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fiol 2
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou problemas considerados graves em uma ponte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), no Oeste da Bahia, e apontou atraso crônico nas obras do trecho entre Caetité e Barreiras, a chamada Fiol 2.
Segundo a Folha, na vistoria realizada no dia 17 de junho deste ano, técnicos do TCU encontraram uma fenda no solo junto à fundação de uma ponte sobre o riacho Desvio de Pedras, em São Félix do Coribe.
Segundo relatório preliminar, há “risco concreto, atual e crescente de comprometimento estrutural”, com possibilidade de colapso parcial ou total da estrutura. A ponte teve o projeto reduzido de 74,6 para 35 metros, uma redução superior a 50%.
Conforme a auditoria, a mudança aproximou as cabeceiras do curso d’água e aumentou a área ocupada por aterro. O TCU afirma que a alteração foi aprovada sem vistoria de campo, justificativa técnica suficiente ou medidas de estabilização.
A rachadura identificada na base da estrutura foi classificada pelos auditores como a “evidência mais crítica” da fiscalização e um sinal de possível erosão do solo, que poderia se agravar durante períodos de cheia.
INFRA
A Infra S.A., responsável pela contratação e fiscalização das obras, contestou a avaliação. Segundo a estatal, a estrutura observada está em uma etapa intermediária e provisória da construção e não representa o projeto definitivo.
A empresa afirmou ainda que a movimentação no aterro não decorre de falhas estruturais e determinou à construtora a correção do problema até o fim de agosto. Sobre a redução do tamanho da ponte, a Infra S.A. declarou que a alteração seguiu normas de engenharia e critérios hidrológicos validados.
O Consórcio TT-Fiol, formado pela TCE Engenharia e pela Tiisa Infraestrutura e Investimentos, não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.
OBRA ATRASADA
Além dos problemas na ponte, o TCU apontou atraso nas obras do trecho de 159 quilômetros da Fiol 2. O lote começou a ser construído em janeiro de 2011 e, dez anos depois, quando o contrato original foi rescindido, apenas 14% da obra estava concluída.
Em 2021, a Infra S.A. contratou o Consórcio TT-Fiol para concluir os 132 quilômetros restantes. O contrato, de R$ 500,2 milhões, previa a entrega do trecho em dezembro de 2024. O prazo foi depois prorrogado para dezembro de 2026 e, segundo o novo cronograma, a conclusão deverá ficar para dezembro de 2027.
Em janeiro deste ano, quatro anos após a assinatura do contrato, 49% do valor previsto para a obra havia sido executado, contra 72,46% esperados. A implantação da estrutura ferroviária, incluindo os trilhos, havia alcançado apenas 14% do trecho.
A situação financeira da Tiisa, que está em recuperação judicial, também foi apontada pelo TCU como um fator de risco para a continuidade dos trabalhos.
Ainda segundo a Folha, a Infra S.A. chegou a preparar a rescisão unilateral do contrato, com previsão de multa de R$ 61,3 milhões e acionamento das garantias. A medida, porém, não foi adotada.
Em 18 de junho, um dia após a vistoria do TCU, a estatal assinou um Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC) com o consórcio. O acordo estabeleceu um novo cronograma e manteve a previsão de conclusão para dezembro de 2027.
O TCU avaliou que a manutenção do contrato pode evitar os custos e atrasos provocados por uma nova licitação, mas também apontou risco de o prazo de 2027 não ser cumprido diante do volume de serviços pendentes e da situação financeira da Tiisa.
A Infra S.A. afirmou que o relatório do TCU é preliminar e tem natureza de documento de trabalho. Sobre o CAC, a estatal declarou que a decisão de manter o contrato foi baseada em estudo que apontou vantagem na continuidade das obras. Segundo a empresa, o acordo prevê metas, mecanismos de cobrança e penalidades, incluindo a possibilidade de rescisão em caso de descumprimento.
No fim de agosto do ano passado, o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, afirmou ao Bahia Notícias que a Fiol 2, entre Caetité e Correntina, estava com 71% das intervenções concluídas. A declaração foi feita durante o seminário “Ferrovias e o Desenvolvimento da Bahia”, realizado em Salvador.
Um edital foi publicado nesta quinta-feira (4) para concluir as obras da chamada Fiol [Ferrovia Oeste-Leste 2], que abrange Caetité, no Sudoeste; a Barreiras, no Extremo Oeste. O valor destinado será de R$ 507 milhões, com abertura das propostas para as empresas interessadas marcada para o dia 6 de novembro.
Conforme o governo federal, a empresa vencedora ficará responsável pela execução dos serviços remanescentes para concluir o trecho de 37,5 quilômetros, subdivido em dois lotes, um de 12,3 km e outro de 23,45 km.
A Fiol 2 está com 71% de concluída, conforme informou o Bahia Notícias o presidente da Infra S.A, Jorge Bastos, durante o seminário "Ferrovias e o Desenvolvimento da Bahia", realizado na Index 2025, no Centro de Convenções de Salvador. A estimativa é que os trabalhos comecem no início de 2026, com previsão de serem concluídos em 43 meses.
A Fiol 1 que liga Ilhéus a Caetité está com as obras paralisadas e há uma possibilidade de que a Bamin, responsável pelo trecho, deixe de operar, caso semelhante ao que ocorreu com a ViaBahia, o que prevê um nova concessão para as obras do itinerário.
Já a Fiol 3 [que completa o percurso total de 1,5 mil km de extensão] continua na fase de estudos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Paulo Henrique Rodrigues
"O Brasil demorou para fazer políticas para entender que essa grande qualidade artística do nosso povo, um povo criativo, preparado intelectualmente e artisticamente, culturalmente muito rico, poderia significar renda, emprego, geração de uma indústria cultural ou criativa".
Disse o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira ao ressaltar o impacto da economia criativa e a necessidade de estruturar o setor no país. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o ministro fez um balanço sobre a relação entre cultura e negócios, reconhecendo que o Brasil tardou a transformar seu potencial em força econômica.