BYD vai inaugurar três novas fábricas em Camaçari para ampliar nacionalização de veículos
Por Redação
A unidade da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), vai inaugurar três novas fábricas para ampliar a nacionalização dos veículos produzidos na Bahia. A partir de novembro, a montadora chinesa iniciará os testes de produção nas etapas de estamparia, soldagem e pintura. As informações são de apuração do Poder360.
Até então, o complexo industrial baiano, inaugurado em outubro de 2025, operava exclusivamente no modelo SKD (semi-knocked down), sistema em que os veículos chegam ao país em kits parcialmente desmontados para a montagem final. Com a implantação das novas etapas, a empresa pretende superar 50% de conteúdo local na produção a partir de janeiro de 2027.
A unidade iniciou as operações com a fábrica de montagem final, responsável por procedimentos como verificações de segurança, abastecimento parcial dos veículos e instalação de pneus e rodas. Com a expansão, a linha de produção passará a incorporar etapas anteriores, incluindo a fabricação da carroceria, a soldagem e a pintura.
O modelo SKD permitiu à montadora reduzir os investimentos iniciais, acelerar a entrada no mercado brasileiro e capacitar trabalhadores locais. A estratégia também é utilizada por fabricantes para reduzir custos relacionados a impostos e tarifas de importação.
A ampliação da produção nacional também tem como objetivo viabilizar exportações para outros países do Mercosul, especialmente a Argentina, que estabelece exigências de conteúdo regional para a importação de veículos e aplica tarifas que podem chegar a 35%.
Apesar do avanço da nacionalização, parte dos componentes continuará sendo importada da China, principalmente em razão das restrições à transferência de tecnologia. Segundo o vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, a empresa chegou a solicitar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordos que permitam a transferência de tecnologia chinesa.
“É um sonho como esse que a fábrica da BYD idealiza, mas não depende de uma decisão corporativa. É muito mais uma decisão diplomática, em que nós poderíamos aproveitar que temos as maiores bacias de lítio do planeta aqui no cone sul do continente sul-americano”, afirmou Baldy em entrevista a jornalistas.
A China mantém regras restritivas para a transferência de tecnologia por empresas nacionais que operam no exterior, especialmente quando envolvem ativos considerados estratégicos.
BYD NA BAHIA
O complexo industrial da BYD em Camaçari produz atualmente quatro modelos eletrificados: Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2. A capacidade instalada inicial é de 150 mil veículos por ano, com previsão de expansão gradual até alcançar 600 mil unidades anuais ao final de todas as etapas do projeto.
De acordo com estudo do Observatório da Indústria, a operação mantém mais de 9,5 mil empregos diretos, dos quais aproximadamente 90% são ocupados por trabalhadores baianos. A empresa é a segunda maior empregadora do setor industrial da Bahia.
Em entrevista ao Poder360, Baldy também afirmou que o fim da escala de trabalho 6x1, promulgado em 16 de outubro, não deverá comprometer a produção da montadora.
A BYD ocupa a área onde funcionava a antiga fábrica da Ford, em um terreno de 4,65 milhões de metros quadrados. O complexo foi inaugurado com investimento inicial de R$ 5,5 bilhões e é considerado o maior centro industrial da montadora fora da China.
