Expert XP 2026: Primeiro dia uniu futuro financeiro, educação e lições de Andre Agassi
Por Sophia Bernardes, de São Paulo
O primeiro dia da Expert XP 2026 reuniu discussões sobre o passado e o futuro do mercado financeiro nesta quinta-feira (23). Ao longo da programação, executivos, gestores e especialistas abordaram temas como educação financeira, planejamento patrimonial, expansão regional e o cenário da Bolsa antes das eleições.
Além dos debates econômicos, o evento abriu espaço para histórias de transformação pessoal. Um dos principais destaques foi a participação do ex-tenista Andre Agassi, que relembrou a queda para a 141ª posição do ranking mundial e explicou como encontrou um novo propósito para retomar a carreira.
Dessa forma, o primeiro dia combinou análises sobre investimentos com discussões mais amplas sobre confiança, relacionamento e tomada de decisões.

Foto: Paulo Bareta / Divulgação
XP RELEMBRA TRAJETÓRIA E PROJETA OS PRÓXIMOS 25 ANOS
Parte da programação revisitou a história da XP e os fatores que ajudaram a empresa a crescer no mercado brasileiro. Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho de Administração da XP Inc., afirmou que a educação financeira teve papel central nesse processo.
Ao lado de Bruno Ballista, head de Assessoria e Relacionamento com Clientes da XP, Benchimol lembrou que a empresa começou com palestras e cursos voltados a pessoas que ainda conheciam pouco sobre investimentos. Naquele momento, ensinar representava uma forma mais eficiente de conquistar a confiança do público do que tentar vender produtos diretamente.
A estratégia incluiu ações presenciais em faculdades, auditórios e até salões de festas. Em 2012, a companhia também lançou o movimento “Acorda Brasil”, que estimulava os brasileiros a conhecer alternativas à poupança e aos produtos oferecidos pelos grandes bancos.
Ao olhar para o futuro, a XP apresentou uma proposta mais ampla. Thiago Maffra, CEO da XP Inc., afirmou que o assessor deve assumir o papel de uma espécie de “CFO da vida financeira” do cliente.
Na prática, a companhia pretende iniciar o atendimento pela compreensão das necessidades de cada pessoa. Esse diagnóstico deve considerar renda, dívidas, patrimônio, família e objetivos como aposentadoria, compra de imóveis ou estudos dos filhos. Somente depois dessa análise entram os produtos financeiros.
Além dos investimentos, a estratégia deve integrar crédito, seguros, soluções bancárias, planejamento tributário e sucessório. José Berenguer, CEO do Banco XP, também afirmou que a empresa busca preencher os espaços que ainda existem em sua oferta de serviços. Entre as próximas frentes está a entrada no mercado de adquirência, com soluções de pagamento para empresas.

Foto: Paulo Bareta / Divulgação
ASSESSOR AMPLIA PARTICIPAÇÃO NA VIDA DO CLIENTE
A evolução do trabalho dos assessores apareceu em diferentes momentos da programação. Em entrevista ao Bahia Notícias, parceiro do BP Money, Rodrigo Icó, líder da XP Investimentos na Bahia, afirmou que essa relação deixou de se limitar à recomendação de aplicações.
Segundo o executivo, o assessor precisa conhecer a composição familiar, a renda, a estrutura societária e os objetivos do investidor. A partir dessas informações, o profissional consegue desenvolver uma estratégia adequada às necessidades de curto, médio e longo prazo.
Temas como sucessão e proteção patrimonial também ganharam espaço. Para atender essas demandas, a XP oferece o apoio de advogados especializados aos clientes dos segmentos Unique e Private. A companhia também mantém o programa NextGen, que prepara herdeiros para administrar o patrimônio familiar.
Assim, o debate reforçou uma das principais mensagens do primeiro dia: o mercado financeiro busca transformar o assessor em um profissional capaz de compreender diferentes dimensões da vida do cliente, e não apenas sua carteira de investimentos.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA ORIENTA EXPANSÃO NA BAHIA
A educação financeira também apareceu como ferramenta para ampliar a presença da XP fora dos principais centros financeiros do País. Rodrigo Icó afirmou que a empresa vê espaço para crescer na Bahia, apoiada pelo avanço da economia local e pela maior procura dos investidores por informações.
Nos últimos cinco anos, o estado registrou um aumento no número de escritórios de assessoria. Ao mesmo tempo, a XP ampliou sua estrutura regional e inaugurou uma sede para aproximar os investidores baianos dos especialistas da companhia.
Segundo Icó, muitos investidores ainda começam pela renda variável sem antes organizar as próprias finanças. Por isso, ele recomenda controlar os gastos, formar uma reserva financeira e buscar conhecimento antes de assumir riscos maiores.
A companhia também identifica oportunidades nos setores de indústria e serviços. Diante desse cenário, a XP pretende manter os investimentos na região e ampliar seu número de assessores na Bahia.
ELEIÇÕES LIMITAM EXPECTATIVAS PARA O IBOVESPA
Enquanto os executivos da XP discutiram expansão e relacionamento com clientes, os painéis de mercado apresentaram uma visão mais cautelosa para os próximos meses.
Gilberto Nagai, superintendente de Renda Variável da SulAmérica, avaliou que o Ibovespa deve permanecer sem grandes movimentos até as eleições presidenciais. Segundo ele, os investidores aguardam uma definição mais clara sobre o cenário político e, principalmente, sobre a política fiscal do próximo governo.
No ambiente de juros elevados, Nagai recomendou atenção às empresas que apresentam geração de caixa consistente. A renda fixa, segundo o especialista, continua como uma concorrente relevante da Bolsa.
Por isso, a orientação é evitar mudanças bruscas nas carteiras. O investidor pode manter uma exposição estratégica à renda variável e aproveitar eventuais quedas para aumentar gradualmente suas posições.
Uma redução das tensões no Oriente Médio também poderia favorecer empresas ligadas ao mercado interno. A queda do petróleo ajudaria a aliviar as expectativas de inflação e poderia abrir espaço para juros menores, cenário positivo para setores como varejo e infraestrutura.
AGASSI E A LIÇÃO SOBRE PROPÓSITO
Fora das discussões diretamente ligadas ao mercado, Andre Agassi protagonizou um dos momentos mais marcantes do primeiro dia.
Durante o painel “Reinventar-se para Vencer”, o ex-tenista contou que alcançou pela primeira vez o topo do ranking mundial em 1995. No entanto, a conquista não trouxe a realização que ele esperava. Dois anos depois, Agassi caiu para a 141ª posição e precisou disputar torneios do circuito Challenger para reconstruir a carreira.
A virada ocorreu quando o norte-americano passou a apoiar projetos educacionais voltados a crianças em situação de vulnerabilidade. A iniciativa deu um novo sentido ao tênis, que passou a funcionar como uma ferramenta para financiar seu propósito fora das quadras.
Com essa mudança, Agassi voltou ao topo do ranking em 1999, venceu Roland Garros e completou o Career Grand Slam, feito reservado aos atletas que conquistam os quatro principais torneios do tênis.
A história encerrou o primeiro dia com uma mensagem que também dialogou com os debates financeiros do evento: resultados importam, mas confiança, conhecimento e propósito ajudam a construir relações e trajetórias mais duradouras.
