Ufba diz que ACM Neto agride a instituição e 'jamais fará política com a pandemia'
Foto: Divulgação

A Universidade Federal da Bahia rebateu as críticas do prefeito ACM Neto a instituição comandada pelo reitor João Carlos Salles (relembre aqui) e comentou que Neto tenta "qualquer custo, instalar, no Hospital Salvador, leitos para tratamento da Covid-19", além de dizer que "jamais fará política com a pandemia".

 

Através de nota, a Ufba disse que o prefeito pretente instalar os leitos "no mesmo espaço onde está funcionando, temporariamente, a UTI Neonatal da Maternidade Climério de Oliveira (MCO), utilizando-se, para isso, do ataque público à instituição, na pessoa do Reitor João Carlos Salles".

 

"Não se justifica esta agressão à Universidade, que, desde o começo da pandemia, tem atuado firmemente na defesa da vida e da saúde da população, ombreando com a sociedade baiana e suas lideranças na luta contra a pandemia. Sempre aberta ao diálogo, a Universidade realizou reuniões com a Prefeitura para tentar chegar a uma saída razoável, que dispensasse a judicialização do problema, mas não houve acordo. Inaceitável e lamentável, portanto, é pretender tratar pacientes vítimas de Covid-19 no mesmo espaço que abriga gestantes, mães e bebês recém-nascidos, que ficariam perigosamente expostos à contaminação pelo coronavírus", acrescenta.

 

Segundo a nota, a Maternidade Climério de Oliveira (MCO) — aluga cinco dos oito andares do Hospital Salvador desde setembro de 2017.

 

"Ocorre que o Hospital Salvador, a pedido da Prefeitura Municipal de Salvador, disponibilizou dois andares à instalação de enfermarias e leitos de UTI voltados para o atendimento a pacientes acometidos de infecção pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). A medida é de todo imprópria e perigosa para a saúde de gestantes, puérperas e recém-nascidos, além do corpo técnico da maternidade, já que, de acordo com pareceres técnicos solicitados pela MCO e pela Ebserh, o hospital não oferece nenhuma condição de isolamento entre as alas, obrigando o compartilhamento de espaços comuns nas instalações da unidade. Mais grave ainda: as próprias UTIs – Neonatal e de Covid – ficariam no mesmo andar, separadas apenas por uma precária divisória removível, contrariando todas as normas que regem instalações hospitalares", explica.

 

De acordo com a instituição, a maternidade ocupa um total de 52 leitos no Hospital Salvador, sendo 11 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais (UCINCo) e 6 leitos Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa), que atendem exclusivamente bebês; 23 leitos de alojamento conjunto, que atende mulheres e bebês; 4 leitos de isolamento; e 8 leitos de pré-parto. Sendo a média mensal de procedimentos obstétricos é de 149, além de cerca de 100 partos, e a rotatividade de pacientes é intensa, já que cada internação dura, em média, de 2 a 3 dias.

 

"Foi considerando tais fatos, constatados inclusive em parecer favorável à UFBA emitido pelo Ministério Público Federal, que, na quarta-feira, 1º de julho, o Tribunal Regional Federal da 1ª região determinou a suspensão da instalação dos leitos Covid-19 no Hospital Salvador. A decisão foi tomada após recurso – agravo de instrumento – interposto pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)", finaliza a nota onde reafirma o compromisso com a saúde pública.

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