Ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes avalia falhas na gestão do semiárido baiano durante evento em Irecê
Por Maurício Leiro, de Irecê / Eduarda Pinto
O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), se reuniu com lideranças do Uniao Brasil nesta quinta-feira (5), em Irecê, no centro-norte da Bahia. A reunião ocorre em meio ao Fórum S.O.S Bahia, iniciativa da Fundação Índigo em parceria com o União Brasil, com a temática de “Caminhos para Transformar a Realidade do Semiárido Baiano”, que prevê a mobilização de lideranças políticas e especialistas para discutir os impactos da seca no estado.
Sobre a temática do evento, o político cearense relembra sua trajetória em cargos de gestão, em especial no cargo de ex-ministro da Integração Nacional, no governo Lula 1, entre 2003 e 2006.
“Quando eu cheguei lá, eu fechei o ministério por 30 dias, porque o ministério encarregado disso simplesmente era um anto de roubalheira, de clientelismo, de fisiologia. Não havia projeto para absolutamente nada. E veja que ali estão as responsabilidades por infraestrutura hídrica, ali está a responsabilidade por defesa civil, ali está a responsabilidade por irrigação”, relembrou Ciro.
Tendo como base a experiência do ministério há mais de uma década, Ciro Gomes, que atualmente se apresenta como um potencial candidato ao governo cearense, destaca que “falta ao Brasil um projeto estratégico que enfrente o problema do semiárido, que é o endereço da miséria e da pobreza mais sofrida do país”.
“Você tem muita pobreza nas periferias das grandes cidades, o fundão da Amazônia também é o endereço de muita pobreza, mas a miséria mais sofrida, o polo mais hostil de expulsão de pessoas pela migração, é o semiárido do Nordeste”, contextualiza o cearense. E ele complementa: “E o nosso semiárido nordestino brasileiro é de todos os semiáridos do mundo, o que tem a melhor condição de resolver o seu problema”.
Ele cita ainda que existem possibilidades para a resolução da questão, ainda que estejam no papel oou em estágio embrionário. “A Bahia tem dois projetos fundamentais do ponto de vista macroestruturante que estão a passo de caga do manco. Um deles nem sai do papel, que é o canal de sertões baianos, e o projeto [de irrigação] BaixIo de Irecê, que na verdade se chama de Irecê, mas é de Xique-Xique. Uma banda está andando, a iniciativa privada entrou, os dois primeiros lotes estão prontos, mas lembre-se, são nove lotes. Você precisa garantir o abastecimento humano, nem isso está garantido”, afirmou.
Ele destaca que as estratégias para solucionar o problema “é sobre o que nós vamos conversar hoje”. “Uma cidade importante como Irecê sofre de falta d'água para o abastecimento das pessoas. Quanto mais cidades menores. Eu me preparei para essa conversa aqui. A Bahia tem, nesse momento, 65 municípios em condição crítica, de seca, de falta d'água, e 2 milhões de pessoas passando essa dificuldade”, conclui Ciro.
