Por que é difícil encontrar alguém que queira um orçamento tão alto quanto o da Sedur?
Foto: Manu Dias/GOVBA

O deputado federal Sérgio Brito (PSD) confirmou, nesta quinta-feira (7), que não deve retornar à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). É a confirmação de uma tragédia anunciada, digamos assim. Brito nunca pareceu lá muito contente com a cadeira e aproveitou a desculpa de uma licença para retomar o mandato na Câmara dos Deputados. O agora ex-secretário estava na pasta como um arranjo do governador Rui Costa para beneficiar o PSD de duas formas: um robusto orçamento e uma "substituição" de vaga no Congresso Nacional, ocupada por Paulo Magalhães. Só que a decisão de Brito em deixar a Sedur esconde outra situação: mesmo ante uma cifra expressiva para controlar, a secretaria deixou de ser atraente.

 

Não que a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não tenha dado bons frutos políticos recentemente. O deputado federal Afonso Florence (PT) está em seu segundo mandato após passar por ela e a ex-prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira (PSD), garantiu a eleição para a Assembleia estando nela. A diferença, ao que parece, é o modelo administrativo utilizado pelo governador, que centraliza as decisões e reduz o poder de muitos secretários – é um comentário recorrente nos bastidores, mas sem nenhuma manifestação pública dos titulares. Em resumo, a chave do cofre, já enxuto com as verbas carimbadas, por mais que simbolicamente pertença ao comandante da pasta, está sob ferrenho controle de Rui, o que limitaria os “benefícios” de controlar uma secretaria.

 

Sérgio Brito falou isso de uma maneira bem transversal. E caciques do PSD sinalizaram que a indicação do titular da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) poderia diminuir a vontade do parlamentar de retornar ao Congresso Nacional. Porém era sabido que a chance disso acontecer era pequena. A Conder está sob a batuta de um nome ligado diretamente ao governador, então seria mais vantajoso para Brito articular emendas e recursos para as bases de Brasília do que sentar na cadeira de secretário e apenas dizer amém para a maior parte da execução orçamentária, já que há uma limitação de verbas discricionárias que podem ser tocadas pelo titular da pasta.

 

Quem é citado com frequência para ser secretário é o também deputado federal Nelson Pelegrino. O PSD então abriria mão da Sedur e, em troca, manteria a cadeira na Câmara com o suplente Paulo Magalhães. Pelegrino não fala publicamente sobre o tema, porém as sondagens para o petista vir para a Bahia existem e estariam faltando apenas tratativas diretas entre ele e o governador. Caso opte por essa movimentação, o deputado federal pode diminuir as chances dele ser alçado à condição de candidato a prefeito de Salvador, já que Rui não tende a fazer uma nova troca na Sedur em menos de seis meses – o prazo para desincompatibilização encerraria em abril de 2020.

 

Diferente do passado, quando a Sedur parecia encher os olhos de muitos políticos, em 2019 a mesma secretaria não aparenta atrair tanta atenção assim. Ou os tempos mudaram ou a secretaria mudou. Conhecendo um pouco a cena local, eu apostaria muito mais na segunda opção.

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM Nazaré.

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