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escola de samba unidos de itapua
A Escola de Samba Unidos de Itapuã realiza no próximo dia 18 de janeiro o 7º Festival de Samba-Enredo, para definir a composição que a agremiação levará para as ruas no Carnaval de 2026.
Com o tema "Isso só acontece em Itapuã: tradição, fé e identidade cultural nas manifestações de uma comunidade ancestral", as três canções finalistas serão apresentadas ao público em uma festa gratuita que acontece no Largo de Dona Cabocla, na Rua Gravatá, em Itapuã.
Os seis compositores selecionados para a final do 7º Festival de Samba-Enredo da Unidos de Itapuã são Alexandre Menestrel, Jan de Sannta, Lenny Chagas, Dú Marques, O Bêça e Valter Ouro. Com trajetórias ligadas à cultura popular e com uma forte relação com Itapuã, os finalistas apresentam trabalhos que dialogam com tradição, identidade cultural e vivência comunitária.
Cada um com a sua originalidade, os escolhidos são cantores, compositores, instrumentistas e produtores culturais, com trabalhos que transitam entre o samba de raiz, o samba-enredo, o samba-reggae e outras expressões populares.
As composições, por sua vez, abordam temas como ancestralidade, fé, pertencimento territorial e resistência cultural, refletindo experiências pessoais e memória coletivas reverenciadas no bairro. O primeiro colocado receberá R$ 1000, o segundo vai embolsar R$ 600 e o terceiro compositor escolhido levará para casa um prêmio de R$ 400.
Escola. Palavra de origem latina. Substantivo feminino. Ócio dedicado ao estudo, ocupação literária, lição, curso, lugar onde se ensina.
É com esse propósito que a Escola Unidos de Itapuã, primeira escola de samba entrevistada para o especial 'Samba que existe e resiste', do Bahia Notícias, surge. A ideia, em sua criação, era passar adiante os ensinamentos de percussão e funcionar como um espaço para auxílio social da comunidade.
Até que, em um momento, é notado o potencial da escola de se transformar em uma agremiação com força suficiente para movimentar o bairro de Itapuã durante as festas populares e resgatar uma tradição antiga do Carnaval de Salvador: o desfile das escolas de samba.
Foto: @unidosdeitapuaoficial
"A Unidos de Itapuã surgiu em 2007 com o propósito de dar aula, de passar o conhecimento para os outros. Éramos só cinco amigos, músicos, e pensamos nisso de ensinar para as pessoas, e nosso foco era ensinar samba, porque Itapuã é um bairro sambista, a gente passou a nossa infância toda escutando samba. E com isso, pensamos: 'pô, a gente precisa montar uma bateria', e montamos essa bateria de escola de samba", conta Nailton Maia, de 49 anos, gestor da Unidos de Itapuã.
Para Nailton, o ensino através da arte sempre foi um fator fundamental na transformação da comunidade. "A gente via os meninos na rua e pensava em uma forma de passar esse conhecimento, de criar essa ligação com o bairro", pontua.
O samba, que era para ser miudinho, mas com o propósito de ensinar, ganhou a dimensão de uma grande roda e foi adaptado para o que o público conhece atualmente como uma das escolas de samba da capital baiana, com apresentações em diversos eventos da cidade.
Foto: @unidosdeitapuaoficial
"A gente não vivenciou a década de 50 a 70, quando existiam as escolas de samba, a gente tinha o conhecimento dos blocos afro, e quando a gente mergulha nesse mundo de escolas de samba e vê esse mundaréu que tinha, o marzão que acontecia em Salvador, entendemos o lugar que tínhamos chegado", conta.
Segundo Nailton, pessoas de fora começaram a incentivar o grupo de amigos a investir no conceito de escola de samba, convidar porta-bandeira, criar alegorias, e o apoio da velha guarda no resgate da tradição foi fundamental para que a Unidos de Itapuã migrasse do conceito de apenas um "centro de estudos" para a escola de samba.
"Quando começa a chegar a velha guarda, que vivenciou o tempo de ouro, ali a gente mergulha profundamente nesse conceito, e esse processo foi engraçado porque se cruza com o que aconteceu na história, com a ligação do Terno de Reis."
A história em questão é a semelhança entre a manifestação religiosa, que também é conhecida como Folia de Reis, e o Carnaval, que acontece com um grupo de cantores e músicos visitando as casas e desfilando com estruturas musicais e alegóricas.
"Aqui em Itapuã tem o Terno de Reis, aí Pedreira (do Amigos de Pedreira) sugeriu da gente colocar um mestre-sala e uma porta-bandeira para desfilar. Atualmente, essas duas pessoas, que desfilaram com a gente no início, são nossos destaques, e eles conseguiram descobrir a forma deles de dançar, criaram a identidade deles."
Foto: @unidosdeitapuaoficial
Atualmente, a Unidos de Itapuã conta com pouco mais de 100 pessoas em seus desfiles. O número é uma média e depende, também, de quantas pessoas podem participar da festa. Em projetos como o Carnaval no Pelourinho, por exemplo, o número é reduzido para 50, algo curioso, porém, justificável, devido às adversidades apresentadas pela escola.
"Nós participamos de editais. Se a gente não for contemplado no grupo, não tem como tocar na festa. No Pelourinho a gente toca e a velha guarda pergunta como a gente consegue tocar subindo e descendo ladeira. Muita gente optou por sair de lá por não ser um lugar com possibilidade para tocar direito devido a essa questão da mobilidade."
Foto: @unidosdeitapuaoficial
No cenário atual, onde as cores da folia são determinadas pelos abadás de cada bloco, o brilho das escolas de samba já não consegue reluzir tanto quanto o glitter, que nem sempre é biodegradável.
"Não temos espaço nenhum. Tem muita gente que veio do nascimento e do renascimento; eles contam muito o que aconteceu no auge das escolas de samba até agora. E o espaço deles antigamente era como um teatro de rua. Quando veio o trio elétrico, isso foi jogado um pouco para trás, ficou de escanteio, o incentivo público também minou. Muitos artistas das escolas de samba migraram para os Blocos Afro, para os Blocos de Índio."
Foto: @olhosdepadua
O músico relembrou ao site um dos momentos mais críticos da escola nos mais de 15 anos de existência: sobreviver à pandemia da Covid-19, que foi diretamente prejudicial para o mercado do entretenimento.
"Uma das maiores dificuldades nossa foi durante a pandemia e no pós, porque a gente fazia um trabalho de formiguinha, trabalhava no verão para manter a escola durante o ano todo. Além dos editais, fazíamos trabalhos em hotéis. Quando veio a pandemia, a gente ficou zerado. Tivemos que tirar do nosso bolso. Hoje, eu digo para você que a gente conseguiu se reerguer. A gente já estava acostumado com o poder público não investir nessa área, então começamos a nos capacitar e hoje a gente já sabe o caminho que a escola quer a curto e a longo prazo."
O PALCO EM CASA
Se falta espaço no circuito tradicional, a Unidos de Itapuã faz a festa em casa, no bairro onde foi fundada e que a partir de 2026 será circuito oficial da folia na Bahia.
"Aqui em Itapuã a gente costuma dizer que o nosso Carnaval é a nossa lavagem. Aqui a gente consegue colocar nossa escola para desfilar com as três alas, tudo certinho. No Pelourinho, através do edital que a gente participa, não tem como. Na avenida também não tem como, e eu acredito que ali é um dos carnavais mais culturais que existem, mas não temos esse espaço para que a gente consiga passar a mensagem que a gente quer passar. Os foliões ficam dispersos com tantas informações, palco e trio."
Foto: @unidosdeitapuaoficial
Festa centenária, a Lavagem de Itapuã se transformou ao longo dos tempos, mas segue com o propósito de homenagear a padroeira do bairro, Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, e envolve diversos rituais, entre eles a lavagem das escadarias, um cortejo de Piatã até Itapuã, a famosa baleia rosa, o café da Dona Niçu, servido tradicionalmente pela família da moradora que iniciou a pré-lavagem do evento. E como em Salvador tudo consegue virar festa, após os rituais, a lavagem abre espaço para o desfile de blocos, fanfarras e grupos musicais.
Em 2026, o bairro de Itapuã será um dos pontos oficiais do Carnaval de Salvador após a oficialização, por parte do Governo da Bahia, do Circuito das Águas, que faz o percurso entre o Parque Metropolitano do Abaeté e o monumento à Sereia.
De acordo com o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, a oficialização do espaço veio com o propósito de dinamizar o Carnaval de Salvador e promover a festa fora dos circuitos tradicionais. Para Celso Di Niçu, organizador da Lavagem de Itapuã, a oficialização do circuito é uma conquista da comunidade e um reconhecimento da potência do bairro.
"A efetivação do Circuito das Águas é um anseio já antigo da comunidade de Itapuã. O Circuito das Águas foi inaugurado em 1980, com o primeiro desfile do Bloco Afro Malé de Balê. E ao longo desses anos, a comunidade itapuãzeira sempre vem fazendo as suas celebrações, começando na Lagoa do Abaeté e terminando na Sereia, o que remete ao Circuito das Águas, às águas doces de Oxum, com as águas salgadas de Iemanjá. Nós temos muitas coisas para oferecer à cidade", afirmou ao BN.
Foto: @unidosdeitapuaoficial
Para o presidente da Unidos de Itapuã, é necessário revitalizar essa aba da cultura carnavalesca baiana. "Eu vejo que a gente precisa de espaço, precisa dessa revitalização, não só das escolas, mas dos blocos também. Hoje em Salvador temos três escolas atuando, e a gente não tem esse espaço onde a gente consiga mostrar a nossa área".
Nailton ainda pontua que, em meio ao debate sobre a criação do sambódromo em Salvador, a capital e as escolas de samba precisam de um espaço onde a mensagem consiga ser passada de forma clara, que chegue ao público, algo que, atualmente, foge do conceito participativo do Carnaval de Salvador.
"O samba precisa voltar para o lugar onde ele merece aqui em Salvador."
A próxima edição do Sarau de Itapuã da Casa da Música recebe na próxima segunda-feira (08), às 18h, a final do 4º Festival de Samba Enredo 2018, promovido pela Escola de Samba Unidos de Itapuã. A entrada é gratuita. De acordo com informações da SecultBA, o 4º festival traz o tema Bahia de todos os Santos, Encantos e Axé, e tem como objetivo promover a união dos compositores e intérpretes amantes da música popular brasileira. Desde 2015, o festival, já tradicional no bairro, é promovido pela Escola de Samba Unidos de Itapuã.
SERVIÇO
O QUÊ: Sarau de Itapuã da Casa da Música
QUANDO: Segunda-feira, 8 de janeiro, às 18h
ONDE: Centro Cultural Casa da Música - Itapuã
VALOR: Entrada gratuita
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Donald Trump
"Entendo que ela virá na próxima semana e estou ansioso para cumprimentá-la".
Disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao afirmar que deve se reunir com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, na próxima semana, em Washington.