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Sexta, 28 de Janeiro de 2022 - 00:00

Se der 'sorte', PL dos Jogos pode ser vetado por Bolsonaro, diz deputado do PL

por Felipe Dourado, de Brasília

Se der 'sorte', PL dos Jogos pode ser vetado por Bolsonaro, diz deputado do PL
Foto: Micha Parzuchowski/Unsplash Commons

O Projeto de Lei 442/91, que legaliza jogos no Brasil, deverá ser votado no plenário da Câmara já no próximo mês. O PL foi aprovado em regime de urgência na sessão de 16 de dezembro do ano passado, sob a promessa do presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) de colocar a pauta como uma das prioridades do Congresso em 2022. No entanto, pode ter apreciação freada pela suspensão das sessões presenciais (entenda aqui).

 

Ao Bahia Notícias, o deputado Bacelar (Podemos), coordenador do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, salientou a necessidade de apressar a votação do texto, que já tramita no Legislativo desde 1991. "O Brasil está desatualizado nesse sentido [da legalização dos jogos]. Hoje até os Emirados Árabes, país religiosamente muçulmano, já estão finalizando o processo de legalização do jogo", exemplificou o deputado.

 

No fim do ano passado, deputados da bancada evangélica chegaram a "vazar" que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vetaria a proposta, mesmo que aprovada no Congresso (relembre).

 

O deputado Abílio Santana (PL-BA) deu coro aos colegas parlamentares da bancada evangélica e, ao Bahia Notícias, declarou estar confiante de que a pauta sequer entre em discussão, devido à suspensão das atividades presenciais no Congresso. "Como vamos discutir remotamente? Esse PL abre um grande precedente para discussões", comentou. "A expectativa [caso seja pautado] é pela derrubada desse projeto no plenário. Mas vai que os jogos de azar dão sorte e são aprovados. Aí eu tenho convicção de que o Capitão [em referência ao presidente da República] não sancionará o projeto", concluiu.

 

Retrucando à possibilidade do veto de Bolsonaro, Bacelar disse que "em todas as bancadas é notória a aprovação do assunto", enquanto que Abílio garantiu que não apenas a bancada evangélica rejeita o texto. "Não sou especialista no assunto, mas acho que os argumentos da bancada não estão pautados em religião. Até por que o país mais evangélico do mundo é curiosamente o que tem mais cassinos e maior abertura ao jogo legalizado", comentou Bacelar, em referência aos Estados Unidos.

 

LOBBY EM CAPITAIS, CENTROS ECONÔMICOS E TURÍSTICOS

Três cidades despontam, de acordo com Bacelar, como as principais interessadas e lobistas da legalização dos jogos: Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Para ele, não vai acontecer no Brasil o mesmo fenômeno que aconteceu nos EUA com a transformação de Las Vegas como polo da indústria dos cassinos. "A experiência de Las Vegas é impossível de existir como aconteceu lá no século 20. Essa de criar uma ilha da fantasia, um local exclusivo para os jogos", brincou.

 

Na Bahia, locais propensos a receber investimentos no novo setor seriam as que recebem mais turistas. "Salvador, toda a região da Costa dos Coqueiros, como na Costa do Sauípe, ou mesmo a Chapada Diamantina, que são locais bastante povoados por resorts e importantes polos turísticos", comentou.

 

A primeira sessão do ano está marcada para a próxima segunda-feira (2/02) e até lá, a conversa sobre a legalização dos jogos não vai passar de um grande jogo de apostas.

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