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VÍDEO: Relatos sobre caso de sequestro em shopping revelam momentos de terror e medo em Salvador; confira

Por Leonardo Almeida

VÍDEO: Relatos sobre caso de sequestro em shopping revelam momentos de terror e medo em Salvador; confira
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Ameaças constantes, tentativas de extorsão, falta de acesso à comida, confinamento em uma casa abandonada e até um tijolo sendo usado como travesseiro. Pode parecer um filme de terror, mas é o que ocorreu nesta semana em Salvador após três mulheres da mesma família serem sequestradas dentro de um estacionamento em uns dos principais shoppings da cidade. 

 

As vítimas foram raptadas no final da tarde do último domingo (15), sendo resgatadas em uma casa abandonada no bairro de Plataforma durante as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (16). Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, elas foram abordadas por dois homens armados no estacionamento do Salvador Shopping, sendo levadas para o Subúrbio da capital baiana pelos criminosos, que utilizaram o carro das vítimas.

 

Nesta terça (17), o Bahia Notícias entrevistou, de forma exclusiva, o advogado das vítimas, Cícero Dias, que contou mais detalhes sobre a articulação dos criminosos que sequestraram as três mulheres. À reportagem, o defensor questionou a esquematização da segurança do Salvador Shopping, revelou que irá responsabilizar o centro comercial pelos danos causados às vítimas do crime e relatou que as vítimas foram forçadas a realizar transferências bancárias aos criminosos.

 

“Foi um evento altamente traumático, num ambiente que deveria ser seguro, onde tinha presença de seguranças. Elas foram sequestradas dentro do shopping, no estacionamento, a polícia deve estar com as imagens. Rodaram com elas por vários lugares até chegar a Plataforma. Nesse meio tempo, foram se fazendo vários ‘pix’ e iriam segurar elas para fazerem mais saques até segunda-feira, pelo menos, 12h”, contou o advogado.

 

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Dias informou que foi procurado pelos familiares das vítimas após dificuldades em contatá-las via telefone. O advogado contou que, após suspeitas de um possível crime, ele foi pessoalmente ao Salvador Shopping e acionou o Centro de Atendimento do Consumidor (CAC) do estabelecimento para averiguar se o veículo das vítimas ainda se encontrava no estacionamento. Todavia, conforme relatado ao BN, após mais de duas horas no CAC, o atendimento não soube responder se o carro estava no local.

 

“A informação que temos é que eles entraram já pelo estacionamento. Eu fui acionado pela família ainda no domingo. Nós fomos ao shopping, eu estive acompanhando, presente, encaminharam a gente ao CAC e lá a gente pediu para saber se o veículo de placa ‘tal’ estava lá. E essa resposta, que não chegou a vir, perdurou por cerca de 2 horas e, de lá, a gente se deslocou até a delegacia para prestar queixa. Eles já sabiam que o veículo não estava lá porque o irmão das vítimas digitou no totem no estacionamento a placa do carro da irmã não apareceu nada. Ou seja, presume-se que o veículo não estava mais lá. Essa omissão do Salvador Shopping atrasou e colocou mais ainda em risco a vida dessas vítimas por pelo menos 2 horas”, relatou Cícero Dias.

 

O defensor também declarou que a equipe do estacionamento do Salvador Shopping foi omissa no caso e, segundo ele, apesar de avistar o sequestro, não teriam se mobilizado para impedir a concretização do crime.

 

“Elas chegaram a avistar dois seguranças. Inclusive olhando para eles, tentando dar sinais do que estava acontecendo. Eles ficaram olhando e nada fizeram. Não se dirigiram ao superior, não se dirigiram à administração, não ligaram para a polícia, não tentaram impedir. Vamos aguardar para ver o que as investigações apresentam”, discorreu.

 

Em entrevista para a reportagem, o advogado revelou que só foi possível encontrar as vítimas em razão de um sistema de localização interno do veículo, que é da marca Volvo. Após consultar a ferramenta, o automóvel foi detectado no bairro de Plataforma e, a partir disso, foi trabalhada a hipótese de um sequestro.

 

“A marca do veículo permite aos proprietários terem acesso à localização do carro. Nós entramos em contato com a plataforma deles e eles identificaram onde se encontrava exatamente o veículo. Com isso, passamos para o pessoal da delegacia e, de pronto, eles organizaram diligências e saíram para realizarem a primeira abordagem”, detalhou o advogado das vítimas.

 

Cícero afirmou que irá representar as mulheres em um processo contra o estabelecimento comercial. Ao BN, ele declarou que a família já está tomando providências para responsabilizar o Salvador Shopping pela “segurança passiva” durante o crime. O defensor informou que as vítimas devem buscar danos morais, materiais, além de avaliarem a possibilidade de queixa-crime.

 

Confira a entrevista:
 

 

O RELATO
O Bahia Notícias também conversou com uma das vítimas do sequestro. Sua identidade e suas falas exatas foram ocultadas por um pedido de sigilo da própria. Vale lembrar que, dentre as mulheres sequestradas, havia uma idosa de quase 80 anos, uma adulta portadora de diabetes, consultada pela reportagem, e a condutora do veículo.

 

À reportagem, a vítima informou que foi ao Salvador Shopping para tomar um café com seus familiares. O sequestro ocorreu quando elas estavam de saída do estabelecimento e seguiam em direção ao carro no estacionamento quando foram surpreendidas por homens armados. 

 

Segundo a fonte ouvida pelo BN, até aquele momento, não havia qualquer indício de que estivessem sendo seguidas. A abordagem ocorreu no instante em que uma das mulheres abriu a porta do veículo. Ao tentar reagir, ela foi impedida pelos criminosos, que ameaçaram as outras duas com uma arma, obrigando o grupo a entrar no carro.

 

Ainda segundo o depoimento, havia seguranças circulando nas proximidades no momento da ação, inclusive em motocicletas. Durante a tentativa de saída do estacionamento, duas pessoas da segurança chegaram a se aproximar, o que gerou a expectativa de que o crime fosse interrompido. No entanto, o veículo deixou o local sem impedimentos. Já na rodovia, as vítimas relataram ter passado por viaturas policiais, mas não houve interceptação.

 

Durante o trajeto, os criminosos fizeram ameaças constantes, com o objetivo de desestabilizar psicologicamente o grupo. Apesar da tensão, as vítimas conseguiram manter a calma naquele momento.

 

O grupo foi levado para um cativeiro em uma casa abandonada, localizada em uma área de matagal nos subúrbios de Salvador. No local, as condições eram consideradas insalubres: sem água, energia elétrica ou qualquer estrutura básica. As três mulheres permaneceram juntas em um único cômodo, onde também eram obrigadas a fazer suas necessidades. O ambiente apresentava infestação de insetos, e as vítimas relataram terem sido atacadas por formigas durante a noite.

 

Além das condições precárias, a situação de saúde de uma das vítimas agravou o quadro. Diabética, ela ficou sem acesso à insulina, sem alimentação e sem hidratação, o que levou a uma queda significativa na glicemia e a episódios de fraqueza intensa, com risco de desmaio.

 

As vítimas foram resgatadas pela polícia, que prestou atendimento imediato. Uma delas precisou de auxílio para se locomover devido ao estado debilitado em que se encontrava. Após o resgate, os agentes ofereceram suporte e acolhimento, contribuindo para restabelecer a sensação de segurança.

 

Após o episódio, as vítimas relatam impactos psicológicos significativos. O trauma tem provocado mudanças na rotina, incluindo dificuldade para sair sozinhas e evitar retornar ao local onde ocorreu o sequestro. O shopping, segundo informado, não teria feito contato posterior com as vítimas até o momento.

 

O Bahia Notícias buscou o Salvador Shopping para saber informações se há uma sindicância contra os seguranças e também sobre as imagens das câmeras no estacionamento. Em resposta, o centro comercial informou que iniciou uma apuração interna e que as autoridades competentes estão conduzindo as investigações.

 

“A administração do empreendimento informa que, na noite deste domingo (15/03), foi acionada por um cliente que relatou não ter localizado três familiares com quem havia combinado de se encontrar no local.Imediatamente após o relato, foi iniciada uma apuração interna e as autoridades competentes foram acionadas, passando a conduzir a investigação. A administração permanece colaborando com as autoridades para a apuração do caso”, diz a nota do Salvador Shopping.

 

O Bahia Notícias reforçou o pedido sobre as câmeras no estacionamento, mas a equipe afirmou que "como há um processo investigativo em curso, sob sigilo, qualquer informação adicional deve ser solicitada diretamente às autoridades competentes responsáveis pelo caso".