Usina de R$ 303,7 mi vai transformar lixo de Salvador em combustível renovável
Por Redação
O lixo produzido em Salvador deverá servir de matéria-prima para a produção de combustível renovável em uma usina com investimento estimado em R$ 303,7 milhões. O empreendimento, denominado Biometano Salvador, tem capacidade projetada para produzir até 130 mil metros cúbicos normais de biometano por dia, utilizando o gás gerado pela decomposição de resíduos sólidos domiciliares em aterro sanitário.
O projeto teve o enquadramento aprovado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), programa federal que concede benefícios fiscais a empreendimentos do setor. A medida permite a suspensão da cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre determinados bens e serviços utilizados na implantação da estrutura.
Com a aplicação dos incentivos tributários, o investimento estimado para a execução da usina passa de R$ 303,7 milhões para aproximadamente R$ 278 milhões. A iniciativa não representa repasse direto de recursos públicos à empresa, mas a redução de impostos durante a construção, condicionada ao cumprimento das exigências do programa.
De acordo com as informações divulgadas sobre o empreendimento, cerca de R$ 270,2 milhões serão destinados à aquisição de equipamentos e outros bens. Outros R$ 29,5 milhões correspondem à contratação de serviços, enquanto aproximadamente R$ 3,9 milhões estão previstos para despesas adicionais.
Segundo informações do portal Click Petróleo e Gás (CPG), o cronograma apresentado estabelece o período entre janeiro de 2026 e janeiro de 2028 para a implantação do projeto.
A produção do biometano começa com a decomposição de materiais orgânicos descartados pela população. Dentro dos aterros sanitários, restos de alimentos e outros resíduos liberam gases durante o processo de degradação, entre eles o metano, que possui potencial energético.
Esse material, inicialmente chamado de biogás, não pode ser utilizado diretamente como combustível nas mesmas condições do gás natural comercial. Isso ocorre porque a mistura também contém dióxido de carbono, umidade e outras substâncias que precisam ser removidas.
Com estrutura industrial prevista para Salvador, a captação de gás produzido no aterro passará por etapas de purificação. Após o tratamento, o combustível terá características semelhantes às do gás natural, permitindo sua utilização em diferentes atividades econômicas.
A capacidade estimada de 130 mil metros cúbicos normais por dia representa o volume que a unidade poderá alcançar quando estiver operando conforme o projeto.
