Artigos
A mãe da gula
Multimídia
Deputado Adolfo Menezes critica gastos com cachês de artistas em festas no interior da Bahia
Entrevistas
Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
commanches do pelo
O bloco indígena Commanches do Pelô completa 50 anos no carnaval 2024, mas apesar do clima de celebração, uma situação gerou chateação na diretoria da agremiação. O presidente do bloco, Jorginho Comancheiro, se ‘retou’ com a velocidade que o trio andava no circuito Osmar (Campo Grande), na noite deste domingo (11), e pediu mais de uma vez para que o motorista reduzisse e parasse na passarela da imprensa.
Presidente do Commanches do Pelô se chateia com ‘pressa’ do trio na comemoração dos 50 anos: “Respeite esse bloco cinquentenário”
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) February 12, 2024
????TVE pic.twitter.com/1yFWpLFAHX
“É o seguinte, esse trio é para parar um pouquinho aí. Eu falei isso no Conselho do Carnaval. Atenção trio, é pra parar um pouquinho aí, são 50 anos também de Commanches, eu quero ver a palma do meu povo, eu quero ver o meu povo brincar, é pra ficar aí um pouquinho parado”, reclamou.
“Não é pra ir não, é pra ficar aqui. Agradeço ao Carnaval Ouro Negro, agradeço à prefeitura, o Estado, mas, por favor, respeite esse bloco cinquentenário. É pra ficar aqui mais um pouquinho”, desabafou.
Resistência indígena no carnaval de Salvador, o Commanches do Pelô está entre as 132 entidades classificadas pelo edital Ouro Negro do Governo da Bahia, que neste ano investe R$ 14,7 milhões a blocos afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio.

Foto: Juracy Feitosa / Bahia Notícias

Foto: Juracy Feitosa / Bahia Notícias

Foto: Juracy Feitosa / Bahia Notícias
Resistência no Carnaval de Salvador, o Bloco Commanches do Pelô, um dos mais tradicionais da folia baiana, entra para o time dos cinquenta em 2024 e divide holofotes com os homenageados pela Prefeitura e Governo, os blocos afro.
Um mês mais velho que o mais belo dos belos, o "irmão de tradição" Ilê Aiyê, o Commanches do Pelô irá colocar o bloco na rua em meio às dificuldades vividas por grande parte das agremiações que fogem o meio comercial, a falta de investimento.
O apelo feito por Jorginho Comancheiro, presidente do Bloco Commanches do Pelô, é de mais atenção aos blocos de tradição da cidade.
"Fazer 50 anos não é qualquer coisa. Nós entramos no time dos 'enta', mas não estamos sozinhos. E sozinhos nós não podemos. O que eu quero que a prefeitura, o governo do estado e federal entendam é que somos todos uma tradição, eu quero que olhem para todos e olhem para o indígena também com o mesmo olhar do coração, o mesmo olhar cultural e a mesma assistência, porque tudo começou com os indígenas. Nós somos precursores de tudo isso", disse ao Bahia Notícias.
Foto: Bianca Andrade/ Bahia Notícias
Contemplado pelo edital Ouro Negro do Governo da Bahia, que neste ano investe R$ 14,7 milhões em 132 entidades afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio, para a realização dos desfiles carnavalescos, o Commanches recebe R$ 200 mil para a festa, mas busca uma atenção maior para além dos seis dias de folia.
Das 132 entidades classificadas, apenas dois são "blocos de índio" e levam a história dos povos originários para a avenida. O Commanche e o Apaches do Tororó, uma tradição que foi perdida desde o surgimento dos primeiros blocos na década de 60. "Esse é um ano de muitas tradições expostas, vocês não podem imaginar o que nós fizemos e o que deixamos de fazer para conseguir celebrar 50 anos de Carnaval da Bahia", conta Jorginho.
Com 50 anos nas costas, o Commanches sobrevive como uma marca de quem por aqui já passou e deseja continuar fazendo história, mas para isso, é necessário espaço e investimento.
"A importância de levar nosso bloco para rua é para que as pessoas entendam que nós, entidades de raízes culturais, somos responsáveis por grandes artistas, dançarinos, cantores, sambistas, percussionistas. Na hora que a gente não tem forças para ajudá-los, nós ficamos frustrados."
Ao Bahia Notícias, Jorginho reforça o trabalho feito pela agremiação para além do Carnaval e a importância de se olhar para os "blocos de índios" durante todo o ano e não apenas em datas pontuais.
"As entidades hoje não fazem só o Carnaval, nós trabalhamos o ano todo nas comunidades e sedes. O Comanches faz 50 carnavais, nosso bloco infantil está fazendo 10 anos. São nossos netos, nossos filhos, a outra geração que irá passar nossa cultura para frente e tomar conta do Comanches. A importância de olharem para essas instituições é manter a cultura viva. Eu não tenho nada contra quem vem ganhar os milhões aqui, sou músico profissional desde criança, mas separe o nosso."
O showman, como se descreve, ainda fez um apelo de união dos blocos como forma de continuar resistindo:
"Nós estamos aqui, somos nativos. Nós não pegamos dinheiro para depois ir para a Europa não, nós estamos aqui fazendo samba, partido alto o ano todo, tocando os tambores, fazendo canções. E é por isso que eu faço um apelo, para todos, se é o Carnaval dos cinquentões, vamos todos juntos."
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jaques Wagner
"Eu acho que nós temos muito a trocar. Essa é uma civilização milenar, que tem muito a ensinar com o salto que eles deram aqui em 40 anos. Você pega uma cidade como essa, que há 50 anos era uma aldeia de pescadores com 20 mil habitantes. Hoje tem 17 milhões de habitantes. Você anda por aqui e não vê um papel no chão, não vê uma sujeira, um teatro espetacular, um prédio todo novo. Parabéns pra eles por terem conseguido. E muita gente do Brasil, que tem preconceito, devia dar um pulo aqui. Porque eu vejo as pessoas falando: 'ah, mas eles são comunistas'. Eu não sei o que quer dizer isso. Mas se comunismo é isso aqui, é um sucesso".
Disse o senador Jaques Wagner ironizou, nesta terça-feira (5), ao comentar as críticas que são feitas à China e o preconceito pelo país se declarar comunista. O senador está em Shenzhen, no Sul chinês, e acompanhou a última apresentação da turnê do Neojiba - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, projeto que ajudou a fundar.