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Faculdade de Odontologia da Ufba muda regras de vestimenta e causa indignação entre alunos em Salvador

Por Ronne Oliveira / Eduarda Pinto

Faculdade de Odontologia da Ufba muda regras de vestimenta e causa indignação entre alunos em Salvador
Faculdade no Canela, em Salvador | Fotos: Reprodução / Google Street View

 Após a congregação da Faculdade de Odontologia da Ufba (FOUFBA) aprovar uma atualização no código de vestimenta do espaço universitário, estudantes da Ufba se manifestaram sobre as regras. Ao BN, acusam um juízo moral de valor sobre as roupas escolhidas. O diretor da unidade educacional da universidade dizem que o foco é a biossegurança e que não há qualquer julgamento moral sobre o caso.

 

Segundo o texto que foi comunicado aos alunos, a norma é válida para estudantes, professores, funcionários e pacientes que frequentam a faculdade. Entre as roupas e acessórios que teriam o uso proibido estão:

  • minissaias;
  • croppeds;
  • bonés;
  • roupas muito decotadas; e
  • shorts curtos.

 

Captura de tela com a divulgação do comunicado | Foto: Reprodução / Leitor BN

 

DIRETOR ESCLARECE
Em entrevista ao Bahia Notícias (BN), o diretor Marcel Arriaga foi claro de que não haveria punição de qualquer tipo aos alunos. “Somos uma instituição de ensino, a gente não tem tido problema com alunos em relação a isso. Não haverá qualquer punição", esclarece.

 

Conforme Arriaga, essa medida passou por muitas mãos, inclusive por uma congregação com cadeiras lideradas por professoras mulheres, em um regimento que não era atualizado há 14 anos.

 

“É uma atualização de um regimento aqui da faculdade. Algumas pessoas reclamaram que é misoginia, que é determinar o que a mulher pode vestir, mas veja bem, boa parte da congregação é feita por mulheres. Nosso corpo discente é de maioria mulher, inclusive”, salienta a direção.

 

Veja imagem da composição da congregação em postagem oficial:

 

Nessa decisão específica, os estudantes não foram consultados para atualizar a regra. Contudo, o doutor Arriaga esclarece que, na anterior, de 2012, os alunos fizeram parte. O BN procurou o Diretório Acadêmico (D.A), parte que representa os alunos de graduação, para se manifestar, todavia não houve resposta.

 

CRÍTICAS DE ALUNOS
Várias mensagens de alunos que preferiram não se identificar foram recebidas pelo BN. Para as estudantes e futuras odontólogas, a atualização é um retrocesso comportamental em ambientes de sala de aula.
 “Machismo e classismo em igual universidade pública. Tantos problemas mais importantes, e a congregação se ocupa com as roupas que, na maioria, serão usadas por mulheres”, critica a estudante de Odontologia.

 

“Para exigirem uma vestimenta ‘composta’, primeiramente deveriam colocar ar-condicionado em todas as salas”, cobra uma aluna que preferiu não se identificar por temer represálias.

 

Confira algumas das várias mensagens recebidas pela equipe BN:

Reação dos alunos ao serem comunicados da medida | Foto montagem: Reprodução / Leitor BN 

 

O diretor, por sua vez, respondeu aos questionamentos dos estudantes ao BN. Para ele, todas as salas estão com climatização adequada no retorno das aulas nesta quarta-feira (19), começo do semestre, e que, se não houver, a regra pode ser abdicada como medida temporária.

 

“Todas têm climatização adequada. E outra coisa, a gente sabe lidar com a situação. Se quebrou o ar-condicionado, demora uma semana para arrumar, a gente reexamina as medidas. Se o ar-condicionado quebrar, a gente suspende. E outra coisa: nosso campus é separado aqui no [bairro] do Canela. 'Não é em Ondina", responde.

 

A direção também reafirmou que o problema não são os alunos da faculdade, muitas vezes. “Não houve problemas com os alunos. Temos problema em relação a alguns pacientes. Às vezes chega da praia de short e falamos que não pode entrar, e ainda questionam o porquê. [Ou seja], é preciso estar escrito em algum lugar”, conta o diretor.

 

Imagens do espaço dentro da faculdade | Fotos: Reprodução / Ana Carolina Silva

 

A faculdade, bem como outras dentro da Ufba, cuida de atender pacientes e instruir estudantes por meio das ciências para formação profissional no campo da Medicina e da Odontologia. Logo, há espaços de sala de aula e locais de atendimento onde os estudantes, orientados por profissionais já especializados com mestrados e doutorados, ajudam cidadãos comuns.

 

“A regra é todo espaço. A faculdade não é um hospital, mas a gente considera um. Veja bem, todos os espaços podem ser contaminados. A pessoa sai da sala para o ambulatório e vice-versa, então, né, a outra norma antiga acabou se perdendo. A pandemia mostrou a necessidade de reforçar os procedimentos”, avisa.

 

O código aprovado é para todos no espaço. Sejam pacientes, alunos, professores, técnicos. A ideia é evitar problemas de biossegurança, manter um ambiente educacional adequado e evitar problemas de assédio. "Ninguém aqui quer ser guardião de moralidade aqui não. Vamos cobrir o corpo no sentido de proteção", finaliza. 

 

Algo que a direção pede para destacar é sobre o uso dos bonés. Por ser uma faculdade pública, o espaço é aberto a todos. Logo, segundo o diretor, ocorreram vários casos de furtos e assaltos de pessoas que escondem o rosto com boné, justificando a medida.

 

"A câmera não consegue identificar em ocorrência. Atendemos 600 pacientes por dia; às vezes o falso paciente entra no prédio de boné. Não é paciente, é um indivíduo com má intenção; o boné dificulta identificar a pessoa. Vamos correr atrás para resolver o que for preciso", argumenta.

 

Vale ressaltar que a FOUFBA é um dos vários prédios dentro da universidade em Salvador. Mesmo assim, a equipe do BN procurou a reitoria, que orientou a procurar diretamente a faculdade, não intervindo em um código de vestimenta específico.