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Com uma Copa do Mundo marcada por polêmicas, a relação entre Gianni Infantino, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos – principal país-sede da competição, chamou a atenção do Comitê Olímpico Internacional (COI) após uma denúncia da ONG de direitos humanos Fair Square à Comissão de Ética da entidade contra Infantino.
A ONG alega que o dirigente teria violado regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica. Ainda segundo a organização, o mandatário da Fifa, que é membro do COI desde 2020, teria demonstrado apoio político ao presidente dos Estados Unidos em diferentes ocasiões, contrariando o compromisso assumido de atuar de forma independente de interesses políticos e comerciais.
"A Fair Square apresentou hoje uma queixa contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao Comitê Olímpico Internacional. A queixa alega que Infantino violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer seu apoio político ao presidente dos EUA, Donald Trump", afirmou o comunicado.
Na denúncia, a Fair Square cita episódios de proximidade entre os dois líderes. Entre eles, é citada a participação de Infantino no chamado 'Conselho da Paz', evento promovido por Trump em fevereiro. Na ocasião, o presidente da Fifa apareceu usando um boné com as inscrições 'USA' e '45-47', uma referência aos dois mandatos presidenciais de Trump.
Por fim, a ONG pediu que o COI investigue uma suposta interferência política de Trump em decisões disciplinares da Fifa durante a Copa do Mundo de 2026, citando o caso envolvendo o jogador Folarin Balogun – que, segundo Trump, teve a suspensão por cartão vermelho revertida após o mandatário norte-americano interceder junto a Infantino. O presidente da Fifa alega que a decisão foi tomada de forma autônoma pela Comissão de Arbitragem, negando qualquer interferência externa.
Infantino foi eleito para o COI em janeiro de 2020 e, ao assumir o cargo, se comprometeu a respeitar a Carta Olímpica e seguir o Código de Ética da organização. A denúncia agora será analisada pela estrutura ética do comitê.
A eliminação dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026, após a goleada por 4 a 1 sofrida para a Bélgica nesta segunda-feira (6), foi acompanhada por uma das maiores polêmicas do torneio. No entanto, apesar de lamentar o ambiente criado em torno do caso envolvendo Folarin Balogun, o técnico Mauricio Pochettino garantiu que a controvérsia não serviu como justificativa para a queda da equipe nas oitavas de final.
Em entrevista após a partida disputada em Seattle, o treinador argentino demonstrou incômodo com as críticas, acusações e ataques direcionados ao atacante e à seleção norte-americana desde que a Fifa decidiu reverter a suspensão automática do jogador.
"Quero dizer uma coisa, mas é muito pessoal. Estou muito frustrado e decepcionado com as pessoas. Elas deveriam compreender a situação e não misturar as coisas. Não acredito que isso tenha afetado o nosso desempenho. Não é uma desculpa, e não podemos usar desculpas. Simplesmente não era o nosso dia", afirmou.
Pochettino também criticou a repercussão gerada nas redes sociais e a tentativa de associar a decisão da Fifa a interesses políticos.
"Qual é o sentido de insultar alguém, enviar uma quantidade enorme de mensagens ofensivas ou até ameaças? Estou muito decepcionado com muitas pessoas. Misturam política, falam em manipulação e questionam ética e integridade", completou.
A discussão ganhou força após o Comitê Disciplinar da Fifa anular a suspensão de Balogun, expulso na vitória sobre a Bósnia. O cartão vermelho foi aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus após revisão do VAR por uma entrada no zagueiro Muharemovic.
Nos bastidores, o caso ganhou dimensão internacional depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu ter conversado com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sobre a situação do atacante. Na ocasião, Trump chegou a classificar Claus como um "árbitro suspeito", provocando reação da CBF, que saiu em defesa do brasileiro e destacou sua trajetória marcada por "excelência técnica e conduta ética".
Questionado sobre o tema, Pochettino evitou alimentar a controvérsia e reforçou que apenas seguiu o regulamento da entidade.
"Eu sou o treinador da seleção. Existe uma regra que permite à federação solicitar que um jogador fique disponível. Minha função era treinar a equipe. Se o jogador estava liberado porque o regulamento da Fifa permitia isso, então não havia problema", explicou.
O comandante norte-americano ainda demonstrou incômodo com a forma como o debate se desenvolveu nos últimos dias.
"Se começarmos a discutir a história deste jogo falando de ética ou tentando misturar esses assuntos, isso me decepciona pessoalmente. O debate deveria ser apenas sobre uma possibilidade prevista no regulamento, algo que já aconteceu com outros jogadores e outras seleções", declarou.
Com a derrota, os Estados Unidos encerram sua participação na Copa do Mundo disputada em casa. Já a Bélgica segue viva na competição e enfrentará a Espanha nas quartas de final.
A Federação Internacional do Futebol (Fifa) divulgou um comunicado oficial nesta segunda-feira (6) respondendo à repercussão internacional envolvendo o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. O jogador foi liberado para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 mesmo após ter recebido um cartão vermelho direto na vitória dos anfitriões sobre a Bósnia e Herzegovina.
O caso ganhou contornos políticos e virou polêmica após o presidente norte-americano, Donald Trump, criticar publicamente a punição e pedir que a entidade máxima do futebol revisasse o lance. O árbitro brasileiro Raphael Claus, que expulsou Balogun após recomendação do VAR, também foi pauta.
Em nota, a entidade explicou que o Comitê Disciplinar da federação não anulou a decisão do juíz, que foi tomada na partida do último dia 1º de julho. Segundo a Fifa, muito pelo contrário, o atacante foi considerado culpado tanto pela falta grave em campo quanto pela indisciplina de invadir o gramado para comemorar com os companheiros após a expulsão.
No julgamento concluído no sábado (5), Balogun recebeu um jogo de suspensão e uma multa de US$ 40 mil (cerca de R$ 205 mil). Metade do valor foi pela falta e a outra metade pela comemoração indevida, com a Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) sendo responsabilizada a pagar o montante junto com o atleta.
Embora a punição de um jogo tenha sido mantida, o Comitê Disciplinar decidiu congelar a execução da pena. A entidade utilizou uma brecha do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, que permite suspender o cumprimento de sanções. Na prática, a punição do atacante entrou em "período de experiência" por um ano. Com isso:
* Balogun está liberado para enfrentar a Bélgica na noite desta segunda-feira (6).
* Se o jogador cometer qualquer infração disciplinar grave nos próximos 12 meses, a suspensão automática de um jogo cai imediatamente, acumulando com a nova punição.
A Fifa encerrou a nota garantindo que a decisão levou em conta "todas as circunstâncias específicas do incidente e as provas disponíveis", lembrando que o órgão possui total autonomia jurídica para aplicar o congelamento de penas, desde que o caso não envolva manipulação de resultados.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Dizer que somos povo de Deus".
Disse o governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues ao rebater críticas de cunho religioso de opositores e pediu ajuda de aliados para atrair lideranças políticas e o eleitorado evangélico para a campanha petista. A fala, registrada em uma reunião com os caciques e os prefeitos da base aliada, na última quarta-feira (19) em Salvador, cita a prefeita reeleita de Cachoeira, no Recôncavo baiano, Eliana Gonzaga.