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PF aponta critérios distintos de André Mendonça para casos de ACM Neto e Lulinha

Por Fernando Duarte / Lucas Vieira

PF aponta critérios distintos de André Mendonça para casos de ACM Neto e Lulinha
Foto: Divulgação e Redes sociais

Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam uma suposta diferença de tratamento do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução de investigações envolvendo o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações aparecem em relatório citado na decisão do ministro Alexandre de Moraes contra o colega André, documento obtido pelo Bahia Notícias nesta quinta-feira (3).

 

Segundo o material, a PF identificou semelhanças entre as situações investigadas dos dois políticos, mas avaliou que Mendonça teria utilizado critérios diferentes para analisar as condutas. Em uma reunião realizada em 13 de agosto de 2026, o ministro teria manifestado a percepção de que ACM Neto, então candidato ao Governo da Bahia, “aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido”.

 

Os investigadores, contudo, fizeram uma avaliação diferente. O relatório afirma que “a situação fática apurada quanto a ele [ACM Neto] guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva”. A partir dessa comparação, a PF registrou que a postura do relator “sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”.

 

Outro ponto destacado pela corporação envolve ACM Neto e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Conforme o documento, Mendonça teria sugerido que as apurações sobre os dois fossem apresentadas em petições separadas, apesar de uma possível conexão entre as condutas. Para os investigadores, a orientação representaria uma “assimetria de tratamento”.

 

 

ENTENDA OS CASOS

A investigação envolvendo Lulinha surgiu a partir da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura fraudes em descontos associativos não autorizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Mensagens e dados apreendidos durante as apurações levaram a PF a investigar uma possível atuação dele em negociações envolvendo a Dataprev e o Ministério da Saúde, sob suspeita de tráfico de influência.

 

Já o nome de ACM Neto aparece em apurações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. Relatórios analisaram possíveis fluxos de recursos e menções a empresas ligadas ao político baiano. No STF, a condução dessas investigações passou a envolver discussões sobre a separação de apurações relativas a ACM Neto e Antonio Rueda e sobre os critérios utilizados na análise de diferentes investigados.