Perícia aponta 56% de probabilidade de uso de IA em plano de governo de ACM Neto
Por Redação
Uma perícia elaborada pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes concluiu que o plano de governo do ex-prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (União) para a disputa pelo governo da Bahia apresenta 56,7% de probabilidade de origem sintética. A informação foi divulgada pelo jornalista Diego Alejandro na Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (3).
A campanha eleitoral de 2026 será a primeira depois que o uso da IA se transformou em prática comum em diversas áreas do conhecimento. Segundo a perícia, o resultado sugere que o documento disponibilizado por pode ter sido parcialmente redigido ou reescrito com auxílio de inteligência artificial.
O parecer analisou as 214 páginas do programa de governo e afirma que o texto apresenta "dispersão incompatível com autoria única e homogênea", com trechos que variam de 0% a 91% de probabilidade de origem sintética. Caroline Nunes, formada pela USC Gould School of Law, nos Estados Unidos, afirma que o padrão sugere que partes do documento tenham sido redigidas ou reescritas com apoio de ferramentas de IA, enquanto outras seriam de autoria humana.
Ela diz ter encontrado, por exemplo, indícios de intervenção humana como referências legislativas e técnicas verificadas, organização conceitual consistente e marcas típicas de edição manual, fatores que afastariam a hipótese de um documento inteiramente produzido por inteligência artificial.
A reportagem aponta que 50 blocos do documento foram analisados e, destes, 12 superaram 80% de probabilidade de origem sintética. Os maiores índices aparecem nos capítulos dedicados à segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura, economia criativa e transformação digital.
O relatório aponta a repetição sistemática de estruturas argumentativas no texto: 45 ocorrências de "Não é X. É Y.", 35 de "não X — Y" e 22 de "não X, mas Y", indicando padronização incomum do estilo. Relata ainda a uniformidade de expressões como "governança", "monitoramento", "território", "integrado", "em tempo real" e "Novo Governo" em praticamente todos os capítulos.
O próprio relatório ressalva, porém, que esse padrão pode resultar tanto de coordenação editorial humana quanto de reescrita por ferramentas generativas —hipótese que o método, isoladamente, não consegue distinguir.
Em resposta, a assessoria de ACM Neto admitiu que usou IA, mas apenas para revisão e checagem do texto. "Todas as propostas e ideias de gestão contidas no plano de governo foram elaboradas sem o uso de inteligência artificial", diz.
"O próprio relatório ressalta que os resultados apresentados não podem ser utilizados como prova conclusiva", diz a assessoria do candidato ao governo baiano.
