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VÍDEO: PM prende porteiro e apreende panela após ato contra Flávio Bolsonaro em prédio de Maceió

Por Redação

VÍDEO: PM prende porteiro e apreende panela após ato contra Flávio Bolsonaro em prédio de Maceió
Fotos: Reprodução / Redes Sociais

Um porteiro foi detido pela Polícia Militar de Alagoas na noite de sexta-feira (16), enquanto estava de serviço em um condomínio residencial no bairro de Ponta Verde, área nobre de Maceió. O trabalhador participava de um panelaço na área interna do edifício, ao lado de moradores, durante a exibição da entrevista do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional, da TV Globo, por volta das 21h30.

 

A condução do funcionário ocorreu após uma guarnição da PM ser acionada por um morador vizinho. O trabalhador foi o único levado à Central de Flagrantes da capital alagoana, juntamente com a panela utilizada no ato, que foi apreendida. Moradores do edifício compareceram à delegacia em ato de solidariedade ao profissional, e a ocorrência foi encerrada por volta de 1h40 deste sábado (17).

 


Segundo o morador Felipe Verlaine para o portal Uol, o ato teve início de forma pacífica na área interna do prédio, onde ele portava uma bandeira em apoio ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, momento em que o porteiro se uniu à manifestação. Verlaine relatou que a motivação da chamada policial envolveu a conduta de um condutor que transitava pelo local. 

 

Nas redes sociais, o vídeo gerou críticas e revoltas: 

 

"Tinha várias pessoas na rua fazendo, inclusive no prédio também. Eis que um cidadão bolsonarista estava vindo no carro, abaixou os vidros e começou a fazer gestos obscenos com dedo em riste, xingando todo mundo, ameaçando quem estava falando as coisas a favor do presidente Lula", disse Verlaine, em gravação em vídeo.

 

O morador registrou em imagens o momento em que o homem ameaçou os presentes e chamou a polícia. De acordo com o relato, o condutor teria descido do veículo e feito investidas verbais e físicas. "Eu continuei balançando a bandeira, e o porteiro começou a bater com mais intensidade ainda a panela, para abafar aquela baixaria toda", conta Verlaine, completando que abriu um boletim de ocorrência contra o homem pelas ameaças sofridas.

 

AUTORIDADES SE MANIFESTAM
A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) e a Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) informaram, em nota oficial, que a guarnição foi acionada via Copom para atender a um chamado de perturbação do sossego no bairro de Ponta Verde. Na unidade policial, foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e, após a realização dos procedimentos cabíveis, o trabalhador foi liberado.

 

A Polícia Militar informou ainda que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou apuração sobre a conduta dos policiais envolvidos.O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu procedimento administrativo para averiguar preliminarmente o caso e solicitou informações oficiais e urgentes às Polícias Militar e Civil sobre as razões da abordagem e o fundamento legal da prisão.

 

O órgão ressaltou que avaliará medidas adicionais com base na garantia constitucional da liberdade de expressão e de manifestação pacífica. A promotora Karla Padilha, do Ministério Público de Alagoas (MP-AL), informou que a área de controle externo da atividade policial solicitará esclarecimentos à Corregedoria da PM e à Central de Flagrantes sobre o registro formal da ocorrência.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Alagoas (OAB-AL) informou que a sua Comissão de Defesa dos Direitos Humanos oficiou a Delegacia Geral da Polícia Civil (PC-AL) e o MP-AL solicitando rigorosa apuração do caso, destacando a necessidade de respeito à legalidade, à proporcionalidade e ao tratamento isonômico.


O advogado Welton Roberto, que acompanhava alunos de direito na Central de Flagrantes no momento da chegada do porteiro, questionou o enquadramento do ato. Segundo o jurista, para a caracterização de perturbação do sossego seria necessária a aferição por decibelímetro e a observância de horários específicos.

 

Ele questionou também a ausência de condução do homem que proferiu as ameaças na porta do condomínio, citando ainda ter recebido informações de que a abordagem policial mencionou desacato devido a uma suposta demora do funcionário em abrir o portão do edifício.