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PF investiga suspeita de propina em articulação de ex-sócios do Banco Master com senadores

Por Redação

PF investiga suspeita de propina em articulação de ex-sócios do Banco Master com senadores
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) está investigando as tratativas dos ex-sócios do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, com os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). A suspeita é de que houve pagamento de propina em troca de uma atuação parlamentar que favorecesse os interesses dos empresários em projetos de lei no Congresso Nacional.

 

As investigações apontam que o grupo buscava alterações legislativas em temas ligados aos seus negócios, como energias renováveis, crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre as medidas de maior interesse estava a chamada “emenda Master”, que pretendia aumentar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a PF, essa mudança poderia "sextuplicar" os negócios do banco, mas o texto acabou sendo rejeitado após oposição do governo e de grandes instituições financeiras.

 

Além disso, a PF identificou movimentações relacionadas a projetos de transição energética e ao mercado de crédito de carbono. Um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha como Vorcaro teria articulado para que seu motorista buscasse documentos em um endereço de Ciro Nogueira e os entregasse no Senado aos cuidados de um assessor do parlamentar. Para evitar a identificação, o ex-banqueiro teria orientado o motorista a apagar nomes de contatos no celular e a utilizar envelopes sem a logomarca do Banco Master.

 

No caso do senador Jaques Wagner, a investigação foca em uma medida provisória de 2022 que permitia operações de crédito consignado para beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil. A PF alega que Augusto Lima teria procurado o senador para tratar do projeto. No entanto, a decisão judicial sobre o caso é considerada vaga quanto à atuação efetiva de Wagner, uma vez que a proposta foi aprovada rapidamente no Senado sem participação aparente do parlamentar, que na época era da oposição.

 

Jaques Wagner afirmou que a investigação cometeu um "erro grave" ao confundir uma emenda apresentada por ele com a ementa da medida provisória do governo anterior. Ele alega que sua atuação teve objetivo "estritamente social" e pediu a anulação das medidas de busca e apreensão. Além disso, Augusto Lima declarou que atua dentro da lei.

 

O Banco Master, que está no centro das investigações, é acusado de uma fraude bilionária ao sistema financeiro, tendo causado um prejuízo superior a R$ 57 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos após sua quebra.