Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

Alta demanda pode transformar disciplina sobre 'Golpe de 2016' em curso de extensão na Ufba

Por Ailma Teixeira

Alta demanda pode transformar disciplina sobre 'Golpe de 2016' em curso de extensão na Ufba
Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias

Com a polêmica em torno da implantação da disciplina “Tópicos Especiais em História: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” na Universidade Federal da Bahia (Ufba), a procura de alunos interessados em cursar a matéria eletiva é grande. Tanto que o grupo de professores que participarão do curso já avalia a possibilidade de transformar a disciplina em um curso de extensão. “A atitude reflete um posicionamento político e solidário em relação ao professor [Luís Felipe Miguel, da UNB] que foi ameaçado pelo ministro da Educação. (...) Mas, obviamente, nós vamos adaptar às nossas necessidades e às nossas capacidades”, adianta o professor Carlos Zacarias, responsável pela inscrição da disciplina na grade da Ufba. A iniciativa surgiu depois que o ministro Mendonça Filho criticou publicamente a criação do curso pela Universidade de Brasília, chamando o ato de “uso do espaço público para promoção de militância político-partidária”. Como reação à atitude do ministro, pelo menos quatro universidades repetiram o curso em suas programações (veja aqui). A polêmica chegou ao ponto de o vereador Alexandre Aleluia (DEM) ingressar com uma ação pedindo a suspensão da matéria na Ufba (leia aqui) “O que nós pensamos é tornar essa disciplina o mais plural possível e outras centenas de professores e estudantes se solidarizaram e aplaudiram a iniciativa, o que demonstra que a atitude do ministro foi desastrosa, o que demonstra que nós aqui estamos certos no nosso caminho”, defende Zacarias. No caso da Ufba, o professor conta que 21 colegas, dos cursos de História, Filosofia, Química e outras áreas, devem participar das aulas. O objetivo, de acordo com ele, é ter sempre dois ou três professores à frente da turma. Neste semestre de 2018.1, cujo período começa no dia 2 de abril, as aulas deverão ser ministradas sempre às tardes de quinta-feira. O local e o horário exato ainda não foram definidos, mas a ocupação deve ser em algum auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) por conta da maior capacidade para receber pessoas em relação às salas de aula.

 

Foto: Reprodução / FFCH

 

Por outro lado, assim como a implantação despertou a curiosidade e o engajamento de parte considerável da comunidade acadêmica, houve também muita repercussão negativa sobre o fato. No caso da Ufba, Zacarias conta que foi alvo dos mais diversos xingamentos quando anunciou, nas redes sociais, que ministraria a disciplina. Sua publicação conta com mais de três mil comentários. "Eu fui chamado de vagabundo, preguiçoso, maconheiro e você pode imaginar o que o Facebook abriga, então, isso aconteceu de maneira impressionante", conta. O professor observou que esses comentários vinham tanto de perfis falsos quanto de “pessoas de bem”, com trabalho e família. Mas, apesar das ofensas, ele afirma que não chegou a detectar algum caso que lhe represente risco ou seja passível de denúncia. Para Zacarias, toda essa discussão mostra o quanto a democracia “está em risco” e justifica a relevância da disciplina. "Muita gente questiona [o golpe de 2016] e é legítimo que as pessoas questionem, mas já há um razoável consenso na academia brasileira", afirma, destacando que não fala em unanimidade. "Há divergências, a gente polemiza, a gente escreve artigos, uns contra as posições dos outros. Então, não é um curso pra fazer proselitismo partidário. São pessoas com posições políticas diferentes, diversas, todos doutores, todos com currículos consistentes, robustos e a gente vai desenvolver nossas questões", explica. Os estudantes interessados na matéria podem se inscrever regularmente pelo sistema da Ufba, mas a disciplina também está disponível ao público, que pode cursá-la como ouvinte.