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Mineração para Todos: Segundo episódio revela "mundo invisível" dos minerais e impacto em setores cruciais para a sociedade

Por Rebeca Menezes

Mineração para Todos: Segundo episódio revela "mundo invisível" dos minerais e impacto em setores cruciais para a sociedade
Fotos: Bahia Notícias

Você toca ou consome minerais centenas de vezes ao dia, sem nem mesmo notar. Mas se eles estão tão presentes no dia a dia do mundo inteiro, por que a mineração ainda enfrenta tanta resistência? Para debater essa visão complexa e traduzir a relevância do setor para a economia, a tecnologia e o desenvolvimento social, o Bahia Notícias traz o segundo episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.

Com o tema "O mundo invisível dos minerais que movem a sua rotina", o conteúdo vai ao ar às 12h desta segunda-feira (13), no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o podcast tem o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino; a Geóloga e doutora na pesquisa de fosfato, Maisa Abram, Chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB); e a Geofísica e mestre em geociências aplicadas Maria Alagia, Diretora de Negócios na Neogeo Geotecnologia. Ao longo da conversa, os convidados explicam onde estão esses minerais, como são essenciais para diversos setores da sociedade e os desafios de aliar o desenvolvimento da mineração com as principais práticas de sustentabilidade.

 

"As pessoas já estão acostumadas com a ideia de que precisam de um celular e que vão à loja para comprar um celular, mas não entendem toda a cadeia que é necessária para que esse celular chegue ali. O celular tem uma quantidade enorme de elementos, desde as terras raras até alumínio, o lítio nas baterias, a sílica nas telas... E na história da humanidade, se você não colhe, você vai ter que minerar", reforçou Cocentino.

 

Segundo o especialista, em um momento crucial para a transição energética, também é preciso usar o que há de natural a seu favor. "Sabendo que as mudanças climáticas estão acontecendo, e o homem é culpado por isso, se a gente quer passar pra uma sociedade com baixa emissão de carbono, necessariamente a gente vai precisar dos minerais. Porque essa conversão precisa ser feita, e isso impacta a nossa sobrevivência", completou o diretor.

 

VETOR DE CRESCIMENTO
Um outro viés trazido pelo episódio, e que é pouco conhecido, é o desenvolvimento das áreas que recebem os projetos de mineração. Alagia detalha que a descoberta de depósitos novos geralmente acontecem longe dos grandes centros, o que funciona como vetor de crescimento. "A gente não tem como querer que o depósito [mineral] esteja em uma área fácil e rica. O depósito vai estar em uma área difícil e pobre, e as mineradoras vão ter que desenvolver essa área. Vai ter que se pensar em estradas, em escolas, em cursos...", exemplificou.

 

Cocentino trouxe um caso prático de uma mina que foi instalada no semiárido do Rio Grande do Norte: "Para a mina produzir, ela precisa de água, mas está em uma região com um déficit hídrico enorme. Como você resolve o problema sem impactar a comunidade - já que você não pode disputar com a cidade? A solução que eles acharam foi tratar o esgoto para essa água ser utilizada no processamento. Quando é que esse município ia conseguir fazer um saneamento básico para atender a população? A mineradora funcionou nesse caso como um vetor de desenvolvimento".

 

Além do impacto direto, também há os benefícios indiretos, como a geração de emprego e renda. Abram traz o dado de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) de que, a cada emprego direto, o setor cria 11 vagas indiretas. "Se o Brasil estimula o setor de mineração, e se a gente conseguir passar para essa fase da transformação, essa relação vai ser ainda maior. [...] O impacto tem - na verdade, o homem pisou na areia da praia, já tem o impacto da pegada dele. São escolhas que, enquanto humanidade, nós precisamos fazer. Se a empresa de mineração é responsável e sustentável, dá certo".