos para os campos utilizados nas competições nacionais.
Segundo o comunicado rubro-negro, o objetivo é elevar o padrão dos gramados, reduzir riscos de lesões e aproximar o futebol brasileiro das principais ligas internacionais. O Flamengo argumenta que atletas de alto nível, brasileiros e estrangeiros, podem demonstrar insatisfação com algumas condições atuais e podem, no futuro, evitar atuar no país.
Entre os principais argumentos, a proposta sugere:
- Substituição gradual dos gramados sintéticos da Série A até o fim de 2027 e da Série B até 2028;
- Definição de requisitos mínimos de qualidade, como altura e densidade da grama, tipo de preenchimento, coloração e camada de amortecimento;
- Padronização dos campos, seguindo estudos que apontam impacto das superfícies na saúde dos jogadores.
O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, falou a respeito do tema durante o evento que elencou os melhores do Brasileirão 2025, promovido pela CBF. De acordo com ele, estádios brasileiros comportarem gramados sintéticos ou ruins é 'uma vergonha'.
"Nós temos feito uma campanha importante contra o gramado de plástico. Ano que vem serão 18 estádios e seis de plástico. Não tem nenhum desses na Europa e não tem nenhum desses na América do Sul. Do meu ponto de vista é uma vergonha que a gente aceite isso no Brasil. Nós vamos trabalhar abertamente contra isso. Não só pela padronização dos gramados, mas pelo campo que a gente jogue. Campo de plástico não! Essa é a posição do Flamengo, já tenho dito e a gente repete. Quem pensa em ganhar dinheiro fazendo show devia mudar de negócio: sai do futebol e vai viver de show business, não tem problema. Mas achar que o futebol precisa de um campo de plástico porque pra fazer show... definitivamente a gente não concorda com isso", disparou Bap.
?? “Nossa campanha é contra o gramado de plástico. É uma vergonha que a gente aceite isso no Brasil.”
— Planeta do Futebol ???? (@futebol_info) December 9, 2025
“Quem quer dinheiro com shows, troca de negócio. Sai do futebol e vai viver de Show Business.”
????? Bap, presidente do Flamengo.
???? @trivela | @guicalvano https://t.co/dmq39DofxZ
O envio do documento faz parte da consulta aberta pela CBF para atualização do Regulamento Geral de Competições (RGC) e do Regulamento Específico (REC) do Brasileirão 2026. O clube informou que agora aguarda a formalização do grupo de trabalho responsável por aprofundar a discussão antes do início da próxima temporada.
Atualmente, cinco clubes da Série A utilizam gramado sintético: Atlético-MG (Arena MRV), Athletico-PR (Ligga Arena), Botafogo (Nilton Santos), Chapecoense (Arena Condá) e Palmeiras (Allianz Parque).
Clique neste link e confira o ofício completo, proposto pelo Flamengo.
Um grupo de jogadores do futebol brasileiro iniciou um movimento contra a utilização de gramados sintéticos nos estádios do país. Atletas como Neymar, Thiago Silva, Gerson, Dudu, Philippe Coutinho, Lucas Moura e Gabigol divulgaram, na manhã desta terça-feira (18), uma nota oficial nas redes sociais pedindo a padronização de campos com gramado natural de qualidade.
"Nas ligas mais respeitadas do mundo os jogadores são ouvidos e investimentos são feitos para assegurar a qualidade do gramado nos estádios. Trata-se de oferecer qualidade para quem joga e assiste. Se o Brasil deseja definitivamente estar inserido como protagonista no mercado do futebol mundial, a primeira medida deveria ser exigir qualidade do piso que os atletas jogam e treinam", informa um trecho do comunicado.
Atualmente, apenas dois clubes da Série A utilizam gramado sintético: Palmeiras e Botafogo, os últimos campeões do Campeonato Brasileiro. O Atlético-MG também está em processo de instalação do piso artificial, enquanto o Athletico-PR, tradicional adepto desse tipo de gramado, jogará a Série B em 2025 após ter sido rebaixado em 2024. Veja a publicação abaixo:
NOTA OFICIAL DOS JOGADORES
"Preocupante ver o rumo que o futebol brasileiro está tomando. É um absurdo a gente ter que discutir gramado sintético em nossos campos. Objetivamente, com tamanho e representatividade que tem o nosso futebol, isso não deveria nem ser uma opção. A solução para um gramado ruim é fazer um gramado bom, simples assim.
Nas ligas mais respeitadas do mundo os jogadores são ouvidos e investimentos são feitos para assegurar a qualidade do gramado nos estádios. Trata-se de oferecer qualidade para quem joga e assiste.
Se o Brasil deseja definitivamente estar inserido como protagonista no mercado do futebol mundial, a primeira medida deveria ser exigir qualidade do piso que os atletas jogam e treinam.
FUTEBOL PROFISSIONAL NÃO SE JOGA EM GRAMADO SINTÉTICO!"
A prefeitura de Salvador entregou neste sábado (25) dois campos requalificados nas comunidades do Bairro da Paz e São Marcos. Os equipamentos estão localizados na Rua da Jamaica, no Bairro da Paz, e na comunidade Klesus Rocha, em São Marcos.
Nos locais foram realizadas obras de infraestrutura, reforma da arquibancada, troca da rede de cobertura, placas de amortecedores e traves, entre outros serviços.
O primeiro a ser entregue foi o campo do Bairro da Paz. “Iniciamos esse processo de implantação de grama sintética nos campos municipais. Esse trabalho que a gente faz é por toda a cidade, em especial nos bairros mais distantes e pobres, onde as pessoas não têm condições de pagar para alugar um campo sintético para jogar”, afirmou o prefeito Bruno Reis (União).

Bruno destacou que o esporte é uma ferramenta de inclusão social. “Antes, as crianças jogavam aqui num campo de barro, a bola caía na avenida Paralela e elas corriam risco de acidentes. Hoje, ocorreu essa verdadeira transformação. O esporte é uma ferramenta de inclusão social. E um dos exemplos de como a prefeitura pode ajudar no enfrentamento à violência é esse, a construção de um equipamento como esse”, salientou.
Até o momento foram entregues 27 campos com grama sintética na capital baiana, e outros 62 equipamentos esportivos estão com obras em andamento. Atualmente, Salvador tem 756 campos e quadras cadastrados. Destes, 549 foram construídos e reformados pela administração municipal.
“Por isso, a prática do esporte, associada ao lazer, é uma ferramenta essencial para proporcionar oportunidades de fortalecimento da autoestima e na formação de indivíduos mais conscientes”, frisou o secretário de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Júnior Magalhães.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Bacelar
"É a melhor que poderia ser construída".
Disse o deputado federal da Bahia, Bacelar (PV) ao avaliar a escolha do grupo governista em manter uma chapa “puro-sangue” para a disputa estadual deste ano. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (25), o parlamentar alega que esta formação é “a melhor chapa que poderia ser construída”.