Polêmica no Barra: Projeto que autoriza travesti a usar banheiro feminino está parado na CMS
Fotos: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
Em tramitação na Câmara Municipal de Salvador (CMS) há mais de nove meses, o Projeto de Lei 264/2013, de autoria da vereadora Fabíola Mansur (PSB), que dispõe “sobre o uso comum do sanitário feminino por transexuais e outras mulheres sociais em espaços públicos e privados” evitaria a polêmica nas instalações do Shopping Barra, em Salvador. Nesta quinta-feira (9) veio a público um abaixo-assinado feito por 21 funcionárias do estabelecimento para impedir que outra funcionária – travesti – utilize o sanitário feminino. Contatada pelo Bahia Notícias, a socialista classificou a atitude como “equivocada” e saiu em defesa da transexual. “Qual constrangimento foi criado por ela? Se foi pelo simples uso do banheiro, eu não vejo nenhum. Acho [o abaixo-assinado] lamentável”, esbravejou. Fabíola aproveitou a oportunidade para lembrar do Projeto de Lei 122/2006, que tramitou por longos oito anos na Câmara Federal, e previa, dentre outras coisas, a criminalização da homofobia. No entanto, o texto foi sepultado pelos senadores, com a ajuda, inclusive, de parlamentares baianos – João Durval (PDT), que votou a favor do fim da tramitação, e Walter Pinheiro (PT), que se ausentou do plenário da Câmara. “Estávamos defendendo o PLC 122, mas não deu certo”, lamentou a edil.

Outra vereadora que saiu em defesa da travesti foi Eron Vasconcelos (PRB) que, embora evangélica, foi categórica ao conceituar o acontecimento. “Isso é homofobia clara e óbvia”, decretou. A presença da funcionária no banheiro feminino, segundo Eron, se justifica pela sua condição social. “Ela se assume com um nome social, então por que abaixo-assinado?”, questionou. Ela voltou a lembrar do projeto de Fabíola, do qual é relatora. “A vereadora Fabíola tem um projeto que fala disso. Ou nós aprendemos a conviver em sociedade ou não sei o que vai acontecer”, disse. Mesmo ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, Tia Eron defende a tolerância com questões de identidade de gênero e sexualidade. “Eu posso garantir que a Câmara está debruçada sobre esta questão para evitar esse tipo de constrangimento. Na época de Léo Kret, as pessoas diziam: ‘Eron vai encrencar’, mas por causa da origem que eu tenho. Nós convivemos com muitos homossexuais, de todos os tipos”, confessou. Para finalizar a questão, Eron – assim como Fabíola – descartou a criação de um “terceiro banheiro”. “Isso seria uma agressão da mesma forma. Pelo amor de Deus”, clamou. A administração do Shopping Barra ainda não se pronunciou sobre o caso.

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