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Papo Preto: Iuri Passos e Magary Lord debatem importância do candomblé e defendem busca pela inovação na música baiana

Por Eduarda Pinto

Papo Preto: Iuri Passos e Magary Lord debatem importância do candomblé e defendem busca pela inovação na música baiana
Montagem: Igor Barreto / Bahia Notícias

Iuri Passos e Magary Lord são os entrevistados do primeiro episódio da 4ª temporada do Papo Preto, que estreou nesta sexta-feira (6). Com o tema “O Som Ancestral do Futuro”, o podcast do Bahia Notícias vai se debruçar sobre a história e as mudanças que tornam os ritmos baianos, nascidos da afrodiáspora, uma parte tão representativa do cotidiano, da educação e do mercado cultural da Bahia. 

 

Em entrevista à repórter Eduarda Pinto, Iuri Passos – que é músico, pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Alagbê do Terreiro do Gantois – destaca que não há como falar dos ritmos afro brasileiros sem mencionar a importância dos terreiros de candomblé na preservação dos conhecimentos populares dos negros escravizados e seus ancestrais no Brasil. Justamente por isso, ele defende que tanto os terreiros quanto os blocos e grupos culturais afro precisam receber mais atenção e investimento. 

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias 

 

“A gente está lutando – essa é a minha briga sempre – sobre essa preservação e a briga por essa fatia do bolo [de investimento]. Os terreiros de candomblé e os blocos afros, a gente não precisa nem falar da importância porque somos pontos de cultura e estamos agindo além da preservação da música, da identidade. A gente está lutando todos os dias, a gente está lutando todos os dias na frente dessa batalha ali, se tem uma facção na comunidade, se tem uma disputa, a gente está ali, lutando e educando”, detalha. 

 

Para o cantor e compositor baiano, Magary Lord, criador do ritmo Black Semba, a reinvenção da música baiana depende da compreensão e reconhecimento das referências históricas da percussão e dos ritmos afro-brasileiros. 

 

“Acho que o que todo mundo carrega, essa bagagem da música, da dança, do candomblé, da nossa ancestralidade, dos nossos costumes, essa experiência é muito englobada. A cultura da Bahia, essa mistura nunca vai morrer, porque a gente carrega isso, nem que seja nas músicas atuais. Hoje parece que as músicas do candomblé estão presentes em tudo”, destaca. 

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

Ao dar o contexto de nomes que impulsionaram o percussionismo na Bahia, como o multi-instrumentista baiano Bira Reis, o artista relata que “hoje você vê em qualquer set de música baiana ou até de fora tem um atabaque hoje, porque se popularizou demais”. “Então, a importância desses instrumentos é fundamental para a nossa música e para essa mistura que é a música da Bahia”, ressalta.  

 

Ambos concordam que, sendo tão vasta e tão complexa, a música baiana bebe de diversas referências e “o céu é o limite” para o que pode ser criado respeitando a força e os saberes ancestrais por trás da sua manutenção. 

 

“Eu costumo dizer que o céu é o limite, claro que com responsabilidade. Se você estuda, se você é pesquisador dos ritmos. Se você não conhece [a percussão e as tradições], é se aproximar de pessoas de terreiro, aprender, entender. A música só tem uma verdade, ou é ou não é. Então, [o caminho] é ter uma orientação dos grandes mestres para poder, de uma forma bacana, você ressignificar”, completa Iuri Passos. 

 

Confira o 1º episódio completo da nova temporada do Papo Preto: 

 

 

NOSSO PAPO 
O Papo Preto é um projeto especial do Bahia Notícias que busca aprofundar o conhecimento e valorizar corpos e histórias pretas em todas as dimensões e esferas sociais. Lançado anualmente em novembro desde 2023, o formato atual do produto foi idealizado pelas jornalistas Eduarda Pinto (2023 - Atual) e Ana Clara Pires (2023-2025), Priscila Melo (2023) e Alana Dias (2024-2025). 

 

A primeira temporada, lançada em 2023, teve como tema central a Saúde Física e Psicológica de Pessoas Pretas. No ano seguinte, a segunda temporada do Papo Preto abordou a Moda Afro e Empreendedorismo Negro. Já em 2025, a terceira temporada do Papo Preto viajou ao Recôncavo baiano para explorar o Axé e a Espiritualidade Negra na Bahia, detalhando os encantos das religiões de matriz africana e o sincretismo religioso.