#PapoPreto: Iuri Passos e Magary Lord destacam que a música negra “tá na moda” das novas gerações
Por Eduarda Pinto
É de conhecimento geral que as contribuições negras para cultura baiana são reconhecíveis em quase todas as manifestações e expressões artísticas, no entanto, será que a nova geração se interessa por essas referências ancestrais? Para os músicos Iuri Passos e Magary Lord, a resposta é sim. Em entrevista ao Papo Preto, que estreou nesta sexta-feira (6) com o tema “O Som Ancestral do Futuro”, os artistas e entusiastas da música e da percussão baiana contam que “ser negro tá na moda” inclusive na juventude.
Para Iuri, que é Alagbê do Terreiro do Gantois, o interesse e o desenvolvimento de novos talentos também é uma das funções principais dos terreiros na manutenção dos costumes e tradições afro-diaspóricas. “Existem muitas crianças, muitos jovens, que crescem nesse contexto e esse interesse, essa busca pela percussão, ela continua”, afirma.
Ele destaca que “enquanto tiver criança no terreiro tem a renovação”. “Hoje a gente tem projetos lá no terreiro do Gantois, tem um projeto que eu sou um dos idealizadores, que é o projeto Rum Alagbê, que foi iniciado no ano 2000. Já tem o quê? 26 anos e sempre a gente tem essa renovação acontecendo, as pessoas procurando para aprender”, reflete Passos, que também é pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Na visão de Magary Lord, que é cantor e compositor baiano, esse e outros projetos são um motor para o interesse e o potencial dos jovens para os instrumentos percussivos. Segundo ele, os ritmos afro não vão se perder porque “são raízes, são coisas que vieram para ficar”. “São coisas dos nossos antepassados e eu acho que o espaço está aí. O tempo é sempre, é atual para entender e aprender”, ressalta.
Ele conta ainda que, até para artistas contemporâneos consolidados em outros ritmos, as referências percussivas podem ser um caminho atrativo, ainda que alguns as utilizem como um “modismo”.
“Eu vejo legal. Eu vejo cada um se expressando de uma forma. Uns mais modernos, outros com mais raízes, mas é isso é evidente, que está bem no cotidiano e na musicalidade de muitos artistas hoje. E tem uns que, como eu falei, pesquisaram e estavam afim mesmo de expressar aquilo e foram buscar, e outros que querem surfar uma onda mesmo, porque acham que tá na moda”, completa.
Confira o trecho do episódio do Papo Preto:
NOSSO PAPO
O Papo Preto é um projeto especial do Bahia Notícias que busca aprofundar o conhecimento e valorizar corpos e histórias pretas em todas as dimensões e esferas sociais. Lançado anualmente em novembro desde 2023, o formato atual do produto foi idealizado pelas jornalistas Eduarda Pinto (2023 - Atual) e Ana Clara Pires (2023-2025), Priscila Melo (2023) e Alana Dias (2024-2025).
A primeira temporada, lançada em 2023, teve como tema central a Saúde Física e Psicológica de Pessoas Pretas. No ano seguinte, a segunda temporada do Papo Preto abordou a Moda Afro e Empreendedorismo Negro. Já em 2025, a terceira temporada do Papo Preto viajou ao Recôncavo baiano para explorar o Axé e a Espiritualidade Negra na Bahia, detalhando os encantos das religiões de matriz africana e o sincretismo religioso.
