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A pressão sobre Gianni Infantino ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (31). Carlos Cordeiro, um dos principais assessores do presidente da Fifa, renunciou ao cargo em protesto contra o plano da entidade de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições organizadas pela federação internacional.
Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, Cordeiro estava na Fifa desde 2021. A saída foi anunciada por meio de um comunicado publicado no LinkedIn, no qual ele afirmou ter deixado a função com efeito imediato.
A proposta em discussão prevê a criação de uma empresa para administrar ativos comerciais de torneios da Fifa, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes. A ideia seria abrir parte dessa estrutura a investidores privados, em uma operação que poderia levantar bilhões de dólares.
Cordeiro afirmou que não participou da elaboração do projeto e disse ser contrário à medida. Para ele, a Fifa não deveria abrir mão de uma fatia de seu principal ativo comercial.
"Não posso permanecer de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo", declarou.
No comunicado, o ex-dirigente classificou a proposta como um "mau negócio" para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte. Ele também questionou a falta de respostas sobre pontos centrais da operação, como governança, supervisão, beneficiários e impactos de longo prazo.
A crítica ganhou peso por causa do histórico de Cordeiro no mercado financeiro. Além da carreira no futebol, ele trabalhou por mais de três décadas no setor bancário. No texto, o ex-assessor argumentou que a Fifa já tem capacidade financeira suficiente para investir no desenvolvimento do esporte sem vender parte dos direitos comerciais de seus torneios.
Cordeiro também citou as receitas recentes da entidade. Segundo ele, a própria Fifa informou ter gerado US$ 15 bilhões entre 2022 e 2026, o que reforçaria sua avaliação de que não há justificativa para negociar uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol mundial.
A renúncia ocorre em meio à reação de confederações e federações nacionais. As 55 associações filiadas à Uefa se posicionaram contra o projeto e ameaçaram boicotar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso a proposta avance.
A Confederação Asiática de Futebol também manifestou oposição ao modelo em discussão e defendeu uma revisão urgente dos processos de governança e tomada de decisão da Fifa. A Concacaf, que reúne federações da América do Norte, Central e Caribe, também aparece entre as entidades que reagiram ao plano.
O ponto central da controvérsia é a possibilidade de investidores privados passarem a ter participação econômica em competições que, historicamente, são administradas diretamente pela Fifa. Para críticos da proposta, a medida transformaria a Copa do Mundo em um produto financeiro e poderia comprometer o controle do futebol sobre suas próprias receitas.
A Fifa, por outro lado, tem defendido a busca por novas oportunidades comerciais depois da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Infantino afirmou recentemente que o sucesso financeiro do torneio abriu novas possibilidades de investimento para o futebol mundial.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou nesta terça-feira (28) um plano para criar uma empresa subsidiária destinada a gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições. O novo programa comercial pode ser avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões.
Batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), a estrutura consolidaria eventos e operações comerciais da entidade, que manteria o controle da subsidiária e autoridade exclusiva sobre governança, calendário e decisões esportivas e regulatórias, conforme informou O Estado de S. Paulo. Por meio da FFE, a Fifa venderia participações minoritárias a investidores privados, sem ceder domínio sobre a nova entidade.
Para viabilizar a aprovação do plano pelas 211 federações nacionais, a Fifa oferece um pacote de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões). Cada Associação Membro também receberia, de forma opcional, US$ 20 milhões destinados a projetos especiais do Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).
O plano prevê ainda crescimento progressivo nos repasses às federações. No ciclo 2027-2030, cada federação receberia US$ 20 milhões, ante os US$ 8 milhões atuais. Os valores subiriam para US$ 22 milhões no período 2031-2034 e para US$ 24 milhões entre 2035 e 2038.
Caso a FFE seja criada, a Fifa projeta captar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) ainda em 2026 para financiar o FFFP. A entidade descreveu o processo como uma "seleção criteriosa de investidores" de longo prazo. Os lucros líquidos da subsidiária seriam reinvestidos no desenvolvimento do futebol no mundo.
A Fifa condicionou o lançamento da estrutura ao respaldo da maioria das federações-membros. "Em pleno respeito aos princípios de governança e democráticos da Fifa, o lançamento dessa nova estrutura está condicionado ao apoio da maioria das federações-membros e às aprovações relevantes do Conselho da Fifa", diz a entidade.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Alexandre de Moraes
"Somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos".
Disse o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao encaminhar um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, no qual cita uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.