Mineração para Todos: Com EUA “de olho” em terras raras brasileiras, CBPM quer ser sócia "da mina ao refino" em projetos da Bahia
Por Rebeca Menezes
O interesse mundial em terras raras tem levado o tema às principais reuniões entre líderes de todo mundo. A demanda é tão alta que, nas últimas reuniões realizadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi citada tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto pelo seu principal opositor nas urnas nas eleições de 2026, Flávio Bolsonaro. E as terras raras devem entrar também em pauta nas plataformas de campanha, que possuem visões bem distintas de política internacional.
Questionado sobre este cenário durante o podcast "Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão", o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, reforçou que o governo de Jerônimo Rodrigues acompanha o discurso adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que "entende que a riqueza do nosso povo deve ser utilizada para o desenvolvimento da nossa sociedade". "Nós não vamos entregar nada para ninguém. Todo o patrimônio numeral do Brasil, neste governo, pertence ao povo brasileiro. Não existe nenhuma discussão de 'entregar', seja para o governo americano, [...] seja para chineses, cubanos, russos...", garantiu.
"Alguém que ainda defenda políticos que defendam entregar a Amazônia e entregar o patrimônio mineral do nosso povo para qualquer político... Eu só consigo compreender porque eles bebem detergente", criticou Carballal.
O gestor da companhia destacou que tem atuado para buscar, por outro lado, parcerias com outros países, mas colocou que essas relações têm seguido uma premissa fundamental: "A CBPM faz parceria com qualquer nação do mundo, desde que nós, em primeiro lugar, sejamos protagonistas desse processo". Para aproveitar o momento em que essas terras raras estão no centro do debate, a proposta dos baianos é buscar quem já tenha a tecnologia necessária para a extração e processamento, garantindo o compartilhamento dessas pesquisas e também do retorno financeiro dos projetos. E é este caminho que deve ser seguido, inclusive, com as plantas industriais que farão o processamento de terras raras no estado. "Não significa dizer que nós estamos entregando as riquezas da Bahia, entregando as terras raras da Bahia, para nenhum grupo estrangeiro. Até porque a CBPM será sócia do processo, da mina ao refino".
Como exemplo dessa postura, ele citou ainda um processo judicial movido pela companhia contra uma empresa canadense, que tinha um contrato assinado para explorar ouro no município de Santa Luz. "Eu já comecei a brigar com eles porque a ação social deles era ensinar as crianças do sertão a jogar críquete", explicou, apontando que o problema se agravou posteriormente. "Eles venderam essa área por US$ 1,015 bilhão pra uma empresa chinesa. Nós entramos na Justiça e conseguimos uma liminar, um desembargador depois suspendeu os efeitos da liminar, e a gente espera que a Justiça da Bahia - e conclamo as outras instituições, o Ministério Público - que entre na defesa do nosso patrimônio. Porque a CBPM entrou nessa luta para defender os interesses do nosso povo".
AS PROFISSÕES DO FUTURO?
Com a atenção do mundo voltada para a mineração, também se abrem portas do mercado de trabalho em diversas áreas envolvidas, desde o momento de identificação dos depósitos. O diretor técnico da CBPM, Wiliame Cocentino, apontou quais profissões que, em sua visão, devem ter mais oportunidades nos próximos anos. E claro que a sua formação, de geólogo, é uma das mais promissoras.
"Você tem diversos países que falam que o grande gargalo deles são os profissionais associados à mineração: geólogos, engenheiros de mina, de produção, engenheiros químicos...", frisou. Cocentino adicionou, contudo, que uma das dificuldades do setor é que os profissionais não conseguem trabalhar "perto de casa": "O depósito está onde ele está, e geralmente não está ao lado dos grandes centros urbanos".
"O seu início tende a ser mais desafiador, mas é uma profissão da qual me orgulho muito, porque me colou em lugares que eu não imaginava, me permitiu conhecer lugares que eu não pensava em conhecer", defendeu o diretor.
Por outro lado, talvez haja um outro estímulo para quem pensa em progressão de carreira: os salários de quem trabalha no setor estão entre os mais altos em todo o mundo. "Os melhores salários são da mineração. Não existe no mercado melhor salário", cravou Carballal.
Consultor especialista em terras raras, Antônio Vitor fez ainda um adendo: mesmo as profissões de outras áreas já são impactadas por esse debate, já que esses elementos químicos também têm levado a grandes transformações na rotina de profissões como a medicina, por exemplo.
MINERAÇÃO PARA TODOS
Nesta semana, o Bahia Notícias lança o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
