Artigos
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?
Multimídia
Mansur diz que candidatura feminina no PSOL deve ser decidida pelas mulheres
Entrevistas
Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
economia brasileira
Um estudo realizado pelo economista Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), calculou que, além dos riscos de vício e impactos sobre o endividamento das famílias, o impacto das bets também pode atingir o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Segundo o estudo inédito, divulgado na imprensa pela BBC Brasil nesta segunda-feira (24), as apostas retiraram entre R$120 bilhões e R$141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o que equivale a cerca de 0,9% a 1,1% do PIB daquele ano.
"Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 [que foi de 2,3%] e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro", compara Klein, no estudo.
Em setembro de 2025, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda estimou o potencial impacto da tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em 0,2 ponto percentual do PIB entre agosto daquele ano até o final de 2026. Em julho, esse tarifaço foi prorrogado por mais um ano e os EUA anunciaram tarifas adicionais de 25% e 12,5% neste ano.
Para calcular o efeito das bets sobre o PIB, Klein parte de uma estimativa de transferência líquida de recursos das famílias para as plataformas de apostas. "Estamos falando basicamente da diferença entre o que é gasto pelas famílias em apostas e o que elas recebem de volta", diz o economista.
"Porque, pela própria natureza do jogo, obviamente o que as pessoas vão receber, em média, é menor do que o que elas pagam”. Estatísticas do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), com base em pagamentos do Banco Central, estimam que essa transferência líquida de recursos chegue a R$62,5 bilhões em 2025.
Esse valor importa, explica Klein, porque cada R$1 "perdido" para apostas representa menos dinheiro disponível para o consumo.
"As pessoas de renda menor gastam proporcionalmente mais da renda delas com consumo", observa Klein. "Porque a pessoa que ganha pouco acaba tendo que gastar tudo com aluguel, alimentação, vestuário e assim por diante. Então, levamos isso em conta para entender esse efeito agregado."
Com base em outras pesquisas já publicadas, o economista constrói então dois cenários: um em que a maior parte do gasto com apostas vem da faixa de menor renda (até 2 salários mínimos, ou R$ 3.036 em 2025), e outro em que o gasto é mais concentrado nas faixas de renda mais alta.
De posse desses dois cenários, o economista aplica um multiplicador — uma estimativa de quanto R$1 a mais ou a menos no bolso das famílias se converte em mais ou menos consumo na economia.
"Fazendo esse cruzamento, chegamos a um efeito entre R$120 bilhões e R$141 bilhões — um valor bem importante, porque é quase 1% do PIB", observa.
"O contrafactual, que é o que teria acontecido [sem as apostas], é sempre difícil de fazer em economia, mas esse montante é basicamente metade de todo o crescimento que a gente teve em 2025."
A partir da estimativa da queda do PIB, Klein calcula o impacto para a arrecadação do governo. "Isso ocorre basicamente via tributos indiretos, porque cada real gasto com consumo paga imposto", explica Klein.
Ele cita como exemplos o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Imposto Sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que serão substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com a reforma tributária, que começou a ser implementada este ano.
No estudo, Klein estima que uma queda de 1% no PIB provoca uma perda de 0,8% a 1,2% na arrecadação.
Como a carga tributária bruta foi de cerca de 32,4% do PIB em 2025, a redução da atividade econômica causada pelas bets implicaria uma perda líquida de R$ 22 bilhões a R$ 46 bilhões da arrecadação, descontados os R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com os impostos cobrados das plataformas de apostas.
Para Klein, o que os resultados sugerem é que o Brasil deveria, no mínimo, aumentar a tributação das bets. "A taxação tem que ser ampliada, para que, pelo menos, tenhamos um aumento da arrecadação líquida", defende o economista.
"Não faz sentido nenhum permitir uma atividade que reduz a arrecadação, que aumenta a desigualdade num país já tão desigual, e causa uma série de outros problemas sociais e de saúde, que são o que a gente em economia chama de externalidades", observa.
Renan Santos classifica fim da escala 6x1 como 'maluquice' e defende extinção da Justiça do Trabalho
O candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), defendeu nesta terça-feira (18) o encerramento das atividades da Justiça do Trabalho e criticou a articulação pelo fim da escala de trabalho seis por um, classificando a proposta como "maluquice."
As declarações foram feitas durante uma sabatina promovida pela União Nacional de Entidades dos Setores de Comércio e Serviços (Unecs) com representantes do setor produtivo.
Durante o evento, o fundador do MBL afirmou que o Congresso Nacional se acovardou diante do governo federal e do projeto de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL). De acordo com o candidato, a alteração na jornada de trabalho provocaria a "quebradeira da economia" e será descartada em um eventual governo sob sua gestão.
Ao abordar a legislação trabalhista, Renan avaliou o modelo atual como anacrônico e sustentou que a estrutura vigente coloca empregados e empregadores em situação de confronto, afirmando que empresários chegam a ser tratados como "bandidos" no âmbito trabalhista.
No mesmo discurso, o candidato também teceu críticas aos seus adversários na corrida presidencial. Ele declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "precisa se aposentar" e afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "não sabe o que está fazendo."
O mercado de trabalho brasileiro acumulou 10,1 milhões de vínculos de emprego formal, de janeiro 2023 a junho 2026, uma expansão de 19,1% no período, alcançando em junho um estoque de 62.891.209 vínculos formais. Os dados são da RAIS Mensal de junho, divulgada nesta quinta-feira (13), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo o balanço, o resultado é fruto do acumulado de 7,9 milhões observado até final de 2025 e outros 2,2 milhões de vínculos criados no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 3,6%.
Os empregados contratados pela CLT, inclusive os temporários, registraram crescimento relativo de 4,75 milhões de vínculos (10,9%) e o maior crescimento absoluto no período (13,5%), passando de 43,4 milhões de vínculos em janeiro de 2023 para 48,15 milhões em junho desse ano. Entre os agentes públicos, a ampliação foi de 5,1 milhões de vínculos no período, chegando a 14,3 milhões de vínculos em junho.
De acordo com os dados, a ampliação dos empregos no período ocorreu principalmente pelo aumento de empregados celetistas e trabalhadores temporários (usualmente divulgados no CAGED) que registraram uma expansão de 919.621 novos vínculos (1,9%), ampliando o estoque de empregos formais privados de 47,2 milhões em dezembro de 2025 para 48,15 milhões em junho de 2026. Os agentes públicos tiveram uma expansão de 1,51 milhão de vínculos, crescimento de 11,9%, saindo de 12,79 milhões em 2025 para 14,31 milhões em junho de 2026.
Outros tipos de vínculos (trabalhadores avulsos, dirigentes sindicais, trabalhadores cedidos, diretores não empregados) aumentaram 6,3%, passando de 402 mil para 429 mil vínculos.
DADOS SETORIAIS
O setor de Serviços apresentou o maior crescimento absoluto (28,3%), com criação de 8,45 milhões de vínculos. O estoque de empregos no setor passou de 29,81 milhões para 38,26 milhões, ampliando sua participação no mercado formal de 56,5% para 60,8%.
O conjunto formado por administração pública, educação, saúde e serviços sociais registrou crescimento de 6,03 milhões de vínculos, ou 42,1%. Nas atividades de informação, comunicação, financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, o crescimento foi de 1,5 milhão de vínculos, ou 16%.
A Indústria também apresentou crescimento, com adição de 832 mil vínculos (10%), alcançando 9,15 milhões de empregos em junho de 2026. A Construção passou de 2,68 milhões para 3,04 milhões de vínculos, crescimento de 357 mil, ou 13,3%.
O Comércio teve crescimento de aproximadamente 340 mil vínculos, passando de 10,2 milhões para 10,54 milhões, variação de 3,3% e a Agropecuária um crescimento de 88 mil vínculos (5%), alcançando 1,86 milhão de postos em junho de 2026.
REGIÕES E UNIDADES DA FEDERAÇÃO
Todas as regiões apresentaram expansão do estoque formal. Em números absolutos, o maior crescimento ocorreu no Sudeste, com 3,78 milhões de vínculos, seguido pelo Nordeste, com 2,69 milhões. Em termos relativos, o maior crescimento regional ocorreu no Norte (34,7%) e no Centro-Oeste (28,6%). Em seguida veio o Nordeste, com crescimento de 27,6%, o Sudeste, com 14,6%, e o Sul, com crescimento de 12,3%.
São Paulo foi o maior gerador entre os estados, com 1,64 milhões de novos vínculos, seguido por Minas Gerais (1,29 milhão), Rio de Janeiro (683 mil), Distrito Federal (649 mil) e Bahia (641 mil). Em termos relativos, os destaques foram Roraima (70,8%), Distrito Federal (51,9%), Amapá (48,8%), Tocantins (45,9%) e Piauí (39,5%).
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,6% ante o último trimestre de 2022. Na comparação ao mesmo período do ano passado foi registrado um avanço de 4,5%, segundo dados do Monitor do PIB, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os valores não são oficiais, o cálculo do PIB é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado trimestralmente.
De acordo com a FGV, só em março, a economia brasileira cresceu 1,8% em relação a fevereiro. Na comparação com março do ano passado, expansão chegou a 4,5%.
Na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o consumo das famílias cresceu 4,7%, principalmente pelos consumos de serviços e de bens não duráveis.
Os investimentos (formação bruta de capital fixo) avançaram apenas 0,2%. O desempenho do segmento foi prejudicado pela queda de 3,4% na parte de máquinas e equipamentos.
As exportações tiveram alta de 5,7%, puxadas pelos produtos da indústria extrativa mineral e pelos serviços, enquanto as importações recuaram 2,1%, devido aos recuos nas compras de produtos agropecuários, da extrativa e de bens intermediários.
Metodologia
O Monitor do PIB/FGV estima mensalmente o Produto Interno Bruto brasileiro, com base a mesma metodologia das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.