Salvador terá nova microfloresta urbana com 3,6 mil mudas em frente ao Shopping da Bahia; entenda
Por Daniel Araújo / Ronne Oliveira
A implantação de uma nova área verde em Salvador transforma um terreno de 5 mil metros quadrados, em frente ao Shopping da Bahia (antigo Shopping Iguatemi), antes coberto por superfícies impermeáveis. O espaço reúne mais de 3.600 mudas de plantas e adota uma técnica de adensamento vegetal baseada em diferentes estágios de crescimento ecológico. O projeto, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), marca o Dia da Árvore, celebrado nesta segunda-feira (21 de setembro).
Essa iniciativa prevê a retirada do concreto, a preparação do solo e o plantio de espécies vegetais para criar um novo espaço verde na cidade. O projeto é semelhante a outro implantado em junho de 2026, na região das avenidas Gal Costa e Jayme Figura, onde foram plantadas 1.063 mudas nativas da Mata Atlântica em uma área de aproximadamente mil metros quadrados.
Apesar das características semelhantes, trata-se de uma nova intervenção, em outra localização. Com novos avanços na área, há a expectativa de que os benefícios ambientais da intervenção apareçam de forma progressiva, à medida que a vegetação se desenvolva nos próximos anos.
O QUE MUDA?
De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias (BN), a expectativa é que os benefícios ambientais da intervenção apareçam de forma progressiva, à medida que a vegetação se desenvolva nos próximos anos.
Um dos principais objetivos da intervenção é a alteração da temperatura no entorno imediato da área. Conforme apurado pelo BN, "a microfloresta tem potencial para melhorar o microclima local à medida que a vegetação se desenvolve". "As árvores proporcionam sombra, reduzem a incidência direta da radiação solar sobre o solo e, por meio da evapotranspiração, ajudam a amenizar a temperatura nas proximidades da área vegetada".
ÁGUA E PLANTIO
A estimativa técnica é que esse efeito ganhe força conforme a cobertura do dossel (a copa das árvores) se feche. Outro ponto central da mudança na área é a alteração da permeabilidade do solo. Antes predominantemente impermeável, o terreno agora conta com terra exposta e raízes em crescimento.
A alteração busca aumentar a capacidade do solo de absorver a água das chuvas, reduzindo o volume que corre pela superfície e auxiliando na diminuição da carga sobre o sistema de drenagem urbana nos períodos de fortes chuvas.
O projeto não utilizou um plantio uniforme, mas sim uma combinação de plantas com ritmos de crescimento distintos:
- Pioneiras (crescimento rápido): Pata-de-vaca, aroeira-pimenteira, sibipiruna, ingá, quaresmeira e manacá-da-serra foram inseridas para criar sombra e proteger o solo rapidamente.
- Secundárias e Clímax (crescimento lento e duradouro): Espécies como jacarandá, ipê-branco, ipê-rosa, ipê-roxo, ipê-amarelo, acácia, pau-ferro, aldrago, canafístula, oiti e pau-brasil crescem sob a proteção das pioneiras e formarão a estrutura permanente da floresta.
- Frutíferas: Foram incluídos pés de caju, araçá e jabuticaba.
Segundo a Prefeitura de Salvador ao BN, essa estrutura busca simular a dinâmica natural da floresta: "As pioneiras crescem mais rapidamente, ajudam a criar sombra e a melhorar as condições do ambiente. Com o tempo, as espécies de crescimento mais lento ganham espaço, aumentando a altura, a densidade e a complexidade da vegetação".
Foto ilustrativa: Bruno Concha / Secom PMS
A presença de árvores frutíferas e flores tende a atrair insetos polinizadores (como abelhas e borboletas), aves e pequenos animais. A gestão alega que "não se trata de uma 'invasão' de animais, mas da reconstrução gradual de um ambiente mais favorável à biodiversidade urbana".
Todo o projeto pressupõe que a evolução do espaço será monitorada ao longo do tempo. Conforme apurado, "existe uma preocupação no sentido de acompanhar a evolução ecológica da área", permitindo observar tanto o desenvolvimento da vegetação quanto o comportamento dos animais que passarem a ocupar o local.
