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PDT aciona STF contra decisão de Gilmar Mendes que barra recondução de Carlos Muniz na CMS

Por Paulo Dourado

PDT aciona STF contra decisão de Gilmar Mendes que barra recondução de Carlos Muniz na CMS
Foto: Reginaldo Ipê / CMS

O PDT recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Gilmar Mendes que impede, por enquanto, que o vereador Carlos Muniz (PSDB) seja conduzido mais uma vez à presidência da Câmara Municipal de Salvador (CMS).

 

No recurso, apresentado na quinta-feira (22), o partido argumenta que o próprio STF já validou, em 2023, a forma como Muniz chegou ao comando da Casa pela primeira vez. Por isso, segundo o PDT, aquele período não pode ser contado como um mandato dele.

 

O recurso é um agravo regimental, instrumento usado para contestar decisões tomadas por um único ministro. O partido pede que Gilmar reconsidere a decisão de 19 de outubro, em que negou a liminar. Se o ministro mantiver o entendimento, o PDT quer que o recurso seja analisado pelo plenário junto com o julgamento já marcado para o período de 6 a 13 de novembro.

 

O principal argumento do partido é que a composição da Mesa Diretora da Câmara no biênio 2023-2024 foi analisada pelo STF em outra ação, julgada por unanimidade em novembro de 2023. Naquele julgamento, a Corte considerou que a presidência daquele período pertencia a Geraldo Júnior (MDB), eleito presidente e que renunciou para assumir o cargo de vice-governador da Bahia. 

 

Segundo o PDT, o tribunal contou aquele biênio como a única recondução permitida a Geraldo. Contar o mesmo período também para Muniz, diz o partido, significaria atribuir um único mandato a duas pessoas diferentes, o que o recurso chama de “dupla imputação do mesmo mandato”.

 

O partido também sustenta que a eleição da Mesa em Salvador é feita cargo a cargo, com votação separada para cada posto. Em março de 2022, Muniz foi eleito primeiro vice-presidente, com 34 votos, e só assumiu a presidência por sucessão automática prevista no regimento da Câmara. De acordo com o recurso, a primeira vez que ele recebeu votos para presidente foi na eleição de 2 de janeiro de 2025. Assim, uma nova vitória para o biênio 2027-2028 seria, na visão do PDT, sua primeira e única recondução.

 

O PDT também contesta o argumento de que não há urgência. Segundo o recurso, o regimento da Câmara permite antecipar a eleição da Mesa a qualquer momento, por decisão da maioria absoluta dos vereadores, e o prazo para a disputa do biênio 2027-2028 já está aberto. 

 

Caso o STF decida que a sucessão deve ser contada como mandato, o PDT faz um pedido alternativo. A legenda quer que o novo entendimento valha apenas para casos futuros, preservando situações anteriores como a de Muniz.

 

Enquanto o caso tramita no Supremo, a disputa pela presidência da Câmara avança. Nesta sexta-feira (23), o vereador Alexandre Aleluia (Novo) recebeu o apoio de 30 dos 43 vereadores da Casa para concorrer ao cargo, incluindo a bancada do próprio PDT e do PSDB, partido de Muniz.