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Marcelo estava inconformado com rumos de delação da Odebrecht, indicam cartas

Marcelo estava inconformado com rumos de delação da Odebrecht, indicam cartas
Foto: Luis Ushirobira / Valor

Em cartas escritas em 2017, quando esteve preso, o empresário Marcelo Odebrecht destaca o inconformismo que sentia com os rumos do acordo de delação premiada da empresa. Como ex-presidente do grupo, ele foi o principal executivo da empreiteira detido pela operação Lava Jato.

 

Os manuscritos foram anexados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao processo que ele responde em Curitiba sobre a compra pela empreiteira de um terreno para o Instituto Lula.

 

Segundo a Folha de S. Paulo, a defesa do petista afirma que o documento mostra a "calibragem de relatos" e falta de espontaneidade na delação. Essas mesmas cartas foram incluídas como prova em um processo na Justiça de São Paulo. Por conta delas, a Justiça determinou o bloqueio, em março, de R$ 143,5 milhões que o grupo havia pago a Marcelo na época da assinatura do acordo de delação com a Lava Jato, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Suíça.

 

Para a construtora, houve ameaça por parte de Marcelo em frases como: "A própria empresa e os demais colaboradores (e não colaboradores) estão levando a uma situação onde acabarei 'detonando' a todos". Os textos continham uma série de críticas aos demais executivos, inclusive a seu pai, Emílio Odebrecht, em que se queixa especialmente por ele não o ter defendido do que considerou como acusações falsas (saiba mais aqui). Nas anotações, Marcelo cita ainda uma ameaça por parte da força-tarefa da Lava Jato (veja aqui).

 

À Justiça, ele diz que é perseguido pela empresa por ter exposto pessoas ligadas a Emílio, acrescentando que nessas mensagens apenas cobrava dos demais executivos que não houvesse omissões nos relatos que pudessem colocar o acordo em risco.

 

De acordo com a publicação, essas anotações eram entregues aos advogados de Marcelo no período em que ele esteve preso. Além disso, o executivo também escrevia um diário na prisão - ele foi condenado quatro vezes na Justiça Federal e, em 2019, passou para o regime semiaberto por conta da delação premiada. Os representantes de Marcelo criticam o uso dessas cartas na Justiça e apontam que a empresa violou o sigilo da comunicação com advogados. Eles pediram providências à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).