Artigos
Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher
Multimídia
Rosemberg prevê vitória de Jerônimo contra ACM Neto no 1º turno
Entrevistas
Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
carlos suarez
Em uma ação movida pelo advogado Roberto Podval, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) condenou o ex-secretário estadual do governo do agora senador Jaques Wagner (PT), James Silva Santos Correia, pelos crimes de calúnia e difamação contra o empresário Carlos Suarez. A decisão foi proferida pela Segunda Câmara Criminal da Corte em maio de 2026 e reformou uma sentença de primeira instância que havia absolvido o ex-gestor por entender não haver dolo específico para a prática dos crimes.
Com a nova decisão, James Correia foi condenado a quatro anos, nove meses e 14 dias de detenção, em regime aberto, além do pagamento de 126 dias-multa. A pena privativa de liberdade foi substituída por duas penas restritivas de direitos.
O processo teve origem no envio de um e-mail contendo uma minuta de proposta de delação a um terceiro. No documento, o ex-secretário atribuía a Carlos Suarez o envolvimento em supostos esquemas de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, caixa dois eleitoral e organização criminosa.
Ao julgar o caso, os desembargadores concluíram que as acusações foram feitas sem qualquer base probatória ou suporte factual mínimo. O acórdão destaca que James Correia associou o empresário a investigações de grande repercussão nacional, como a Operação Lava Jato e a Operação Faroeste, sem apresentar elementos que sustentassem as alegações.
Para os magistrados, ficou caracterizado o crime de calúnia, uma vez que o ex-secretário imputou falsamente a prática de crimes graves ao empresário.
Além disso, a Corte entendeu que houve difamação em razão da forma como Suarez foi retratado no documento. Segundo a decisão, a minuta utilizava expressões destinadas a desqualificar a reputação do empresário, fazendo referências à chamada "elite", aos "asseclas da mídia" e chegando a comparar o grupo empresarial ao do gângster norte-americano Al Capone.
Os desembargadores ressaltaram que a escolha das palavras e a estrutura do texto demonstravam a intenção de atingir o prestígio pessoal e profissional do empresário.
“O Apelado, ao redigir a minuta, conhecia a falsidade das acusações ou, no mínimo, agia com grave desprezo à verdade, porquanto não apresenta evidência ou fundamento, ainda que mínimo, para as ilações formuladas. A escolha deliberada de imputar crimes graves, sem qualquer base factual, evidencia o conhecimento da falsidade”, diz decisão obtida pelo Bahia Notícias.
ENVIO A TERCEIRO
Durante o processo, a defesa de James Correia sustentou que o documento se tratava apenas de uma minuta preliminar encaminhada em caráter privado a um amigo e sócio, sem intenção de divulgação pública.
O argumento, porém, foi rejeitado pela Segunda Câmara Criminal. Para os magistrados, o simples envio do conteúdo a um terceiro já configura divulgação para fins penais. A decisão destaca ainda que a caracterização dos crimes contra a honra não depende da quantidade de destinatários, mas da vontade consciente de ofender e macular a reputação da vítima.
Outro ponto destacado no acórdão foi o fato de James Correia ter mantido uma relação profissional próxima com Suarez durante quase duas décadas. Segundo os desembargadores, essa circunstância reforça o entendimento de que o ex-secretário tinha pleno conhecimento da ausência de provas para sustentar as acusações formuladas.
A decisão afirma que ele agiu com "grave desprezo pela verdade" ao imputar condutas criminosas sem apresentar qualquer elemento concreto que as respaldasse.
PENA AGRAVADA
Na dosimetria da pena, o TJ-BA considerou que a utilização do correio eletrônico facilitou a propagação das acusações e ampliou o potencial lesivo das ofensas.
Os magistrados também levaram em conta a relevância da atividade empresarial exercida por Suarez e os possíveis impactos das acusações sobre sua imagem e reputação em âmbito nacional.
Outro fator considerado foi a idade da vítima. Como Carlos Suarez possuía mais de 60 anos à época dos fatos, foi aplicada a causa de aumento de pena prevista na legislação penal para crimes contra a honra praticados contra pessoa idosa.
HISTÓRICO
Esta é a segunda condenação criminal de James Correia em processos movidos por Carlos Suarez. Em janeiro de 2024, o ex-secretário já havia sido condenado pelos crimes de injúria e difamação após a divulgação de áudios em aplicativos de mensagens contendo ofensas dirigidas ao empresário. Na ocasião, a Justiça concluiu que as manifestações tinham o objetivo de atingir sua honra e dignidade.
Antes do rompimento que deu origem às disputas judiciais, James Correia tinha uma relação de proximidade com o empresário. Em setembro de 2011, a revista Veja publicou que James Correia e Carlos Suarez estariam na Espanha durante um evento promovido pela família do empresário.
OUTROS PROCESSOS
Além das ações envolvendo o empresário, James Correia também responde a uma denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em fevereiro de 2025.
No processo, ele é acusado de violência psicológica contra sua ex-companheira, Magali de Oliveira Viana. Segundo a denúncia, o ex-secretário teria praticado atos intimidatórios e abusivos após o término do relacionamento, incluindo o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas da vítima.
O empresário baiano Carlos Suaréz contratou o ex-presidente Michel Temer para representar a Cigás, sua distribuidora de gás no Amazonas, no processo judicial bilionário em torno da transferência da Amazonas Energia para a Âmbar. A Âmbar, pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou 12 usinas térmicas da Eletrobras na Região Norte em junho passado.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, Suarez foi um dos empresários que disputaram a compra das usinas da Eletrobras no Amazonas com os irmãos Batista, mas foi excluído logo no início das negociações por ter ofertado valor menor. As 12 usinas foram vendidas para a Âmbar Energia por R$ 4,7 bilhões e foi “beneficiada” por uma Medida Provisória publicada três dias depois que fechou a operação e valorizou substancialmente o valor do parque térmico comprado.
Temer já atua contra os irmãos Batista em outro caso de cifra bilionária – a disputa entre a J&F e a indonésia Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose - na posição de consultor jurídico da Paper.
No entanto, o embate também possui histórico político: Temer foi alvo da delação premiada dos irmãos Batista, que levou à apresentação de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR), uma por corrupção passiva, outra por obstrução de Justiça e organização criminosa. Todas foram barradas pela Câmara dos Deputados em 2017.
A venda para a Âmbar foi parar na Justiça após um impasse entre o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que não aprovou a transferência das ações. Em julho, uma medida provisória do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, repassou os R$ 150 milhões mensais do custo das usinas para as contas de luz pagas pelos consumidores, o que eliminou boa parte do risco da operação.
E o Ministério Público deu à Aneel 60 dias para criar uma solução para a Amazonas Energia, que é a principal cliente das usinas compradas e está quebrada. As regras oficiais definem que a concessão deveria ser devolvida à União, que assumiria a distribuidora e o prejuízo.
Com a MP, os irmãos Batista poderiam assumir também a distribuidora e controlar todo o fornecimento de energia na Região Norte – área crucial para os negócios de Suarez. A Justiça do Amazonas definiu, por sua vez, que a Aneel deveria autorizar a transferência do controle da Amazonas Energia para os Batista em 48 horas.
A decisão não foi cumprida e é nesse cenário que Temer está entrando para atuar em nome dos interesses do grupo de Carlos Suarez.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.