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Quarta, 15 de Dezembro de 2021 - 00:00

Bacelar diz que evangélicos 'terão saudade da contravenção' se houver veto a jogos de azar

por Felipe Dourado, de Brasília

Bacelar diz que evangélicos 'terão saudade da contravenção' se houver veto a jogos de azar
Foto: Felipe Dourado / Bahia Notícias

Em resposta às falas do líder da bancada evangélica na Câmara dos Deputados Cezinha de Madureira (PSD-SP) de que o PL dos Jogos de Azar seria vetado por Bolsonaro, caso passe pela Câmara (lembre aqui), o coordenador do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, deputado Bacelar (Podemos-BA), classificou a suposta decisão como uma decisão eleitoreira e casuísta. Em seu entendimento, a bancada evangélica "terá saudade da contravenção" se o projeto não for aprovado.

 

Segundo ele, Bolsonaro "não tem nada para apresentar ao seu eleitor" e está "em busca de aprovação" para sua reeleição. "Quando ele [Bolsonaro] diz que vai vetar a PL dos jogos, é para agradar uma parte do seu eleitorado neopentecostal, que já está se revoltando com ele, e que inclusive ele já está perdendo, pois uma parcela considerável dessas pessoas são negros e pobres, segmento da população com quem, inclusive, ele não sabe dialogar", afirmou o vice-lider do Podemos na Casa ao Bahia Notícias nesta terça-feira (14).

 

Para Bacelar, a ilegalidade dos jogos no país é um impedimento de arrecadação, fiscalização e controle do Estado sobre a atividade. De acordo com o deputado, quem fica prejudicado é o cidadão que "não tem proteção e amparo" nos jogos, além da iniciativa privada. "Esta é uma cadeia riquíssima, que poderia gerar empregos, mas que hoje não devolve um centavo em tributação ao governo", comenta. De acordo com ele, mais de R$ 28 bilhões deixam de ser arrecadados por ano em jogos ilegais.

 

Na América Latina, apenas no Brasil e em Cuba os jogos de azar são proibidos. Porém a Internet democratizou o acesso a páginas que oferecem serviços de apostas esportivas, legalizadas no país desde 2018, mas também a casas de jogos ilegais no país. O deputado falou em mais de 450 páginas "off shore" da web, sediadas em outros países, são acessadas no Brasil. "Os jogos fazem parte da constituição do ser humano. Há relatos de que havia cassinos na China antes mesmo de Cristo. Então não é uma questão que pode ficar às sombras da ilegalidade", comentou o parlamentar.

 

No país, jogos de azar estão proibidos há mais de 75 anos. "Nesse tempo, o número de jogadores diminuiu? Não. Muito pelo contrário", concluiu.

 

O PL ainda deve ser votado na Câmara, e segundo Cezinha, ao menos 50 colegas evangélicos devem fazer quórum contra sua aprovação. Bacelar, no entanto, acredita que o assunto "já está maduro", uma vez que há discussões no Congresso sobre ele desde os anos 1980.

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