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Cartas mostram queixas de Marcelo Odebrecht sobre como pai agiu na crise da empreiteira
Foto: Acervo Odebrecht

As cartas escritas pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht quando estava na cadeia têm entre seus destaques as críticas que ele fazia a forma como seu pai, Emílio Odebrecht, conduziu a crise enfrentada pelo grupo empresarial. Para o filho, faltou uma defesa mais contundente nos meses após sua prisão, em 2015.

 

"Dói muito que eu nunca tenha sido defendido por meu próprio pai. Eu nunca deixaria uma filha ou pai ser incriminada, e trucidado na mídia por algo que não fez, sem sair publicamente em sua defesa", reclama em um dos textos escritos em 2017, segundo a Folha de S. Paulo.

 

Para Marcelo, não havia como ligá-lo a ilícitos na Petrobras, o que poderia preservar sua situação na Justiça e ainda salvar o grupo. Nos manuscritos, anexados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um processo que ele responde em Curitiba, o empresário pediu atenção à família e disse que "EO" [Emílio Odebrecht] não teria uma outra chance. "Ou então [vai] carregar um remorso ainda mais pesado pelo resto da sua vida ao destruir um filho, sua família, e o legado de gerações", apontava.

 

De acordo com a publicação, o "legado" dos Odebrecht era mencionado em outros registros de Marcelo. Em um dos textos do início daquele ano, ele escreveu: "mitigar/ minimizar os danos à minha imagem e da organização preservando um pouco do legado de meu avô". Essas eram algumas de suas metas para aquele ano.

 

Além de fazer críticas ao pai, Marcelo também reclamava da atuação dos advogados da empreiteira na negociação e da forma como os executivos se comportavam na delação premiada. "Tentar comparar minha situação com qualquer outro colaborador é desumano. Ninguém sofreu tanto, ninguém ainda vai sofrer tanto, e ninguém tem um futuro tão comprometido quanto o meu...", disse o empresário.

 

Ele não concordava com o comportamento individualista dos executivos candidatos à delação. "Começou o tiroteio interno, com as pessoas buscando o bônus de colaborar e deixando o ônus da responsabilidade com outro na organização", criticou. Pelo que indicam as cartas, o próprio Marcelo resistiu a firmar um acordo com o Ministério Público, mas depois seguiu por esse caminho. 

 

Na avaliação dele, ao transformarem a Odebrecht em uma organização criminosa, esses executivos "estavam assinando a sentença de morte" do grupo. Atualmente, a empreiteira está em fase de recuperação judicial. (Atualizada às 9h35)

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