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Com três plantas industriais, Bahia será primeiro lugar fora da China a "refinar" terras raras em escala comercial

Por Rebeca Menezes

Com três plantas industriais, Bahia será primeiro lugar fora da China a "refinar" terras raras em escala comercial
Foto: Bahia Notícias

“O problema não é ter as terras raras, porque nós temos várias. É você ter a tecnologia para processá-las”. A declaração do presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, resume a relevância de um novo momento estratégico no estado: a atração de indústrias capazes de transformar a Bahia em um ponto estratégico para o mundo.

 

As chamadas terras raras são elementos químicos essenciais para o desenvolvimento de inúmeras tecnologias que são cada vez mais frequentes na rotina de bilhões de pessoas. Mas o mundo enfrenta dois desafios: encontrar lugares que de onde esses elementos possam ser extraídos - de uma forma rentável, sobretudo -, e ter a capacidade de separar esses elementos em uma quantidade que atenda à demanda crescente das Big Techs.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Carballal anunciou que, em breve, o governo do Estado deve anunciar a instalação de três empresas que farão essa extração dos elementos, a partir de áreas de terras raras que já foram mapeadas em solo baiano. “A CBPM vai trazer três plantas industriais para a Bahia. Uma para a gente purificar - ou seja, da mina nós vamos extrair as terras raras, e purificar, fazendo o carbonato de terras raras. Em seguida nós vamos fazer o óxido de terras raras, para depois ter uma outra planta, com uma tecnologia muito avançada, para poder fazer a separação dos elementos químicos. Então nós vamos ter condições de vender não a commodity, mas de fato exportar produtos agregados de alta tecnologia, mais uma vez posicionando a Bahia como destaque mundial na transição energética e nessa revolução tecnológica que a gente está vivendo”, comentou, durante a gravação do podcast Mineração Para Todos, projeto especial do BN.

 

Etapas do refino de terras raras | Arte: Bahia Notícias

PIONEIRISMO
De acordo com Wiliame Cocentino, diretor técnico da CBPM, hoje, grande parte dessa tecnologia de refino se encontra na China, que detém boa parte da cadeia que é necessária desde a extração até a separação de cada um desses 17 elementos. O consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor, explicou que essa liderança dos chineses é fruto de um investimento feito pelo país em 1982, que fez com que hoje eles tivessem a capacidade de separar as cerca de 20 mil toneladas consumidas desses elementos hoje, em todo o globo.

 

Para efeito de comparação, a Bahia só entrou neste debate há poucos anos, apesar de já realizar um trabalho de pesquisa mineral há décadas. A própria CBPM foi criada há 53 anos, como uma empresa de pesquisa e desenvolvimento vinculada ao governo do Estado, mas somente em novembro de 2023 registrou o primeiro requerimento de terras raras. Segundo Carballal, antes não havia “entendimento do potencial dessas áreas”, mas a  mudança do foco da companhia para o tema fez com que, atualmente a Bahia já tenha 61 áreas de terras raras mapeadas com capacidade de exploração efetivas.

 

Porém, o especialista Antonio Vitor apontou que este debate deve se intensificar nos próximos anos, especialmente com a demanda crescente por esses elementos em larga escala. “Segundo Elon Musk, na última viagem dele à China, somente a empresa dele de robótica, que vai 'substituir' a mão de obra, vai consumir, até 2040, 34 mil toneladas. E segundo ele, este é o motivo de estar na China: garantir o fornecimento. A produção da China hoje não é suficiente para atender a demanda da China. É aí que o Brasil e a CBPM entram", explicou o consultor.

 

Antonio frisou que, a partir da instalação dessas indústrias, a Bahia vai ter um papel fundamental porque vai ser o primeiro estado fora da China que vai separar as terras raras em quantidade suficiente para atender ao mercado, apesar de ainda não fazer a redução para metal. "Existem várias iniciativas, na Austrália, na Malásia, nos EUA, na Estônia, na França... Mas em escala comercial, vai ser o Brasil, através da Bahia”, concluiu.

 

MINERAÇÃO PARA TODOS
Nesta semana, o Bahia Notícias lança o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.