"Perdi amigos": Bruno Monteiro defende rigor técnico e fim da "política de balcão" nos editais de cultura
Por Eduarda Moitinho
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (27), ao Projeto Prisma do portal Bahia Notícias, o secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, rebate críticas sobre a falta de transparência em editais culturais e destaca que o poder público não existe para resolver problemas particulares.
Bruno compreende que seu trabalho "frustrou e frustra quem acredita que o poder público está ali para resolver problemas individuais." Em relatos, relembra desgastes que aconteceram desde que está na função.
"Eu tenho muitos amigos na área das artes,e eu perdi amigos ao longo desse tempo,porque as pessoas achavam que o fato de eu ser secretário significava que agora o financiamento de projetos e iniciativas estaria resolvido. E não funciona assim", diz.
Referente ao processo de democratização de editais, o secretário relembra a criação dos plantões presenciais como uma iniciativa direta dele e sua equipe, implementada inicialmente durante o primeiro edital da Lei Paulo Gustavo.
Ele compreende esses espaços como ferramentas de democratização e suporte técnico para quem enfrenta dificuldades com a burocracia cultural. Entretanto, relata que algumas pessoas o compreendem como um “facilitador de aprovações” e, quando isso não ocorre, saem frustradas: “Aconteceram casos em que a pessoa me acusava de perseguição”, relembra.
O secretário explica que o processo de seleção é técnico e "cego", visando romper com a antiga "política de balcão" que concentrava recursos em poucos grupos.
“No processo, é exibida uma planilha que fala de onde vem o projeto, se ele é cota, se ele não é cota e qual é a linha que ele está disputando. Não é um processo que eu vou olhar e dizer assim, ‘aqui é meu amigo, aqui não é’. Isso aí é coisa que já foi ultrapassada, de antes do edital, era a política do balcão”, afirma.
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