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Advogado de rodoviário detalha relação com Thamiris e revela que ele está em “esconderijo” após linchamento

Por Leonardo Almeida

Advogado de rodoviário detalha relação com Thamiris e revela que ele está em “esconderijo” após linchamento
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O rodoviário André Eduardo está escondido com sua família após sofrer linchamento de populares no bairro do Jardim das Margaridas. A informação foi repassada pelo advogado da família do trabalhador, Victor Quilici, que informou que o homem ainda “não tem condições” de retornar à sua residência após ser apontado como um dos autores da morte da adolescente Thamiris Pereira, a qual teve seu corpo encontrado nesta quinta-feira (19).

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o defensor reforçou que André não está entre os investigados pela Polícia Civil e explicou a relação entre o rodoviário e a jovem. Segundo Quilici, a ex-enteada do homem era amiga de Thamiris e, em razão disso, os dois se seguiam nas redes sociais.

 

“Ele foi casado com uma pessoa e essa mulher tem uma filha, ou seja, a ex-enteada dele. A ex-enteada dele era amiga da Tamíris. Então, a relação dele com a Tamíris é essa. Viu as meninas brincando, e ele a conhecia. A população tomou isso como se fosse uma motivação por crime, né? Que depois ficou provado que não teve absolutamente nenhuma relação”, disse o advogado.

 

De acordo com o defensor, a priori, o rodoviário tinha negado que conhecia Thamiris, pois foi pego de surpresa e já temia um possível linchamento, visto que a população estava se manifestando sobre o caso.

 

"O repórter estava na porta e chamou-o, e ele foi. Quando ele foi, a primeira reação que ele teve foi dizer que não conhecia. 'Não conhecia, não sei quem é'. Porque ele estava ali praticamente num processo de linchamento na porta da casa dele" defendeu.

 

O advogado também informou que, desde a repercussão do caso, André sofreu com tentativas de homicídio e constantes ameaças, causando danos psicológicos ao rodoviário, que não tem relação com a morte de Thamiris. Quilici esclareceu que na residência do trabalhador moravam a sua mãe, na qual é uma mulher idosa de 68 anos, sua irmã e seu filho, um adolescente de 16 anos.

 

“Ele sofreu tentativa de homicídio, tentativa de linchamento, apedrejaram a casa dele, tentaram incendiar a casa dele. Se não fosse a ação da polícia, ele teria perdido a casa dele também. Ele e a família estão escondidos no apartamento porque a população tentou a todo custo encontrá-lo para poder fazer justiça com as próprias mãos e isso tem gerado para ele um trauma muito grande. Com o tempo, as coisas passaram a se esclarecer e ficou provado que ele não teve, não tem envolvimento com o crime”, relatou o defensor.

 

A reportagem questionou Qulici sobre as imagens de Thamiris passando em frente à residência do rodoviário no dia em que ela desapareceu. Ao Bahia Notícias, o advogado afirma que André não sabe a razão, mas explicou que uma das linhas de investigação trata que a jovem poderia ter percebido que estava sendo seguida e teria pedido ajuda ao avistar a casa de um conhecido.

 

“Ele fala que não sabe porquê. Na imagem, ela segue o caminho em direção à casa dele. Para na porta da casa dele, fica uns oito, sete, oito segundos e sai. A teoria que tanto a investigação tem, quanto a família, é que ela estava sendo seguida e, por saber que ali era a casa de um conhecido, ela tentou pedir algum tipo de ajuda. Só que não tinha ninguém em casa. Quando ela percebeu que não tinha ninguém em casa, ela seguiu. E o próprio delegado fala que, nas imagens, ela não volta. Então ela sai e desaparece. Ela não entra na casa, ela não tem contato, não tinha ninguém na casa no momento. Então ficou assim, pela última imagem dela em vida ter sido na porta da casa dele, ficou a primeira impressão de que a família, alguém da família tinha sido responsável”, detalhou Quilici.

 

Até então, o rodoviário era dado como desaparecido desde a tarde desta quinta-feira (19). O policiamento na casa do homem precisou ser reforçado após moradores do Jardim das Margaridas ameaçarem atear fogo no imóvel.

 

As imagens mostram que, no dia do desaparecimento, a adolescente se aproximou do portão de uma residência onde mora o rodoviário com quem ela tinha contato.

 

INVESTIGAÇÃO
Em coletiva de imprensa nesta quinta, o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, deu detalhes sobre as investigações e informou que a menina teria sido morta por “vingança” após ser atribuída a uma denúncia que levou à prisão de um traficante da região do Jardim das Margaridas.

 

“A investigação indica que houve uma prisão no dia 20 de fevereiro de um dos líderes do tráfico de drogas daquela região e este indivíduo que foi preso, não por tráfico, mas por violência doméstica, teria atribuído a Thamiris o acionamento da polícia para prendê-lo. Então esse indivíduo já se encontra preso e hoje cumprimos um outro mandado de prisão”, afirmou o delegado.

 

Durante a coletiva, o investigador também descartou a possibilidade da participação do rodoviário André. À imprensa, o delegado declarou que nunca informou que o homem estaria entre os suspeitos. O diretor do Depom disse que ele foi ouvido pela polícia sob a condição de testemunha e pediu que a população deixe as investigações “para o Estado”

 

“Eu nunca informei que o rodoviário estava sendo investigado. O que aconteceu é que, durante o processo, a gente ouve todo mundo. Como ela realmente parou lá [na casa dele], então era necessário ouvir o rodoviário, mas não sob o aspecto de investigado. Então seria uma surpresa muito grande para a gente se mais tarde conseguir identificar qualquer participação deles no fato. Está muito arriscada essa forma da população de querer agir por violência, por vingança, eles têm que deixar que é o Estado que faça essa investigação”, disse o delegado.