Lojistas da Rodoviária de Salvador relatam prejuízo de até R$ 50 mil por suposto atraso no Habite-se; entenda
Por Paulo Dourado
A nova Rodoviária de Salvador foi inaugurada no dia 20 de janeiro de 2025, no bairro de Águas Claras, em Salvador. Após a mudança do terminal, o Bahia Notícias ouviu empresários que atuavam na antiga rodoviária e se preparavam para transferir seus estabelecimentos para o novo espaço.
Segundo apuração da reportagem, alguns lojistas afirmam que enfrentaram dificuldades para iniciar as atividades por conta da demora na liberação do alvará de Habite-se. O documento foi assinado no dia 16 de janeiro por técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), mas, de acordo com comerciantes, só foi disponibilizado oficialmente no dia 26 de janeiro, seis dias após a inauguração, o que teria gerado prejuízos.
Edvaldo, um dos sócios de uma lotérica que funcionava na antiga rodoviária, relatou que a principal dificuldade foi a demora na emissão da inscrição imobiliária, necessária para dar continuidade aos trâmites de regularização junto à Caixa Econômica Federal.
“Eu fiz a loja e dei entrada no processo na Caixa ainda em dezembro, porque o procedimento é demorado. A data de inauguração só foi informada no dia 6 de janeiro, para fechar no dia 19. Eu só pude continuar o processo na Caixa depois da alteração contratual. Fiquei sem funcionar desde o dia 20 de janeiro e só voltei no dia 12 de fevereiro”, afirmou.
Segundo ele, a loja ficou 22 dias fechada, o que resultou em prejuízo estimado em cerca de R$ 50 mil. O investimento total no novo ponto foi de aproximadamente R$ 300 mil, sendo R$ 250 mil em estrutura, o que aumenta a preocupação sobre o prazo de retorno financeiro.
Edvaldo afirmou que pretende buscar eventual ressarcimento pelos prejuízos. Apesar das críticas, elogiou a estrutura do novo terminal, classificando-o como “bonito” e com potencial de crescimento.
O presidente da associação dos lojistas da rodoviária, Gustavo Vilar, também criticou a demora na inscrição imobiliária. Segundo ele, parte dos comerciantes ficou cerca de dez dias sem operar, entre 20 e 30 de janeiro.
“Fomos avisados efetivamente no dia 5 que a inauguração seria no dia 19. Muitos já tinham projeto pronto, mas havia insegurança porque outras datas já tinham sido anunciadas e não se concretizaram”, afirmou.
Vilar relatou prejuízo de cerca de R$ 20 mil em seu quiosque devido à falta de faturamento durante o período fechado. “Não é só deixar de faturar, você continua tendo despesas com funcionários e financiamento”, disse.
Ele destacou ainda que sucessivos adiamentos anteriores da inauguração geraram desconfiança entre os lojistas, o que atrasou investimentos e preparativos para a mudança.
