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Estudo revela que mulheres baianas têm renda média de 83% da dos homens; veja os dados

Por Redação

Estudo revela que mulheres baianas têm renda média de 83% da dos homens; veja os dados
Foto ilustrativas: Jean Vagner / Ascom SEI

As desigualdades de gênero permanecem como uma característica estrutural do mercado de trabalho na Bahia, apesar da maior escolaridade feminina. É o que aponta o levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), divulgado nesta sexta-feira (6) com base em dados da PNAD Contínua do IBGE referente ao 4º trimestre de 2025.

 

O estudo revela que, embora as mulheres ocupem postos que exigem maior qualificação formal, elas ainda enfrentam taxas de desemprego mais altas e rendimentos inferiores aos dos homens. Dos 12,1 milhões de baianos em idade ativa, a participação feminina na força de trabalho é de apenas 50%, enquanto a masculina atinge 69,2%, revelando um abismo de quase 20 pontos percentuais.

 

Essa dificuldade de inserção reflete na taxa de desocupação feminina, que chega a 10,8% — quase o dobro da registrada entre os homens (5,8%). Além disso, o desalento atinge 253 mil mulheres que desistiram de procurar emprego por não acreditarem em novas oportunidades, evidenciando que a exclusão ocorre antes mesmo da contratação.

 

Em 2025, enquanto o rendimento médio real dos homens baianos foi de R$ 2.440,63, as mulheres receberam cerca de 83,3% desse valor, com média de R$ 2.033,96. Quando o recorte de raça é aplicado, os números são ainda mais baixos: mulheres negras apresentam rendimento médio de apenas R$ 1.845,57, o menor patamar entre os grupos analisados, reforçando a dupla vulnerabilidade enfrentada por essa parcela da população.

 

Quando analisado o recorte por cor ou raça, a desigualdade se aprofunda:

  • Mulheres Negras: Recebem rendimento médio de R$ 1.845,57 (83% da renda dos homens negros).

  • Mulheres Brancas: Recebem média de R$ 2.823,66 (82,6% da renda dos homens brancos).

 

A precarização também é nítida no trabalho doméstico, atividade exercida por 381 mil mulheres no estado, das quais 86,1% não possuem carteira assinada. Embora as mulheres baianas tenham maior presença em setores que demandam escolarização formal, como serviços e áreas intelectuais, elas seguem concentradas em ramos com elevada rotatividade e rendimentos reduzidos.

 

A SEI ressalta que a reversão desse cenário depende de políticas públicas como a ampliação de creches e incentivos à formalização, garantindo que a igualdade de gênero seja tratada como condição essencial para o desenvolvimento econômico da Bahia.