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O recente acerto do governo brasileiro para devolver ao Paraguai o canhão "El Cristiano" reaqueceu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico da Guerra do Paraguai (1864-1870). A decisão, alinhada em julho entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros e comandantes militares, atende a um pleito de mais de 15 anos da diplomacia paraguaia. No entanto há um contraponto documentado pelo próprio Exército Brasileiro, que impõe ressalvas à devolução do canhão 'El Cristiano'.
Um documento oficial emitido em 2010 pelo Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx) ao qual o Bahia Notícias teve acesso, expõe um parecer desfavorável da instituição militar quanto à devolução da peça de 12 toneladas. O "El Cristiano", forjado a partir de sinos de igrejas paraguaias, e atualmente guardado pelo Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
A BATALHA DO CURUPAITI
Pintura de Candido Lopez (1893)
O parecer do Exército recorda que o canhão foi utilizado diretamente contra a tropa aliada na Batalha de Curupaiti (22 de setembro de 1866). O embate representou uma das maiores derrotas para os aliados, resultando na morte de mais de 4.000 homens, em sua maioria brasileiros. Para o Exército, a manutenção do canhão e de outras peças capturadas serve para que "o esforço e sacrifícios desses homens não fossem esquecidos pelas futuras gerações".
A argumentação central do documento militar, contudo, reside no princípio da reciprocidade. Segundo o historiador que compartilhou o ofício e pediu reserva da fonte, "poucos sabem desse contraponto". O texto do DECEx ressalta que é prática comum em todo o mundo que museus e parques abriguem acervos de outros países. O próprio Paraguai, destaca o documento, mantém em exposição permanente patrimônio militar brasileiro.
O caso mais emblemático é o do Anhambahy (ou Anhambaí), um navio a vapor da Marinha do Brasil que foi capturado pelas tropas de Solano López durante a invasão do Mato Grosso, em 6 de janeiro de 1865. A embarcação encontra-se exposta até hoje no Parque Nacional Vapor Cué, localizado no Departamento de Cordilheira, a cerca de 98 km da capital Assunção.

Veleiro Anhambahy - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Com o avanço das negociações pelo governo brasileiro para a entrega do 'El Cristiano', o documento militar de 2010 adiciona uma nova variável ao cenário. O parecer levanta a questão de que a devolução poderia vir acompanhada de um pedido para que o Paraguai também restitua o acervo brasileiro que abriga. Ainda não se sabe se essa sugestão de reciprocidade será incorporada ao acordo oficial ou se o canhão retornará sem outras exigências. O formato final dessa entrega e como essas diferentes visões serão equilibradas permanecem, por enquanto, em aberto
A reportagem entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e com o Exército Brasileiro solicitando um posicionamento oficial sobre o documento e o andamento das negociações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
O Brasil concordou em devolver ao Paraguai o canhão "El Cristiano", um símbolo histórico da resistência paraguaia na Guerra do Paraguai (1864-1870). A decisão foi acertada em uma reunião no fim de julho entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os comandantes militares e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
O novo pedido de devolução foi motivado por uma fala de Lula sobre aquele conflito. Em julho, ao comentar a guerra, o presidente afirmou que "nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai decidiu invadir o Brasil". A declaração gerou reação do governo paraguaio, que pediu formalmente a restituição da peça, hoje preservada no Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio de Janeiro.
Apesar do aval de Lula, a devolução ainda depende de trâmites e negociações conduzidos pelo Ministério das Relações Exteriores, que deverá definir as condições oficiais da entrega. O Paraguai tenta recuperar o artefato por meio da diplomacia há mais de 15 anos.
O "El Cristiano" pesa 12 toneladas e foi fundido com o metal de sinos de igrejas durante a guerra que o Paraguai travou contra Brasil, Argentina e Uruguai, no fim do século 19. A peça se tornou um dos maiores símbolos do esforço de guerra paraguaio.
Um sistema antigranizo, que protege as videiras e busca evitar perdas nas safras de uvas, foi implementado por uma vinícola em Pinto Bandeira, que fica na Serra do Rio Grande do Sul. De acordo com o empresário Daniel Geisse, dono da primeira vinícola a utilizar o equipamento no estado, o recurso consiste em um canhão capaz de destruir pedras de gelo com emissão de ondas sonoras.
A tecnologia foi desenvolvida por uma companhia espanhola e trazida no ano passado para o Brasil. Ao g1, o empresário contou que o sistema é muito utilizado na Europa e tem 100% de eficiência. Segundo Geisse, a ferramenta foi implementada na região serrana a fim de identificar a proximidade de nuvens com formação de granizo e proteger, em um raio de alcance de 500 metros, cerca de 80 hectares.
No país, a vinícola Família Geisse é o segundo local a utilizar o canhão. Anteriormente, somente o Paraná possuía o equipamento. Confira o vídeo:
Vinícola no Rio Grande do Sul usa 'canhão antigranizo' para destruir gelo com ondas sonoras pic.twitter.com/rGDgAXEMLB
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) December 6, 2023
De acordo com o responsável técnico pelo equipamento, Renato Pasini, a tecnologia é composta, principalmente, por um canhão e um sistema de monitoramento de massas por satélite que, ao identificar a existência de nuvens carregadas e com granizo, efetua os disparos de ondas sonoras.
"Essas ondas sonoras são hipersônicas, com potência de 15 mil joules, atingindo a estratosfera (a segunda camada mais próxima da Terra, onde está a camada de ozônio) e criando a proteção. O tempo estimado para a camada de proteção ser formada é de até 15 minutos. Nesse recorte de tempo, a cada sete segundos são realizados disparos", explicou Pasini.
O investimento foi de cerca de R$ 500 mil e, de acordo com Geisse, o resultado tem se mostrado positivo. Com o sistema protetivo, o granizo passa pelas ondas de choque, começa a se fragmentar em grãos e reduz de tamanho. Assim, as pedras de gelo passam do estado sólido para o líquido e chegam em formato de chuva no solo.
Um sítio arqueológico foi encontrado durante obras na região da Cidade Baixa, em Salvador. Os objetos identificados são dois canhões, que foram encaminhados para ações de curadoria e acondicionamento adequado em uma instituição de guarda que acompanhou a pesquisa arqueológica.
Após análises preliminares, acredita-se que as peças de artilharia sejam datadas entre os séculos XVII e XVIII e compunham a linha de defesa da cidade de Salvador. As obras onde os objetos foram identificados são executadas pelo poder público municipal visando a requalificação da região da Conceição da Praia e Praça Irmãos Pereira. A área contém espessa camada de aterro, podendo atingir até 3,5 metros de profundidade.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Bahia (Iphan) tem acompanhado e fiscalizado a correta preservação dos vestígios encontrados. É responsabilidade do Instituto fiscalizar obras e assegurar que as pesquisas arqueológicas sejam devidamente realizadas.
“Os achados são uma evidência material respaldada em iconografia da época, que materializa referências históricas da primeira capital do nosso país”, destaca o arqueólogo do Iphan-BA, Alexandre Colpas.
Pela localização, é provável que os canhões integrassem uma das linhas de defesa posicionada atrás do antigo Forte da Laje, hoje inexistente, e confundido por muitos com o Forte de São Marcelo. Informações prévias revelam que ao menos um dos canhões não se encontrava em sua posição original.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Daniel Vorcaro
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
DIsse o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro ao trocar mensagens com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.