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PCdoB rechaça eventual 'inovação' do PT na majoritária: 'Não pode ser tão improvisado'
Foto: Reprodução / Instagram / davidson_65

"As coisas precisam ser construídas sem improviso". Foi assim que uma importante liderança do PCdoB na Bahia definiu a situação da chapa majoritária governista para as eleições ao Palácio de Ondina em outubro. O desejo do governador Rui Costa (PT) em se candidatar ao Senado para o pleito demandou que novos ajustes fossem feitos, com o nome do senador Otto Alencar (PSD) sendo colocado na cabeça da chapa no lugar do também senador Jaques Wagner (PT), novidade que não tem agradado alguns integrantes do grupo político.

 

Um dos receios dos partidos mais à esquerda do espectro de alianças, como PSB, PCdoB e o próprio PT, é que as mudanças não podem ser "tão improvisadas", temendo que o Partido dos Trabalhadores decida "inovar" na escolha de um nome da legenda para bancar uma candidatura própria. A possibilidade acendeu o alerta após Wagner informar, em reunião nesta segunda-feira (28), que não seria candidato ao governo da Bahia. O petista declarou que a sua retirada não implica na retirada da candidatura do PT (veja mais aqui). "Quem decidirá se terá candidatura ou não, não sou eu, será o partido", afirmou Wagner, que falou sobre a importância da união das legendas na Bahia para as eleições deste ano.

 

Sobre a resistência que teria se criado para o nome de Otto Alencar (PSD) na cabeça da chapa, o presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, foi questionado sobre o assunto pelo Bahia Notícias e afirmou que a sigla não tem vetos e que preza pela transparência entre os partidos que compõem a base. O político voltou a criticar a forma com que as conversas aconteceram, deixando de lado os aliados na mesa de discussões.

 

"Nós ficamos conhecendo as coisas através de blogs, isso está errado, não é o método correto, foi isso que nós criticamos. Nada de artificialismo, nada de nomes que não foram construídos, que não tem condições. Nesse sentido aí Otto, assim como Wagner, reúne as condições de liderar a chapa. Precisamos ter uma composição competitiva e que prevaleça o interesse coletivo e não interesses individuais e pessoais", disse Davidson, que é secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) da Bahia.

 

Após a reunião que resultou no recuo de Wagner, os dirigentes petistas reafirmaram a decisão que aponta para a presença do partido encabeçando a chapa majoritária. O presidente do PT Bahia, Éden Valadares, colocou panos quentes ao afirmar que a decisão será fruto de debate interno, junto a outros partidos e lideranças da base, contudo sem marcar data para as deliberações.

 

OUTROS TEMORES E EQUAÇÃO RUI COSTA

Alguns partidos da base também acreditam que a escolha de Otto como pré-candidato do grupo pode diminuir as chances de uma aliança contra ACM Neto (UB) e enfraquece as candidaturas das legendas de esquerda à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), conforme mostrou o Bahia Notícias (leia mais aqui).

 

"Tanto Otto quanto [João] Leão, por característica, jogam muito por seus partidos. É diferente de Wagner, que sempre trabalhou por todas as legendas do grupo. Então a gente teme que nossos partidos sejam abandonados pela chapa majoritária", contou uma liderança de esquerda na Bahia, sob condição de anonimato.

 

A condução de Rui, como líder do grupo político no estado, tem sido também bastante criticada nas legendas, inclusive dentro do PT. Eles reclamam, entre outras coisas, que o governador abandonou as reuniões do “Conselho Político”, órgão criado por Wagner nos seus mandatos de gestor estadual. Este é um dos pleitos do PCdoB para a sequência das decisões.

 

"A opinião do PCdoB é que nós não discutimos com ninguém, não conversamos com ninguém, temos que conversar bilateralmente, mas a crítica principalmente é que deve montar imediatamente essas reuniões, essa reunião do Conselho, e ver uma chapa competitiva que represente o perfil do grupo que vem dirigindo ao governo", sinalizou Davidson ainda durante a conversa com o BN.

 

Uma outra liderança de esquerda, que preferiu não ser identificada, afirmou que Rui diminuiu muito a frequência das reuniões do Conselho Político. "Wagner criou, mas Rui não deu sequência. Ainda não tivemos uma neste ano. Tudo tem sido discutido apenas por alguns nomes", afirmou.

 

E O PSB?

As mudanças negociadas na chapa governista têm ainda outro efeito danoso a um desses partidos: o PSB perde a oportunidade de ganhar um senador por quatro anos. O vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão (PSB), é suplente do petista e assumiria a vaga no Senado caso Wagner fosse eleito. Com Otto candidato, os socialistas veem essa chance descer pelo ralo.

 

No entendimento da deputada federal Lídice da Mata, que também é presidente do PSB na Bahia, a saída de Wagner não condena o projeto a derrota, mas "traz dificuldades para se definir novas escolhas". Em entrevista ao Isso é Bahia, da rádio A Tarde FM, nesta terça-feira (1º), a parlamentar seguiu a mesma linha do PCdoB ao dizer que não há impeditivos para que Otto assuma a candidatura ao governo, mas reforçou a necessidade de expansão do diálogo (relembre aqui).

 

“Não tem veto de nenhuma parte [contra Otto], o que existe é um debate politico e análise de condições de cada pessoa representar um conjunto de expectativas de alianças politicas. O que não acho é que essa aliança é exclusiva de três partidos. O que é preciso entender que a política não é uma somatória aritmética, de ter mais prefeito aqui e acolá, nada disso. Isso tem um valor, mas não um valor essencial. O projeto politico é feito de simbologias, fala para alguém, fala em princípio para determinados setores”, opinou a deputada.

 

Lídice também preferiu não alimentar uma "caça às bruxas" ao governador Rui Costa sobre a condução do processo. "Não cito a falha no governador, mas sim naqueles que estavam na condução desse processo. Obviamente que esses partidos disseram que não participaram da discussão estão fazendo uma critica, acho que o momento era de intensa conversa bilateral e de convocação coletiva. Não imagino que soluções prontas, discutidas por 1, 2 ou 3, podem ser as melhores. Acho que o momento exige uma conversa maior”, pontuou.

 

Quando questionada sobre o apoio do PSB à candidatura de Rui ao Senado, Lídice não manifestou endosso de pronto e deu a entender que muito ainda precisa ser conversado. "Não é questão central [a candidatura de Rui]. A questão central é definir uma chapa e não só a situação de uma pessoa. O governador Rui Costa, é óbvio que é um personagem central na organização dessa chapa, mas a chapa é um conjunto, não é uma candidatura apenas”, finalizou.

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